abc+

DADOS SOBRE O TEMPO

Volta do El Niño preocupa RS: Monitoramento segue precário em cidades afetadas pela enchente

Estado investiu em estações meteorológicas e hidrológicas, mas há lacunas, especialmente em cidades menores

Volta do El Niño preocupa RS: Monitoramento segue precário em cidades afetadas pela enchente
Publicado em: 05/06/2026 às 07h:00 Última atualização: 05/06/2026 às 11h:16
Publicidade

Com a previsão de mais um El Niño apenas dois anos após a maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul, o sistema de monitoramento estadual ainda enfrenta gargalos importantes.

Publicidade

Atualmente, a rede é composta por um mosaico de radares e estações meteorológicas administrado pelo poder público (nas esferas estadual e federal) e pela iniciativa privada.

Órgãos federais como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) são os responsáveis por grande parte do controle de eventos climáticos no país.

No Estado, estruturas da Sala de Situação da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), além de novos radares adquiridos recentemente pelo Piratini, estão incumbidos de checar áreas de risco.

Canoas é uma das cidades com sistema de monitoramento | abc+



Canoas é uma das cidades com sistema de monitoramento

Foto: Divulgação

Publicidade

Algumas regiões também podem ser monitoradas pelo Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro). Já na iniciativa privada, sensores de empresas agrícolas, concessionárias e cooperativas auxiliam no controle dos níveis de chuva.

Mesmo que não exista um apagão no sistema de monitoramento, há uma lacuna entre saber se vai chover, com a quantidade exata de chuva prevista para determinadas áreas. Pequenos e médios municípios que foram afetados nas últimas enchentes ainda não contam com equipes em tempo integral ou estrutura técnica para traduzir dados meteorológicos brutos.

O hiato estrutural mantém estas cidades dependentes do sistema estadual. Segundo o titular da Secretaria da Reconstrução (Serg), Pedro Capeluppi, o Estado está investindo R$ 177,7 milhões para a instalação de três novos radares de monitoramento meteorológico e geológico.

Publicidade

O objetivo é aumentar a precisão da previsão de eventos climáticos extremos. Somado a isso, foram investidos R$ 47,2 milhões na implementação e operação de 130 estações de monitoramento hidrometeorológico, cobrindo as 25 bacias hidrográficas do RS.

“Estes equipamentos vão refinar a previsão e o monitoramento que temos, qualificando a emissão de alertas da Defesa Civil à população”, completa o secretário estadual.

Publicidade

Mais de cem estações passam por processo de calibragem

As estações hidrológicas instaladas pelo Piratini contam com sensores de nível de rio e precipitação. Já as estações meteorológicas possuem sensores de vento, umidade, pressão atmosférica, temperatura e chuva.

Das 130 estações, 125 tiveram a instalação concluída. No entanto, apenas 13 estão operando em sua plenitude. Segundo o Estado, 112 estão passando por processos de calibragem. A expectativa é que sejam operacionalizadas antes da primavera, período previsto para atuação mais concentrada do El Niño.

A pequena quantidade de estações hidrológicas do Cemaden, essenciais para monitorar níveis de rios e chuvas, permitindo a previsão e prevenção de desastres naturais, como enchentes, também preocupa.

Publicidade

São apenas dez em todo o Rio Grande do Sul, sendo que duas estão ativadas:

  • São Lourenço do Sul
  • Teutônia

Na região dos Vales do Sinos, Caí e Gravataí, são seis estações:

Publicidade
  • Três Coroas
  • Igrejinha
  • São Sebastião do Caí
  • Novo Hamburgo
  • Sapucaia do Sul 
  • Cachoeirinha

Todas estão desativadas.

Os municípios de Santa Maria e Rosário do Sul possuem as outras duas instalações fora de operação.

Publicidade

Granpal se organiza

Alegando a amplitude dos alertas da Defesa Civil estadual e do Inmet, a Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal), está atuando para criar um sistema de monitoramento regional.

Diretor da Defesa Civil de Canoas e presidente do colegiado de Defesas Civis da Granpal, Vanderlei Marcos dá o exemplo das cidades de Porto Alegre e Canoas, onde sistemas próprios de monitoramento já são utilizados.

“Uma empresa presta assessoria climática olhando as bacias dos rios que desaguam aqui no Delta do Jacuí, na Praia do Paquetá (Canoas) e Lago Guaíba (Porto Alegre).”

Em Canoas, um servidor concursado que trabalhou sete anos no Inmet é o responsável por fazer o acompanhamento ao lado da empresa.

Entretanto, Marcos lembra que muitos municípios ainda não possuem esse sistema próprio. “Então, por meio da Granpal, levamos para os prefeitos essa possibilidade. Foi decidido que será disponibilizado um sistema de monitoramento do clima para aquelas cidades que não têm ainda a estrutura.”

O objetivo, segundo o profissional, é devolver tranquilidade à população. “Desde 2022 a nossa região está sofrendo com impactos do clima severo, como microexplosões e também com a última tragédia de 2024.”

Sicredi investe para ajudar no monitoramento na região

Desde 2025, o Sicredi Caminho da Águas passou a contribuir para que sete municípios passem a ter ao menos uma estação meteorológica: Rolante, Igrejinha, Taquara, Três Coroas, Maquiné, Parobé e Campo Bom.

A iniciativa possibilita que a Defesa Civil destas cidades possam ter à disposição equipamentos de alta tecnologia para a coleta e a divulgação de dados climáticos, servindo como aliados para prever e orientar as comunidades na prevenção de intempéries como tempestades, enchentes e secas.

A estação gera informações como pluviometria, direção do vento, umidade, pressão atmosférica e radiação solar.

Os equipamentos foram fornecidos pela Elysios Agricultura Inteligente, startup pioneira na área de inovação agrícola, com investimento pelo Sicredi.

As pessoas interessadas em acessar os dados de uma estação meteorológica podem entrar em contato com o suporte da Elysios pelo WhatsApp (54) 99630-5703 e informar que desejam obter acesso. No total, foram investidos R$ 189 mil na aquisição dos aparelhos.

Publicidade