Três Coroas voltou a mostrar, neste sábado (27), por que é considerada uma referência quando o assunto é acessibilidade e inclusão. Durante todo o dia, a Praça Francisco Leal recebeu a primeira edição dos Jogos Inclusivos, evento que reuniu mais de 150 participantes, entre pessoas com deficiência, voluntários e integrantes de entidades sociais.
A programação foi variada, com competições e atividades abertas ao público, reforçando a ideia de que o esporte pode ser uma poderosa ferramenta de integração.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Entre as competições estiveram a rústica e a rústica de revezamento, a bocha inclusiva e o rafting adaptado, que encerrou o dia com a descida de quatro equipes pelo Rio Paranhana. Além disso, houve atividades demonstrativas, como handbike, arco e flecha adaptado, ping pong adaptado e bocha paralímpica, que podiam ser experimentadas livremente por quem quisesse participar.
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Projeto-piloto para ser replicado em outros municípios
De acordo com Gabriel Feiten, vice-presidente da Associação de Pessoas com Deficiência de Três Coroas (APDAF) e presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, o objetivo foi trazer a inclusão para o espaço urbano e criar um modelo que possa ser replicado em outros municípios da região.
“A ideia dos Jogos Inclusivos é que não seja um evento isolado. Queremos multiplicar essa experiência em cidades vizinhas, aproveitando as potencialidades de cada lugar. Três Coroas tem o rafting, mas Novo Hamburgo, por exemplo, pode realizar competições de natação. Já Campo Bom pode apostar no atletismo. Nossa meta é construir um calendário que envolva diferentes cidades e culmine no Campeonato Acessível, que acontece em março”, destaca.
Dia de experiências inéditas para participantes
O impacto do evento pôde ser medido pelas respostas participantes. A ONG Somos um Só, de Novo Hamburgo, levou 15 integrantes para prestigiar os Jogos. Entre eles, Amanda Bender, 44 anos, deficiente visual há nove anos após uma meningite, que participou pela primeira vez de atividades esportivas adaptadas.
“Eu me senti livre, capaz de fazer algo que não imaginava mais. Experimentei corrida, bocha e bicicleta acessível. Foi incrível pedalar com as mãos e sentir o vento no rosto. Quero repetir essa experiência muitas vezes”, conta.
O rafting adaptado também proporcionou momentos de superação. O morador de Igrejinha, Cleiton Cleberson da Silva, 31 anos, desceu o rio pela primeira vez e descreveu a aventura como inesquecível. “Foi maravilhoso, não tem coisa melhor para fazer num fim de semana. O pessoal ajuda, dá segurança e logo a gente perde o medo. Já quero repetir a dose”, relata.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Além das provas, a programação incluiu feira de artesanato e praça de alimentação, transformando a Praça Francisco Leal em um espaço de convivência para pessoas com e sem deficiência. A proposta, segundo os organizadores, foi justamente promover um dia de lazer acessível a todos, reforçando o protagonismo de Três Coroas em políticas inclusivas.