Novo Hamburgo está em estado de alerta para a presença do mosquito da dengue, segundo o último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa). Os dados indicam que a cidade enfrenta risco iminente de surto.
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Até o momento, o Município teve um óbito pela doença em 2025. Em todo o Rio Grande do Sul, foram registradas 51 mortes por dengue ao longo do ano.
A divulgação do boletim sobre o índice integra o projeto de Prevenção e Combate à Dengue, realizado em parceria pela Universidade Feevale e a Prefeitura de Novo Hamburgo.
Os dados encontrados pela equipe dos Agentes de Combate às Endemias (ACEs), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), são referentes a 245 amostras de larvas e/ou pupas coletadas em 3.988 imóveis de Novo Hamburgo. Destas, 45% apresentaram-se positivas para o mosquito transmissor dos vírus dengue, zika e chikungunya.
Com isso, o levantamento aponta um índice de 2,3%, significando que a cada 44 imóveis, um teve a presença do mosquito.
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O biólogo da Universidade Feevale, Tiago Filipe Steffen, explica que o verão e o outono são as épocas do ano mais favoráveis para a reprodução do mosquito transmissor. “Ele é muito ligado ao clima. Além disso, ele tem hábitos diários, não faz barulho e não causa dor, além de costumar fazer voos baixos, normalmente picando as pernas das pessoas.”
Steffen afirma que, em termos de prevenção, a união faz a força. “Além de a prefeitura aplicar inseticida nos bairros com regularidade, o que já tem sido feito, a comunidade também precisa fazer a sua parte não deixando água parada em plantas, trocando os potes de água dos animais de estimação regularmente…”
Regiões com maior número de focos
O levantamento não divide a cidade por bairros, mas sim por extratos: bairros agrupados por características socioambientais semelhantes, com objetivo de facilitar estratégias de prevenção.
Dentre eles, os bairros Petrópolis, Boa Saúde e Primavera (estrato um) estão em risco iminente de surto, com um Índice de Infestação Predial (IIP) acima de 3,9% em novembro deste ano. Para ser considerado satisfatório, este percentual deve estar abaixo de 1%.
Já os outros oito extratos estão em iminente perigo, com IIP entre 1% e 3,9%. Dentre estes, destacam-se bairros do estrato 4, com 3% (Canudos Mundo Novo e parte do bairro São Jorge), estrato 3, com 2,7% (Roselândia, Alpes do Vale, Vila Diehl, São José e parte do São Jorge), e estrato 5, com 2% (Canudos Esmeralda, Canudos Iguaçu e Canudos Marissol).
Conforme informações divulgadas pelo boletim disponibilizado, o IIP foi calculado dividindo o número de imóveis com presença de Aedes aegypti pelo número de imóveis pesquisados.

Foto: Rosinele Perez/Prefeitura de Cachoeira do Sul
Óbitos e prevenção no Estado
Além disso, no Estado, 51 óbitos foram registrados em 2025 — sendo 24 em Porto Alegre e 12 em quatro cidades de cobertura do Grupo Sinos (incluindo Novo Hamburgo).
Conforme o Painel da Dengue disponibilizado on-line pelo governo do Estado, Cachoeira do Sul está em segundo lugar no número de óbitos, com cinco registros. Já Canoas e Sapucaia do Sul tiveram três cada uma. Novo Hamburgo, por sua vez, registrou apenas um óbito, e São Leopoldo não possui nenhum.
A coordenadora do Departamento de Vigilância Ambiental em Saúde de Novo Hamburgo, Julyana Sthéfanie Simões Matos, afirma que as ações de prevenção na cidade são contínuas.
“Realizamos visitações dos Agentes de Combate às Endemias (ACE) em residências, aplicação de inseticida em pontos estratégicos definidos pelo Ministério da Saúde, ações de educação em saúde e educação ambiental em escolas do município e pesquisa vetorial especial quando ocorrem suspeitas ou mesmo caso confirmado de dengue ou outras arboviroses.”
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Em Cachoeira do Sul, a bióloga Rosinele Perez descreve as múltiplas ações que são realizadas para prevenir novos casos. “Fazemos inspeções aos imóveis, inspeções e tratamento nos pontos estratégicos (como cemitérios, borracharias, floriculturas, depósitos de coleta seletiva), armadilhas, entre outros”, diz.
“Também temos campanhas educativas junto à comunidade com ênfase da rede de ensino, e nesse trabalho educativo temos contação de histórias, teatro de fantoches, rodas de conversa, cartilhas,
Em Canoas, a prevenção abrange ações educativas, fiscalização frequente e combate ativo aos focos do mosquito. “Na parte educativa, fazemos visitas domiciliares todos os dias, de casa em casa, recomendando práticas para evitar o acúmulo de água parada, e também trabalhamos bastante com denúncias. De quinze em quinze dias, visitamos pontos estratégicos, como cemitérios, cooperativas e ferro-velhos para orientações e vistorias”, diz a diretora da Vigilância em Saúde do município, Iara Regina Fontana, que acrescenta que a cidade também atua mediante o recebimento de denúncias.
“Também começamos a trabalhar com armadilhas de Ovitrampa, utilizadas para coletar ovos do Aedes aegypti e realizar o controle e monitoramento dos focos, além de Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI) em escolas, postos de saúde e outros locais em que houver necessidade. Se o mosquito sentar em uma parede onde foi aplicado, ele não transmite para outros mosquitos”, continua.
Em São Leopoldo, a Secretaria de Saúde informa, mediante assessoria de imprensa, que as ações da cidade consistem em visitas domiciliares e, periodicamente, em pontos estratégicos, como borracharias, ferros-velhos, floriculturas e cemitérios. Além disso, a pasta também comenta que realiza ações de orientação e aplicação de inseticida no entorno.
Em Sapucaia do Sul, também são diversas as medidas. “Realizamos visitas a pontos estratégicos (floriculturas, borracharias, cemitérios), monitoramento da circulação através de armadilhas Ovitrampa, levantamentos de índices rápidos e tratamentos em residências, vistorias em locais de denúncias…”, lista a coordenadora da Vigilância em Saúde do município, Taís Mendes.
“Além disso, a população local é orientada, há eliminação de focos, notificações e muita conversa educativa”, finaliza.