Um par de sapatos pode contar mais do que uma história de moda — e revelar gerações de trabalho minucioso e dedicação. No Dia 25 de outubro é celebrado uma das figuras mais importantes da indústria calçadista: o sapateiro. O ofício da profissão surgiu com os imigrantes alemães chegados ao Vale do Sinos em 1824 e para enfrentar o frio do Rio Grande do Sul. Inicialmente de forma artesanal, a profissão fez do sapateiro um profissional habilidoso na arte de moldar e criar sapatos para diferentes ocasiões.
Na década de 1960, os calçados brasileiros passaram a ser exportados para a Europa e Estados Unidos. Desde então, esse mercado se solidificou e hoje o Brasil é o quarto maior produtor do mundo, sendo referência internacional em criatividade, design e qualidade do produto. Da época das ferramentas mais tradicionais – como alicate, amolador e martelo – às linhas dde produção automatizadas, muitas mudanças ocorreram no setor. Mas, a inovação nas fábricas de calçados não diminui a importância do sapateiro.

Foto: Pavel Vladychenko/Freepik
Um novo cenário
Hoje, a atividade combina o aspecto artesanal com novas tecnologias e novas práticas. Com o passar dos anos, o sapateiro deixou de atuar apenas no conserto e passou a entender o mercado como um todo: domina técnicas de personalização, conhece tendências, materiais sustentáveis e até ferramentas digitais de design. Muitos se tornaram empreendedores, abrindo pequenos ateliês, novas fábricas ou prestando serviços de manutenção, voltados à valorização do consumo consciente.
A reinvenção necessária
A adaptação profissional veio também pela tecnologia. Impressoras 3D e softwares de modelagem, por exemplo, estão entre as ferramentas de um novo perfil de sapateiro — que alia o conhecimento artesanal à inovação. Além disso, cresce a presença feminina e a preocupação com a sustentabilidade, temas que vêm moldando a indústria calçadista e o próprio ofício. Mesmo diante de tantas mudanças, o sapateiro continua essencial. Mais do que consertar calçados, ele reafirma que tradição e modernidade podem caminhar lado a lado.
O setor calçadista em 2025
Fábricas
Brasil: 5,3 mil
RS: 1,8 mil
Empregos
Brasil: 295 mil diretos
RS: 82 mil diretos
Produção
Brasil: 929,5 milhões de pares
RS: 203 milhões de pares
Exportação
Brasil: 97,4 milhões de pares
RS: 32,3 milhões de pares
Estima-se que no território nacional as projeções devem ser de -1,1% a +1,4%
Fonte: Abicalçados (dados referentes a 2024)