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Uma pedrada sonora

"Faz ideia do cheiro?": Banda Diokane lança música que expressa agonia durante a maior tragédia climática do RS

Com vocal gritado e guitarra pesada, single "Cheiro de Enchente" dá voz irada às vítimas das cheias de 2024

Publicado em: 09/09/2025 às 12h:21 Última atualização: 09/09/2025 às 12h:21
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“Todos no mesmo barco, naufragando em agonia. Afogando em lembranças, do que já foi um dia”, grita o vocalista no verso. A maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul já havia inspirado filmes, livros, desenhos, pinturas. Há também a música. Um som irado, diga-se.

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Se valendo de vocais gritados, guitarras com riffs pesadas e o som pulsante de baixo e bateria, a banda porto-alegrense Diokane criou uma pedrada sonora para expressar a dor e indignação sofrida pelas vítimas das cheias que atingiram o RS em maio do ano passado.

Quarteto porto-alegrense formado em 2016 faz som visceral que mistura punk e metal | abc+



Quarteto porto-alegrense formado em 2016 faz som visceral que mistura punk e metal

Foto: LEANDRO MONKS

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O single “Cheiro de Enchente” é o mais recente trabalho do grupo formado por Billy Valdez (baixo), Gabriel ‘Kverna’ Mota (bateria), Homero Pivotto Jr. (voz) e Rafael Giovanoli (guitarra).

O quarteto não acompanhou a catástrofe natural pela TV. Eles se uniram diante do drama vivido pelo guitarrista Rafael Giovanoli, que é morador de Canoas e precisou sair de casa diante do cenário.

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Até pelo conhecimento de causa, a faixa é acompanhada de um documentário e clipe com imagens da catástrofe e depoimentos de quem sofreu diretamente as consequências da inundação que não poupou homens, mulheres e animais.

“No documentário que acompanha o lançamento, além da família do Rafael, aparece mais um casal e uma amiga de Canoas que viveram a tragédia e falaram sobre o assunto”, explica Homero.

A ideia da banda, no entanto, não é continuar a trabalhar em cima dos eventos do ano passado, criando um álbum sobre o assunto. Formada em 2016, a Diokane mira um futuro com novas músicas, mas sem permanecer refém do passado temática e estilisticamente.

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“Fizemos esse som porque estava todo mundo perturbado com o que rolou. E, no processo, foi aparecendo situações em que percebemos que seria legal dar voz a quem foi atingido diretamente”, revela o vocalista.

Por que o cheiro?

Descrever a percepção olfativa do que se sentiu durante e após a enchente é uma tarefa complexa. Para a presidente da Fundação Gaia, a bióloga Lara Lutzenberger (filha do ambientalista José Lutzenberger), houve um agravamento substancial do odor relacionado à catástrofe. A razão é a mistura tóxica e pestilenta com todo o tipo de lixo e materiais perigosos que as águas encontraram no caminho.

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“Na enchente dos anos 1940, não havia nada disso, e os danos se “limitaram” ao alagamento, sem ampla contaminação associada. Os componentes orgânicos que se misturaram no coquetel do ano passado, que também foram mais abundantes que em outras épocas – incluindo esgoto por falta de redes de saneamento adequadas – proliferaram algas e bactérias em grande quantidade. Isso se revelou no mau cheiro”, esclarece Lara.

O odor cessou conforme as estruturas que resistiram às chuvas foram secando e sendo limpas, mas as marcas do pé-d’água descomunal permanecem. Não apenas nas paredes ainda encardidas com as indicações da altura em que a inundação chegou, como também na memória de quem sofreu com a força da natureza. Essas recordações estão registradas em “Cheiro de Enchente”.

Saiba mais

Agrupada desde 2016, a Diokane faz um cruzamento de referências do punk/hardcore e do metal que não se atém a classificações tradicionais de música pesada. É cria sem raça definida de gente que curte Napalm Death, Ratos de Porão, Circle Jerks, Snot, Rotting Christ, Ramones, Strife, Motörhead, Converge, Sepultura, Sarcófago, The Stooges e Racionais MC’s.

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A banda lançou no fim de 2018 o primeiro EP intitulado “This Is Hell We Shall Believe.” São cinco faixas e mais uma intro que têm como base o hardcore, mas que passeiam pelo death, thrash, grind, black metal e punk rock. A mistura sonora ganha o ouvinte pela naturalidade com que é costurada durante os pouco mais de 10 minutos do registro.

Diokane, vale dizer, vem da expressão em italiano (dio cane), que quer dizer “Deus cão”, um xingamento bastante comum utilizado quando algo deu errado ou não saiu como o esperado, tal qual o popular “porco dio” escutado no interior e, em especial, nas cidades com colonização italiana.

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Confira o som: https://onerpm.link/453007443592

Assista o clipe: https://youtu.be/2lmQsF3PE1E

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