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CENTRAL DE VERÃO

Impasse sobre construção de nova ponte entre Tramandaí e Imbé atravessa verões, mas segue sem solução

Expectativa é que um novo projeto atendendo as exigências ambientais seja apresentado ainda no primeiro semestre de 2026

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 11/01/2026 às 15h:49 Última atualização: 11/01/2026 às 15h:54
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Ano começa, ano termina, e o problema permanece o mesmo. A cada alta temporada, quando o litoral norte recebe milhares de veranistas, ressurge a discussão sobre a necessidade de uma nova ponte ligando Tramandaí e Imbé.

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Separados pelo canal do Rio Tramandaí, os dois municípios dependem hoje exclusivamente do complexo de pontes Giuseppe Garibaldi (RS-786) para a travessia de veículos, uma estrutura antiga, estreita e insuficiente para a atual demanda.

Necessidade de construção de nova ponte sobre o canal do Rio Tramandaí volta todos os anos durante a alta temporada | abc+



Necessidade de construção de nova ponte sobre o canal do Rio Tramandaí volta todos os anos durante a alta temporada

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

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Nos horários de pico, especialmente no turno da noite e em datas como Natal, ano novo, carnaval e feriados prolongados, o cenário se repete. Filas quilométricas e motoristas que chegam a levar quase uma hora, ou mais, para atravessar de um município ao outro. O transtorno afeta nativos ou quem visita os municípios litorâneos, impactando diretamente a mobilidade.

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A comerciante Fiama Simonette, 33 anos, moradora de Sapiranga, mas que veraneia em Imbé há 15 anos, relata que a situação piora a cada temporada. Segundo ela, nos períodos festivos, a travessia se torna praticamente inviável. “No momento de pico, não tem quase como atravessar. Tu leva uma hora, às vezes quase duas, para passar da ponte”, relata.

Fiama Simonette conta que leva de uma a duas horas para atravessar a ponte nos horários de pico na alta temporada | abc+



Fiama Simonette conta que leva de uma a duas horas para atravessar a ponte nos horários de pico na alta temporada

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

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Além do congestionamento, Fiama chama atenção para os riscos no local. “Ali passa muito carro, muito pedestre, e também tem os pescadores, inclusive crianças que gostam de pescar. É um ponto perigoso. Enquanto não tiver uma solução, vai ser cada vez pior”, afirma.

Ela conta que, justamente por isso, passou a evitar o litoral nos períodos mais movimentados. “Eu, particularmente, já desisti de vir final de ano para cá”, sublinha.

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Morador de Imbé, o pedreiro Ivanio Moreira de Brum diz que o tema da nova ponte é antigo e cercado de frustração | abc+



Morador de Imbé, o pedreiro Ivanio Moreira de Brum diz que o tema da nova ponte é antigo e cercado de frustração

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

A percepção é compartilhada por quem vive na cidade o ano inteiro. O pedreiro Ivanio Moreira de Brum, 54, nativo de Imbé, diz que o tema da nova ponte é antigo e cercado de frustração. “Esse projeto já tem há muitos anos, sempre foi promessa e nunca acontece. Seria muito bom, mas não querem aprovar. É insuportável sair daqui e atravessar a ponte”, declara.

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Para o aposentado João Alves de Souza, 74 anos, morador de Porto Alegre que veraneia em Imbé, a travessia nos horários de pico é “praticamente impossível”. “Às vezes a gente leva mais de uma hora para atravessar. Enquanto não fizerem a nova ponte, vai ser sempre esse inferno. Eu veraneio em Imbé e procuro não ir a Tramandaí nessa época, porque não tem como”, garante.

Aposentado João Alves de Souza garante qye a travessia nos horários de pico é "praticamente impossível" | abc+



Aposentado João Alves de Souza garante qye a travessia nos horários de pico é “praticamente impossível”

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

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Projeto está travado há pelo menos uma década

A discussão sobre a construção de uma nova ponte entre Tramandaí e Imbé se arrasta há pelo menos dez anos. O projeto ganhou força quando o Governo do Estado, por meio do Programa Avançar, firmou um convênio com a Prefeitura de Imbé, garantindo cerca de R$ 40 milhões para a obra. A execução, no entanto, nunca saiu do papel.

Desde então, o principal entrave tem sido a questão ambiental. Estudos apontaram que o projeto inicial poderia causar impactos significativos no canal do Rio Tramandaí, uma área sensível, marcada pela presença de pescadores artesanais e pela interação entre a pesca e os botos, um dos símbolos do litoral.

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Novo projeto de ponte estaiada deve ser apresentado neste semestre

Diante disso, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) passou a exigir alterações no formato da ponte. A alternativa de uma ponte suspensa, sem pilares no leito do rio, foi a solução encontrada, mas a proposta acabou esbarrando em limitações técnicas.

A solução de ponte estaiada que hoje está em análise prevê um novo desenho, com redução do vão de 130 metros para 100 metros, e intervenções mínimas nas margens do canal, o que elevaria o custo total da obra para cerca de R$ 80 milhões.



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Apesar do aumento no valor, há a avaliação de que o aporte financeiro não seria o principal problema, já que o Estado poderia complementar os recursos. O impasse segue concentrado na adequação ambiental do projeto e na tramitação das licenças necessárias. A expectativa é que um novo projeto atendendo as exigências ambientais seja apresentado ainda no primeiro semestre de 2026.

Caberá à Fepam analisar esse projeto e, assim, atualizar a licença prévia de construção emitida ainda em dezembro de 2024.

“Se a gente continuar com essa dificuldade de trânsito, a região não avança”

Prefeito de Imbé e principal articulador do projeto, Luis Henrique Vedovato, o Ique, afirma que a obra é fundamental não apenas para Imbé, mas para toda a região. Segundo ele, as pontes atuais não suportam mais o volume e o peso dos veículos que circulam entre os dois municípios.

“Hoje existe um grande problema de engarrafamento em praticamente todos os feriados e finais de semana mais movimentados. As pontes que estão ali não conseguem comportar o fluxo de veículos”, afirma.

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Ique reforça que a construção de uma nova ponte é estratégica para o desenvolvimento econômico e urbano do litoral norte. “É uma obra extremamente importante. Se a gente continuar com essa dificuldade de trânsito, a região não avança. Isso impacta o turismo, o comércio, a geração de emprego e a qualidade de vida”, pondera.

prefeito de Imbé, Ique Vedovato | abc+



prefeito de Imbé, Ique Vedovato

Foto: Prefeitura Imbé/Divulgação

O prefeito reconhece que o tema se tornou sensível e pouco debatido publicamente nos últimos anos. Segundo ele, cada avanço no projeto costuma gerar novos obstáculos, o que acabou levando a um silêncio institucional em torno do assunto. Ainda assim, reforça que a busca por uma solução continua.

Reclamações e a necessidade de uma nova ponte ligando Tramandaí a Imbé

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Tramandaí informou que acompanha a situação, mas destacou que o projeto é de responsabilidade da Prefeitura de Imbé, que lidera o convênio com o Estado. Por conta disso, optou não se manifestar sobre o andamento ou os entraves da obra.

O Daer (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem), que é responsável por validar a obra já que se trata de uma rodovia estadual, também não comentou o estágio atual do projeto, e limitou informar que se trata de um convênio firmado entre o município de Imbé e o Governo do Estado, cabendo à prefeitura a execução e os encaminhamentos técnicos.

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