Apesar das constantes críticas de ambientalistas e de parte significativa da comunidade, a Corsan Aegea garante que o esgoto gerado por Xangri-Lá e parte de Capão da Canoa não trará prejuízos para a qualidade do Rio Tramandaí. Ao contrário, segundo o gerente de Relações Institucionais da Corsan no Litoral Norte, Luciano Brandão, os efluentes, como são chamados pela empresa, estarão em conformidade com as normas estabelecidas pela Fepam.
“Primeiro lugar, não gostamos de chamar de lançar esgoto, mas da disposição de efluente tratado. A água será tratada e entregue ao Rio sem prejuízos para a vida marinha, pescadores e população”, afirma Brandão.
Segundo Brandão, a necessidade de lançar esses efluentes no Rio Tramandaí se deve a vários fatores, entre eles, as características geográficas da região. Por existirem vários lagos interligados, que começam desde Capão da Canoa e deságuam no Rio Tramandaí, formando uma Bacia Hidrográfica.
Brandão explica que, de acordo com as determinações do Plano Regional de Bacias – um termo que foi firmado por diversas entidades e prefeituras – o lançamento de efluentes dentro das características locais deve ser feito na bacia do Rio Tramandaí.
O gerente de Relações Institucionais destaca que esse modelo já foi operacionalizado em outras regiões. O modelo de lançar no Rio Tramandaí, segundo Brandão, segue as normas e regulamentações de agências reguladoras, mantendo a qualidade e dentro das tarifas aplicáveis na região. “Existem outros métodos para tratar o esgoto, mas elas estão fora do modelo tarifário fixado por agências reguladoras. Ainda segundo Brandão, o projeto atende o Marco Regulatório do Saneamento que prevê até 31 de dezembro de 2033 90% de cobertura de coleta e tratamento de esgoto.
Como é feito hoje
Segundo Brandão, atualmente, o esgoto de Xangri-Lá e parte de Capão da Canoa é feita através de bacias de infiltração, que ficam próximas a estações de tratamento. Em 2022, após autorização da Fepam, foram iniciadas a construção de seis novas bacias de infiltração de efluentes tratados na ETE II, para impedir os extravasamentos de esgoto que ocorriam na ETE II.
Este modelo, porém, deve ser substituído para um novo sistema de 9,2 km, que leva esses efluentes até o Rio Tramandaí. Eles saem de Xangri-Lá e seguem paralelos a Estrada do Mar até o Osório.
O que dizem ambientalistas
Para ambientalistas, o projeto que prevê a disposição de esgoto de Xangri-Lá no Rio Tramandaí não deixa claro sobre a remoção de fármacos, drogas, pesticidas e hormônios.
O Centro de Estudos Costeiros Limnológicos e Marinhos (CECLIMAR), da UFRGS, afirma que não há garantias concretas para cobrir todo o tratamento. Segundo CECLIMAR, dentro do que foi apresentado, o lançamento de efluentes vai cobrir cerca de 90% dos rejeitos.
Além de pesquisadores e ambientalistas, moradores também mostram descontentamento com essa medida. Rita Bassani, que mora em Porto Alegre, mas também tem casa em Tramandaí, não aprova a ideia de lançar o esgoto de outra cidade no Rio. “Essas pessoas não se dão conta de que vão estragar tudo e inundar o mar com esgoto”, desabafa.
Apesar das críticas, o projeto segue em frente. A obra da tubulação foi concluída e, quando entrar em operação, vai despejar 20 litros de efluentes por segundo. O lançamento ainda depende de finalização de questões operacionais solicitadas pela Fepam.