O mel de abelhas nativas sem ferrão produzido em Sapiranga, no Vale do Sinos, passou a contar com envase em uma empresa credenciada com o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), o que permite sua comercialização em todo o território nacional.
A certificação, vinculada ao Ministério da Agricultura, é obtida após uma série de exigências sanitárias e de qualidade.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
O mel de abelhas nativas sem ferrão produzido em Sapiranga, no Vale do Sinos, passou a contar com envase em uma empresa credenciada com o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), o que permite sua comercialização em todo o território nacional. A certificação, vinculada ao Ministério da Agricultura, é obtida após uma série de exigências sanitárias e de qualidade.
Produzido pelo Meliponário Gonchoroski, o mel das espécies Jataí e Canudo precisa ser encaminhado até Santa Catarina para o envase, já que não há, no Rio Grande do Sul, entrepostos habilitados com SIF para esse tipo específico de produto.
Segundo o produtor, Marcos Gonchoroski, o processo exige uma logística rigorosa. O mel é transportado congelado, dentro das normas sanitárias, passa por análises microbiológicas e físico-químicas e, depois, é envasado e rotulado em estrutura credenciada. Após essa etapa, retorna ao Estado pronto para a comercialização.
O rigor inclui controle de temperatura, rastreabilidade e cumprimento de boas práticas de produção. Isso ocorre porque o mel de abelhas sem ferrão possui características diferentes do mel convencional, o que exige cuidados adicionais durante todo o processo.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
O que diferencia o mel de abelhas sem ferrão
Ao contrário do mel tradicional, produzido por abelhas do gênero Apis mellifera, o mel das abelhas nativas sem ferrão tem composição distinta. Ele é mais líquido, apresenta maior acidez e possui teor de umidade mais elevado, o que o torna mais sensível à fermentação.
Essas características também influenciam no sabor, geralmente mais suave e levemente ácido, além de aroma mais complexo. Por conta disso, o produto costuma ser considerado mais delicado e, em alguns casos, mais valorizado.
O meliponicultor Gonchoroski garante que esse tipo de mel pode apresentar propriedades antioxidantes e potencial antimicrobiano, embora seu uso deva ser avaliado dentro de uma alimentação equilibrada.
Outro fator que impacta diretamente no valor é a produtividade. Enquanto colmeias de abelhas com ferrão podem produzir dezenas de quilos por safra, espécies como a jataí geram, em média, cerca de um quilo por ano. “Em outras espécies, a produção pode chegar a três ou quatro quilos anuais, dependendo das condições ambientais”, diz Gonchoroski.
Educação ambiental e preservação
Além da produção, o meliponário também atua na área de educação ambiental. Em parceria com iniciativas como o Meliponário Mirim de Gravataí, desenvolve projetos em escolas e espaços públicos para conscientização sobre a importância das abelhas nativas.
“Essas espécies desempenham papel fundamental na polinização de plantas nativas e na manutenção da biodiversidade, sendo consideradas essenciais para o equilíbrio ambiental”.
Nessas atividades, ocorrem visitas em escolas com caixas de abelhas sem ferrão, onde estudantes conhecem de perto as propriedades dessa do mel dessa abelha.