“O racismo é pensado e vivido. A pessoa branca pode pensar sobre, e a pessoa negra pode pensar e mostrar a vivência do racismo a partir da sua condição”. Esta é a fala do professor de história César de Oliveira, de 34 anos, um dos participantes do curso Uniafro, realizado em parceria entre a Secretaria de Educação e Cultura de Campo Bom e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para os professores e técnicos na gestão pedagógica do município.
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Foto: Paola Altneter/GES-Especial
A capacitação, que iniciou em abril e se estenderá até novembro, tem como objetivo promover a inclusão e e fortalecer práticas antirracistas, de acordo com a diretora geral de Educação, Driele Severo. “A gente entende que em primeiro lugar é para assegurar os direitos das nossas crianças e servidores negros e também trabalhar com a conscientização da nossa rede”, menciona.
A formação é desenvolvida tanto nos encontros presenciais, que ocorrem uma vez por mês, quanto no estudo à distância. As aulas foram organizadas em seis módulos, que abordam os conceitos básicos da Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) e o antirracismo; estudos sobre a branquitude; africanidades brasileiras e ambiência racial; história da escolarização do negro no Brasil; território, segregação e negritude e combate ao racismo religioso.
Ao todo, 43 profissionais da educação participam do curso, sendo um de cada instituição de ensino do município. “O impacto na sociedade quando tu tem pessoas mais conscientes e que respeitam o outro sempre é positivo para todos. Essa construção é para buscar uma sociedade mais justa, que respeite as diferenças e que consiga reconhecer e valorizar essa cultura”, ressalta.
Neste sábado (9), o encontro foi conduzido pela coordenadora do curso Uniafro, Tanara Forte Furtado. Ela relata que a oportunidade de estar com os professores em Campo Bom foi um momento ímpar. “Sobretudo porque da nossa parte é um reconhecimento de um esforço que o município tem feito para implementar a ERER e combater o racismo”, afirma.
Segundo Driele, o município também vem investindo em formação para os profissionais de todas as escolas da rede e na compra de bonecas negras e livros de autores negros e indígenas, como estratégia de fortalecimento da causa.
Experiência
A assessora pedagógica da Educação Infantil, Juliana Pereira, de 41 anos, relata que decidiu se inscrever na capacitação para aprender mais sobre o racismo e levar para os professores. “Agora com o curso vou expandir os meus conhecimentos e ter um letramento sobre essa temática”, comenta.
Já o professor César de Oliveira, 34, ressalta a importância dos profissionais da educação terem estes conhecimentos. “Não se faz boa prática sem boa teoria e o ERER precisa de fundamentação teórica”, sustenta.

Foto: Paola Altneter/GES-Especial