Um documentário que reúne identidade, cultura germânica e história em gravações sobre os imigrantes alemães que vieram ao Brasil em 1824. A terceira edição do documentário Hiwwe wie Driwwe, intitulada Dehäm – Pälzer nos Pampas, traz à tona as similaridades e diferenças entre as culturas alemã, brasileira e americana, e os dialetos germânicos utilizados em cada um dos países.
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Foto: Amanda Krohn/Especial
Após a gravação das duas primeiras edições na Alemanha e nos Estados Unidos, o ator, produtor cultural e diretor da Curto Arte (Companhia de Teatro de Dois Irmãos), Carlos Alberto Klein (conhecido como Betinho), traz a produção ao Brasil com a produtora Cinewa.
“Em 2019 eu estive na Alemanha fazendo show, então encontrei essa produtora e estamos aqui juntando os americanos, os alemães e os brasileiros dentro do mesmo dialeto que está há mais de 300 anos em evidência”, diz.
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“Nós já gravamos em Dois Irmãos, Morro Reuter, Santa Cruz do Sul, Santa Maria do Herval, entre Rios do Paraná, Blumenau (Santa Catarina). O foco principal é essa pesquisa sobre o dialeto, que a gente vê as palavras que a gente fala, que nos Estados Unidos se fala…”, continua, acrescentando que o projeto deve seguir ainda para o Paraguai e diversos outros países.
A previsão é que a obra seja lançada até o ano de 2027. Neste sábado (4), as gravações foram realizadas em Santa Maria do Herval, onde o elenco aprendeu a fazer Spritzbeer e melado com moradores da região.
Incentivo ao aprendizado cultural e resgate identitário
Betinho comenta que, com o passar das décadas, o número de falantes do idioma reduziu, embora o turismo da região tenha influenciado de forma positiva. “Acho que o que mais fez com que as pessoas parassem de falar foi o fato de que, quando se saía do interior para estudar na universidade, tinha-se muita vergonha”, pondera.
“As pessoas riam da gente, por volta dos anos 70, e o pior foi nos anos 80, porque diziam ‘é uma vergonha vocês falarem alemão, vocês estão no Brasil, não falem alemão’”, prossegue.
O diretor da obra, o alemão Benjamin Wagener, relatou a experiência da equipe no país e o trabalho que foi realizado no sábado (4), em Santa Maria do Herval. “Estamos falando com muitas pessoas, fazendo entrevistas e mostrando que ainda existe herança e cultura alemã até hoje”, afirma.
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“De manhã, as crianças nos ensinaram a fazer Spritzbeer, e nós provamos, e agora elas nos ensinaram a fazer melado. Nós achamos ótimo que muitas pessoas ainda falam o dialeto, e claro, muitas pessoas mais velhas falam, mais do que as mais novas”, completa.
O americano Doug Madenford, um dos atores, descreve o trabalho e as vivências que vêm com a obra. “Este é o terceiro documentário que nós fazemos juntos, os primeiros dois foram sobre os falantes de alemão nos Estados Unidos, do dialeto que surgiu há 300 anos, do alemão original, e agora estamos no Brasil, contando a história sobre os alemães que vieram aqui há 200 anos”, diz.
“O que é realmente legal é que estamos encontrando semelhanças entre o dialeto que eu digo, na Pensilvânia, e o que a gente fala aqui no Brasil. Temos palavras que compartilhamos no alemão neste dialeto, o que me fascina, porque a maioria dos americanos não faz ideia de que há falantes de alemão no Brasil”, finaliza.
O terceiro da série
Dehäm – Pälzer nos Pampas é o terceiro filme de uma série de documentários sobre o dialeto germânico. Neste, as equipes procuram regiões de língua alemã, ilhas linguísticas e pontes culturais. Seu foco está no que conecta pessoas através dos continentes: o sentimento de lar.
A obra busca responder à pergunta: “como a língua sobreviveu através do Atlântico por gerações?”.
A primeira edição, de 2019, explorava o uso do idioma germânico na Pensilvânia. Conforme a sinopse disponibilizada no site oficial, Hiwwe wie Driwwe “é uma história sobre a língua, o lar e o que resta quando as pessoas emigram. A primeira parte da série documental nos leva em busca de vestígios da região do Palatinado, na Alemanha, até a Pensilvânia (EUA).”
A segunda edição, Hiwwe wie Driwwe Zwää, de 2024, foi gravada nos Estados Unidos. A sinopse descreve que “músico Monji El Beji viaja para a Pensilvânia como nativo do Palatinado e redescobre o dialeto do Palatinado em um país estrangeiro.”
Já na terceira edição, a equipe busca por pistas na América do Sul.