Um estudo pioneiro sobre neoplasias histiocíticas, um tipo de câncer raro e ainda pouco compreendido, desenvolvido pela Mayo Clinic, de Rochester, Minnesota, nos Estados Unidos, considerado recentemente como o melhor hospital do mundo pela revista Newsweek, tem a participação de uma jovem médica leopoldense.

Foto: Acervo Pessoal
Formada em Medicina pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Carla Isabel Borré, 25 anos, faz residência em Clínica Médica na Mayo Clinic, em Rochester, desde o ano passado. A unidade de Rochester, segundo Carla, é a principal da Mayo Clinic e concentra uma ampla gama de especialidades, com um foco muito forte tanto em excelência clínica quanto em pesquisa.
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Lá, desde o ano passado, Carla realiza um estudo internacional, cujo objetivo é comparar dois tipos de tratamento para um câncer raro que afeta células do sistema imunológico: a quimioterapia tradicional, geralmente feita por tempo limitado, e as chamadas terapias-alvo, medicamentos modernos que agem diretamente nas alterações genéticas da doença e costumam ser usados por tempo prolongado. A pesquisa realizada por Carla foi apresentada, em maio, no Simpósio Médico da Erdheim-Chester Disease Global Alliance, em Barcelona.
“Estamos conduzindo esse estudo em parceria com outras instituições dos Estados Unidos, além de centros no Japão e na China. Os resultados preliminares apresentados em Barcelona mostram que os dois tratamentos têm eficácia semelhante em termos de controle da doença”, comenta a médica.
“Isso é importante porque, além da questão clínica, as terapias-alvo são muito mais caras e, em muitos países, ainda não estão amplamente disponíveis. Nosso estudo pode ajudar médicos e pacientes a tomarem decisões mais conscientes sobre o tratamento quando tivermos os resultados finais, considerando não só a eficácia, mas também os efeitos colaterais, o custo e o acesso aos medicamentos”, explica.
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Carla conta que desde o início de sua trajetória na Medicina, sempre se sentiu muito tocada pelas histórias de pacientes com câncer. “Especialmente durante ações como o Careca Amiga, ainda na graduação, em que crianças com câncer raspavam o cabelo dos calouros de medicina, ajudando a quebrar estigmas. Isso aconteceu como parte da minha participação na Liga do Câncer da UFCSPA, da qual tive a honra de ser presidente por um tempo”, diz.
“Ao longo dos anos, essa motivação só cresceu. Escolhi focar nesses cânceres raros justamente porque eles desafiam o conhecimento médico atual e têm grande impacto na vida dos pacientes. Senti que havia uma lacuna importante de informações sobre essas doenças, e que eu poderia contribuir para trazer mais evidência científica a esse campo”, completa.
Nos Estados Unidos, Carla diz ter uma rotina bastante variada, mas que, em geral, envolve atendimento a pacientes hospitalizados ou em consultas, discussões clínicas com preceptores e equipe multidisciplinar, além de plantões.
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“Também reservo tempo para atividades acadêmicas, como leitura de artigos, ensino entre residentes e estudantes de medicina, participação em comitês. Atualmente, faço parte da liderança de um comitê de bem-estar dos residentes e de outro voltado à discussão das experiências durante o treinamento. Além disso, me dedico a projetos de pesquisa, com foco principalmente em cânceres do sangue”, conta.
Contribuição para a saúde no Brasil
Carla, que cresceu no bairro São Borja, diz ter um carinho especial pelo Rio Grande do Sul e por sua cidade natal. “Independentemente de onde eu esteja no futuro, quero manter uma conexão forte com o Brasil e contribuir de alguma forma para a saúde e a ciência no país”, diz. A médica destaca, ainda a importância da experiência no exterior e na pesquisa inédita para a sua carreira.
“A residência na Mayo Clinic me proporciona uma formação clínica extremamente sólida, com acesso a profissionais de referência mundial e casos clínicos desafiadores. Já a pesquisa me ensina a olhar para a medicina com um olhar mais crítico e investigativo, buscando soluções baseadas em evidência e colaborando com cientistas de diferentes países”, comenta.
“Acredito que essas experiências estão me ajudando a me tornar uma médica mais completa, com uma base científica forte, mas sempre com foco no cuidado humano e centrado no paciente. O lema da Mayo é ‘As necessidades do paciente vêm em primeiro lugar’, frisa.