A violência contra a mulher tem sido o maior desafio na área da segurança pública no Rio Grande do Sul. Somente em janeiro deste ano foram 11 feminicídios no Estado, dois a mais que no primeiro mês do ano passado. Ao longo de todo 2025 foram 80 feminicídios, 10% a mais que as 73 mortes registradas por questão de gênero em 2024.

Foto: Ruan Nascimento/Especial
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, na área do projeto Nossa Comunidade cinco mulheres foram vítimas de feminicídio no ano passado: duas em Parobé, uma em Riozinho duas em Três Coroas. Com o objetivo de reduzir este crime e outros tipos de violência contra a mulher na região, a Brigada Militar iniciou os trabalhos da Patrulha Maria da Penha. O lançamento foi no último dia 26, em Igrejinha.
O trabalho será implementado em cinco cidades do Vale do Paranhana: Três Coroas, Igrejinha, Taquara, Rolante e Riozinho. A Patrulha Maria da Penha busca ampliar a proteção das mulheres que estão sob medida protetiva, através de visitas periódicas dos agentes e com rondas de monitoramento para garantir que os suspeitos de agressão não se aproximem delas. A iniciativa integra as ações de proteção com base na Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em 2026.
“Será um importante trabalho de fiscalização, como a lei prevê, em parceria com o Poder Judiciário, Ministério Público e assistência social dos municípios. É uma medida excelente, pois há muita reincidência de casos de violência contra a mulher”, salienta o major Gabriel Damásio, comandante da 2ª Companhia Independente da Brigada Militar.
Sala Lilás
Além do lançamento da Patrulha Maria da Penha, a Brigada Militar de Igrejinha também inaugurou no último dia 26 sua Sala Lilás. O espaço passa a ser usado para o acolhimento temporário de mulheres vítimas de violência e que precisam ser retiradas de suas residências para reduzir a incidência de casos mais graves. O local conta com camas, sofás, uma mesa de escritório e um armário com brinquedos, para o caso de as vítimas terem filhos pequenos.
Mobilização do poder público
A unidade da Brigada Militar em Igrejinha vai servir de base para a nova Patrulha Maria da Penha na região. De acordo com o prefeito em exercício, Juliano Müller, o serviço era uma demanda da Associação dos Municípios do Vale do Paranhana (Ampara).
“Isso também mostra a conexão da nossa polícia no conceito de policiamento comunitário, que faz a leitura dos serviços mais essenciais de atendimento na nossa região. E, a partir da identificação de casos de violência contra a mulher, nos mobilizamos para garantir este patrulhamento da Lei Maria da Penha”, explica.
Ao ressaltar a importância desta frente de trabalho, a prefeita de Taquara, Sirlei Silveira, destacou que a região ficará mais fortalecida na proteção das mulheres vítimas de violência. “Nós já temos uma cooperação com a Brigada Militar e agora vamos ter um olhar muito mais intenso e mais direcionado a esta mulher, que sofre em silêncio e, muitas vezes, morre por não ter coragem de buscar auxílio. É uma ação que vem para fortalecer nossos municípios”, frisa.
O Judiciário também integra a rede de apoio para os atendimentos. A juíza Renata Dumont Peixoto Lima, da 2ª Vara Judicial de Igrejinha, é responsável pelos atendimentos da Lei Maria da Penha no município. Ela reforça que a iniciativa amplia o trabalho de cuidado com as vítimas, pois o patrulhamento trará novas informações a cada visita realizada. “Nós temos que cuidar dessa vítima de ponta a ponta. A partir do momento em que ela decide romper o ciclo de violência e procura as autoridades, é para ser acolhida, receber atendimento e efetivar o direito de restabelecer a sua dignidade, a sua integridade física e psíquica.”