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ABC NAS RUAS

Entenda o que aconteceu em Sapiranga e se há risco de novas inundações após rompimento de açude maior que um campo de futebol

Secretário do Meio Ambiente descarta riscos imediatos de novos alagamentos ou rompimentos

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 30/07/2025 às 16h:04 Última atualização: 30/07/2025 às 16h:45
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Moradores do bairro Floresta, em Sapiranga, viveram momentos de tensão após o rompimento de dois açudes localizados em uma propriedade na Rua Rubaldo Emílio Saenger. Os rompimentos consecutivos provocaram uma avalanche de água, que percorreu cerca de um quilômetro e foi parar dentro de residências.

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Imagens feitas com drone, nesta quarta-feira (30), mostram a situação atual dos açudes | abc+



Imagens feitas com drone, nesta quarta-feira (30), mostram a situação atual dos açudes

Foto: Vandré Brancão/GES-Especial

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Cerca de 15 casas da região foram atingidas. O cenário gerou preocupação entre os moradores, muitos temendo que uma nova inundação possa acontecer.

A dona de casa Jussara Araújo, 48 anos, conta que o clima é de apreensão desde a noite da última segunda-feira (28), quando aconteceu o fato. “Estamos assustados, porque foi muita água e não sabemos se pode descer mais. Eu nem sabia que tinha esse tal de açude, e estamos com medo de que, novamente, isso volte a acontecer”, pontua.

Nesta quarta-feira (30), a reportagem voltou ao local e teve acesso à propriedade em que os açudes estão instalados, quando pôde conferir de perto a situação e entender a dimensão do problema.

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O maior dos dois açudes tem cerca de 1,5 hectare de extensão, o que corresponde a 15 mil metros quadrados, o que equivale a um campo e meio de futebol. Construído há mais de 50 anos, o açude servia originalmente para irrigação de uma antiga plantação de arroz que existia na propriedade.

O segundo açude, bem menor, de aproximadamente 900 metros quadrados, era utilizado para criação de peixes. Ambos ficam em propriedades particulares do bairro Floresta.

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O que pode ter causado o rompimento dos açudes

Conforme levantamento preliminar da Secretaria de Meio Ambiente e Preservação Ecológica de Sapiranga, o rompimento ocorreu inicialmente no açude maior, provocado por uma combinação de fatores como o excesso de chuva e fortes ventos, em razão da passagem de um ciclone extratropical pelo Estado, que causaram o solapamento do talude.

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“O vendaval forçou as árvores, e as raízes podem ter enfraquecido o solo, que estava bastante encharcado pela chuva dos últimos dias. Isso pode ter feito ‘estourar’ o primeiro [açude]”, analisa o secretário Ederson André Klein.

A pressão da água liberada pelo rompimento desse açude maior atingiu o segundo açude, que acabou transbordando e também rompendo em um ponto onde havia um pé de manga.



Água percorreu área de vegetação até alcançar casas

A força da água seguiu por um córrego natural da localidade, descendo aproximadamente um quilômetro por uma área de vegetação até alcançar a zona urbana do bairro. “A sorte é que tinha esse açude menor, porque reduziu a pressão da água que veio do outro. A vegetação dessa área também enfraqueceu a velocidade com que a água desceu até as casas”, coloca o empresário Felipe Carrão, dono da propriedade onde ocorreram os rompimentos dos açudes.

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Parte dessa água foi escoada pela rede pluvial instalada há cerca de um ano, mas, devido à capacidade limitada da canalização, o volume excedente invadiu a rua e os quintais das residências mais próximas.

Dos 15 imóveis afetados, em cerca de três deles a água invadiu o interior das casas, por estarem localizadas em terrenos mais baixos, provocando prejuízos materiais. Nas outras, a água atingiu apenas o pátio, deixando apenas rastros de sujeira.

Entenda o que aconteceu e se há risco de novas enxurradas após rompimento de açude

Sobrevoo com drone mostra situação atual do local e indica baixo risco de nova enxurrada

Em um sobrevoo realizado por drone, foi possível identificar a situação atual do local. Também foi possível observar com mais clareza a fenda que se abriu na taipa do açude maior. A estimativa é de que tenha cerca de dez metros de largura e um metro de profundidade, resultado do solapamento da estrutura causado pela pressão da água e pelas condições climáticas adversas.

As imagens captadas nesta quarta-feira (30) mostram que o açude maior está praticamente seco, com apenas uma lâmina de água de aproximadamente 20 centímetros, e não representa mais nenhum risco. O açude menor está completamente seco.



O secretário Ederson Klein explica que a Prefeitura já realizou análise preliminar da situação e descarta riscos imediatos de novos alagamentos ou rompimentos. “A água extravasou quase toda, restando pouca água dentro do açude maior. O proprietário já se comprometeu a manter a drenagem aberta para que a água escoe lentamente. A população pode ficar tranquila, pois não há indicativos de novos episódios semelhantes”, afirma.

O secretário ainda reforçou que será feita uma avaliação técnica mais detalhada nos próximos dias, com participação de geólogo e engenheiro da Prefeitura, para analisar as condições do entorno e a integridade dos açudes. Posteriormente, será encaminhado relatório ao Departamento de Recursos Hídricos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, órgão responsável pela outorga e regulação do uso da água.

Proprietário de açudes acordou moradores assim que soube do rompimento da taipa

O empresário Felipe Carrão conta que a ocorrência foi um fato inédito, resultado da força da natureza. “Aquela taipa tem muitas décadas, e nunca tinha acontecido algo assim. Foi uma surpresa para todos”, relata.

Empresário Felipe Carrão observa destruição causada pelo rompimento de açudes em sua propriedade | abc+



Empresário Felipe Carrão observa destruição causada pelo rompimento de açudes em sua propriedade

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

Assim que soube do rompimento, Carrão foi imediatamente ao local, acionou o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, e percorreu a rua avisando os vizinhos para que tomassem cuidados e saíssem de casa, se necessário. “Foi uma enxurrada rápida, durou cerca de 15 minutos, mas conseguimos evitar um dano maior”, destaca.

Sobre a possibilidade de retomar o funcionamento dos açudes, ele afirma que aguarda o resultado da análise da Prefeitura para seguir os procedimentos legais e garantir a segurança da população e da propriedade.

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