Ano começa, ano termina, e o problema permanece o mesmo. A cada alta temporada, quando o litoral norte recebe milhares de veranistas, ressurge a discussão sobre a necessidade de uma nova ponte ligando Tramandaí e Imbé.
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Separados pelo canal do Rio Tramandaí, os dois municípios dependem hoje exclusivamente do complexo de pontes Giuseppe Garibaldi (RS-786) para a travessia de veículos, uma estrutura antiga, estreita e insuficiente para a atual demanda.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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Nos horários de pico, especialmente no turno da noite e em datas como Natal, ano novo, carnaval e feriados prolongados, o cenário se repete. Filas quilométricas e motoristas que chegam a levar quase uma hora, ou mais, para atravessar de um município ao outro. O transtorno afeta nativos ou quem visita os municípios litorâneos, impactando diretamente a mobilidade.
A comerciante Fiama Simonette, 33 anos, moradora de Sapiranga, mas que veraneia em Imbé há 15 anos, relata que a situação piora a cada temporada. Segundo ela, nos períodos festivos, a travessia se torna praticamente inviável. “No momento de pico, não tem quase como atravessar. Tu leva uma hora, às vezes quase duas, para passar da ponte”, relata.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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Além do congestionamento, Fiama chama atenção para os riscos no local. “Ali passa muito carro, muito pedestre, e também tem os pescadores, inclusive crianças que gostam de pescar. É um ponto perigoso. Enquanto não tiver uma solução, vai ser cada vez pior”, afirma.
Ela conta que, justamente por isso, passou a evitar o litoral nos períodos mais movimentados. “Eu, particularmente, já desisti de vir final de ano para cá”, sublinha.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
A percepção é compartilhada por quem vive na cidade o ano inteiro. O pedreiro Ivanio Moreira de Brum, 54, nativo de Imbé, diz que o tema da nova ponte é antigo e cercado de frustração. “Esse projeto já tem há muitos anos, sempre foi promessa e nunca acontece. Seria muito bom, mas não querem aprovar. É insuportável sair daqui e atravessar a ponte”, declara.
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Para o aposentado João Alves de Souza, 74 anos, morador de Porto Alegre que veraneia em Imbé, a travessia nos horários de pico é “praticamente impossível”. “Às vezes a gente leva mais de uma hora para atravessar. Enquanto não fizerem a nova ponte, vai ser sempre esse inferno. Eu veraneio em Imbé e procuro não ir a Tramandaí nessa época, porque não tem como”, garante.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Projeto está travado há pelo menos uma década
A discussão sobre a construção de uma nova ponte entre Tramandaí e Imbé se arrasta há pelo menos dez anos. O projeto ganhou força quando o Governo do Estado, por meio do Programa Avançar, firmou um convênio com a Prefeitura de Imbé, garantindo cerca de R$ 40 milhões para a obra. A execução, no entanto, nunca saiu do papel.
Desde então, o principal entrave tem sido a questão ambiental. Estudos apontaram que o projeto inicial poderia causar impactos significativos no canal do Rio Tramandaí, uma área sensível, marcada pela presença de pescadores artesanais e pela interação entre a pesca e os botos, um dos símbolos do litoral.
Novo projeto de ponte estaiada deve ser apresentado neste semestre
Diante disso, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) passou a exigir alterações no formato da ponte. A alternativa de uma ponte suspensa, sem pilares no leito do rio, foi a solução encontrada, mas a proposta acabou esbarrando em limitações técnicas.
A solução de ponte estaiada que hoje está em análise prevê um novo desenho, com redução do vão de 130 metros para 100 metros, e intervenções mínimas nas margens do canal, o que elevaria o custo total da obra para cerca de R$ 80 milhões.
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Apesar do aumento no valor, há a avaliação de que o aporte financeiro não seria o principal problema, já que o Estado poderia complementar os recursos. O impasse segue concentrado na adequação ambiental do projeto e na tramitação das licenças necessárias. A expectativa é que um novo projeto atendendo as exigências ambientais seja apresentado ainda no primeiro semestre de 2026.
Caberá à Fepam analisar esse projeto e, assim, atualizar a licença prévia de construção emitida ainda em dezembro de 2024.
“Se a gente continuar com essa dificuldade de trânsito, a região não avança”
Prefeito de Imbé e principal articulador do projeto, Luis Henrique Vedovato, o Ique, afirma que a obra é fundamental não apenas para Imbé, mas para toda a região. Segundo ele, as pontes atuais não suportam mais o volume e o peso dos veículos que circulam entre os dois municípios.
“Hoje existe um grande problema de engarrafamento em praticamente todos os feriados e finais de semana mais movimentados. As pontes que estão ali não conseguem comportar o fluxo de veículos”, afirma.
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Ique reforça que a construção de uma nova ponte é estratégica para o desenvolvimento econômico e urbano do litoral norte. “É uma obra extremamente importante. Se a gente continuar com essa dificuldade de trânsito, a região não avança. Isso impacta o turismo, o comércio, a geração de emprego e a qualidade de vida”, pondera.

Foto: Prefeitura Imbé/Divulgação
O prefeito reconhece que o tema se tornou sensível e pouco debatido publicamente nos últimos anos. Segundo ele, cada avanço no projeto costuma gerar novos obstáculos, o que acabou levando a um silêncio institucional em torno do assunto. Ainda assim, reforça que a busca por uma solução continua.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Tramandaí informou que acompanha a situação, mas destacou que o projeto é de responsabilidade da Prefeitura de Imbé, que lidera o convênio com o Estado. Por conta disso, optou não se manifestar sobre o andamento ou os entraves da obra.
O Daer (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem), que é responsável por validar a obra já que se trata de uma rodovia estadual, também não comentou o estágio atual do projeto, e limitou informar que se trata de um convênio firmado entre o município de Imbé e o Governo do Estado, cabendo à prefeitura a execução e os encaminhamentos técnicos.