“Perdi a visão, mas nunca a vontade pela aventura”, a frase é de Fábio Oliveira, morador de Porto Alegre. Deficiente visual, ele participou na tarde de quarta-feira (14) de um voo livre promovido pela AGVL (Associação Gaúcha de Voo Livre) no Morro Ferrabraz, em Sapiranga.
Oliveira, que também pratica outros esportes, afirma que sempre foi um esportista e perder a visão não deixou que seus sonhos ficassem para trás. “Não é só correr, vamos voar também. Era um sonho e estou realizando”, reforça.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
A participação foi possível graças ao projeto desenvolvido pela AGVL como contrapartida social do Programa Pró-Esporte, da Secretaria Estadual do Esporte e Lazer (SEL). Chegando em sua quinta edição, essa é a primeira vez que pessoas com deficiência. “Os participantes ficaram bem empolgados”, explica o presidente da Associação, Alex Trombini.
Para o evento desta semana, mais pilotos da região estiveram presentes para auxiliar na instrução dos voos. “Contamos com esse apoio especialmente no momento da decolagem, para conseguir chegar na velocidade de alçar voo”, salienta.
Além de Fábio Oliveira, a experiência de um voo livre também foi novidade para outros participantes. Morador de Sapiranga, Henrique Schnedeke, 30 anos, perdeu o movimento das pernas após um acidente de carro em 2012, mas sempre teve o sonho de voar. “Me limitaram de andar, não de voar. A experiência vou descobrir.”

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Ele afirma que a oportunidade surgiu de um dia para o outro e não pensou duas vezes na hora de aceitar. “Já queria ter saltado de paraquedas uma vez. Havia organizado tudo, mas na hora não deu certo, acho que vai ser uma experiência incrível e única.”
A ligação com o Morro Ferrabraz também é de longa data, já que mora em Sapiranga. “A gente vê desde cedo o pessoal voando ao redor do morro, de parapente, asa delta. Então a vontade era ainda maior.”
E Henrique teve que segurar ainda mais a ansiedade, já que as condições do vento não eram as mais apropriadas. Os instrutores precisaram esperar e trocar de rampa ao menos das vezes antes do voo. No entanto, a emoção já tomava conta ao ver os colegas no ar. “É incrível”, completa.
Grupo de basquete em cadeira de rodas se junto para voar e se apoiar nas quadras e no céu
A equipe Basquetchê de Novo Hamburgo, que pratica o basquete em cadeira de rodas, se reuniu para se apoiar também no céu do Vale do Sinos. Adilson Franck, 43 anos, considerado a estrela do time pelos colegas, sempre foi um frequentador assíduo do Morro Ferrabraz e se imaginou diversas vezes voando. “Mas não tão próximo assim, entende? Fiquei muito empolgado com a oportunidade, emocionante o vento batendo na cara. Deve ser massa demais”, afirmou.
Evandir Rocha também se mostrou empolgado com a chance, já que tinha vontade de praticar o voo livre antes do acidente que o deixou sem o movimento nas pernas. “Agora vai ser diferente, mas feliz pela oportunidade. Não imaginava que depois do acidente, em uma cadeira de rodas, poderia saltar e voar.”
O responsável por reunir o time foi Sidnei de Lima, 42 anos, morador de Novo Hamburgo. “Já tinha pensado em voar antes, mas nunca pensei que isso seria possível e que teríamos esse convite.” O grupo que pratica outros esportes, diz que a adrenalina foi o que mais motivou todos a participar. “Dá um pouco de medo, um friozinho na barriga, mas vamos lá.”

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Maicon Fraga Brunner, 39 anos, estava acompanhado da esposa e foi o primeiro da equipe a voar. Ele não escondeu a satisfação ao passar por todos ainda no céu de Sapiranga, gritando aos parceiros de vida, esporte e time. Antes, reiterou estar vivendo um sonho. “Só agradecer a AGVL.”
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