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Censo Demográfico 2022

De carro, a pé ou de trem: Como a região metropolitana se desloca para o trabalho

Em Novo Hamburgo, São Leopoldo e Canoas, mais de 45% da população ocupada se desloca de carro, enquanto a maior parte leva até meia hora entre casa e trabalho

Dário Gonçalves
Publicado em: 09/10/2025 às 16h:42 Última atualização: 10/10/2025 às 08h:05
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Dados preliminares do Censo Demográfico 2022 sobre deslocamentos para trabalho e estudo revelam que a população da região metropolitana depende majoritariamente do automóvel para se deslocar, mesmo tendo um trem como opção entre Novo Hamburgo e Porto Alegre.

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Automóveis predominam entre os meios de transportes mais usados pelos trabalhadores | abc+



Automóveis predominam entre os meios de transportes mais usados pelos trabalhadores

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Nas três maiores cidades da região — Novo Hamburgo, São Leopoldo e Canoas — cerca de metade dos trabalhadores utilizam carro para chegar ao trabalho, e dois em cada três levam até 30 minutos entre casa e local de ocupação. Em municípios menores da região, como Campo Bom, Sapiranga e outros dos Vales do Caí e Paranhana, os trajetos são mais curtos e a locomoção leva, majoritariamente, entre seis e 15 minutos.

No Brasil, o Censo 2022 mostra que o automóvel também é o meio de transporte mais usado no deslocamento para o trabalho, com 32,3% da população ocupada, seguido por ônibus (21,4%), a pé (17,8%) e motocicleta (16,4%). O levantamento evidencia que 88,4% dos trabalhadores atuam no mesmo município em que residem, sendo que 71,4% trabalham fora de casa e 16,9% dentro do próprio domicílio.

A pesquisa realizada há três anos entrevistou cerca de 7,8 milhões de pessoas em aproximadamente 10% dos domicílios do país. Com isso, foi possível observar como o transporte influencia o dia a dia da população e identificar diferenças de padrões dentro de uma mesma região, reforçando a importância de políticas públicas de mobilidade adaptadas à realidade de cada cidade.

Padrão de deslocamentos

Nas três principais cidades de cobertura do Grupo Sinos, os dados mostram predominância ainda maior do automóvel. Em Novo Hamburgo, com 227.646 habitantes, 51,4% dos trabalhadores usam carro, 15,9% caminham, 13% utilizam ônibus e 9% motocicletas. A maior parte (70%) leva entre seis e 30 minutos para se deslocar, enquanto 11% percorrem até cinco minutos. Entre os trabalhadores que levam entre 30 minutos e uma hora de casa até o trabalho, o percentual chega a 14%. Há ainda uma pequena parcela (4%) que enfrenta entre uma e duas horas.

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Em São Leopoldo, cidade de 217.409 habitantes, os números são semelhantes. Na cidade, 45,3% usam automóvel, 13,6% caminham, 18,2% usam ônibus e 7,7% utilizam motocicleta. Os usuários do trem somam 5,9%, mais que o dobro dos trabalhadores de Novo Hamburgo (2,5%). O tempo de deslocamento mais frequente é de 15 a 30 minutos, representando 36% dos trabalhadores.

Trensurb | abc+



Trensurb

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Já em Canoas, com 347.657 habitantes, 45,7% dos trabalhadores se deslocam de carro até sua fonte de renda, 9,6% a pé, 23,1% de ônibus e 6% de motocicleta, além de 6,5% que vão de trem. A cidade registra um contingente de 26% que leva de 30 a 60 minutos para chegar ao trabalho, enquanto 9% enfrentam trajetos entre uma e duas horas.

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Trajetos curtos marcam municípios menores

Entre os demais municípios da região, os deslocamentos tendem a ser mais curtos. Em Campo Bom e Sapiranga, 15% chegam ao trabalho em até cinco minutos, enquanto 41% e 44%, respectivamente, entre seis e 15 minutos. No Vale do Paranhana, praticamente todas as cidades têm mais da metade dos trabalhadores chegando ao trabalho em até 15 minutos. A exceção é Taquara, com 44%.

No Vale do Caí, municípios como Bom Princípio e São Sebastião do Caí também apresentam trajetos majoritariamente curtos, reforçando a predominância de deslocamentos rápidos em áreas menores da região.

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Em Igrejinha, trânsito é menos intenso que nas cidades da Região Metropolitana | abc+



Em Igrejinha, trânsito é menos intenso que nas cidades da Região Metropolitana

Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial

O levantamento evidencia ainda diferenças significativas na forma como as pessoas se deslocam, dependendo do tamanho da cidade e da infraestrutura de transporte. Nas cidades maiores, o automóvel domina, enquanto em municípios menores, o deslocamento a pé é mais expressivo. Além disso, o uso de transporte coletivo, como ônibus, tende a ser mais relevante em cidades com maior densidade populacional, como Canoas e São Leopoldo.

Segundo o analista do IBGE, Mauro Sergio Pinheiro, “as informações sobre deslocamento das pessoas para trabalho e para estudo são fundamentais para o planejamento urbano em diferentes níveis territoriais, fornecendo indicadores seguros relacionados à integração funcional entre localidades. São, portanto, estatísticas que podem contribuir para melhorar a qualidade de vida da sociedade”.

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