O Ministério Público ingressou com recurso para aumentar as penas impostas aos dois homens condenados pelas mortes a tiros de um adolescente de 16 anos e de um jovem de 19 em um depósito de automóveis em Sapucaia do Sul. O crime ocorreu em março de 2023.

Foto: Divulgação
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Os réus foram condenados na quarta-feira (4) pelo Tribunal do Júri da comarca. O Conselho de Sentença acolheu integralmente a denúncia pelos dois homicídios duplamente qualificados e por duas ocultações de cadáver.
O julgamento teve início na manhã de terça-feira (3) e se estendeu por cerca de 26 horas. Conforme o veredito dos jurados, a juíza Greice Moreira Pinz fixou as penas em 16 anos e cinco meses de reclusão para Leopoldo Rausch Potter, então proprietário do estabelecimento, e em 15 anos e dois meses de reclusão para Tiago Moré Martins, funcionário no local. Ambos devem cumprir a pena inicialmente em regime fechado.
De acordo com o Ministério Público, o recurso apresentado tem como objetivo ampliar as penas aplicadas. Na avaliação da instituição, a gravidade dos crimes — que envolveram o emprego de meio cruel e a execução das vítimas pelas costas — justificaria uma sanção mais elevada do que a definida pelo Tribunal do Júri.
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Como ocorreu o júri
O júri teve início na manhã de terça-feira (3), quando foram ouvidas duas testemunhas de acusação. Os réus foram interrogados e responderam apenas a questões da magistrada e das próprias defesas, recusando perguntas da promotoria. O segundo dia foi iniciado com a fase de debates, com a exposição das teses acusatórias e defensivas, seguidas de réplica e tréplica.
Terceiro réu ainda será julgado
O terceiro réu, Rudimar da Silva Rosa, responde pelos mesmos crimes em processo que ainda aguarda o exame de recurso interposto pela defesa contra a sentença de pronúncia, que determinou que ele também será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Relembre o caso
Conforme a denúncia do MP, dois acusados, empregados do Centro de Remoção e Depósito de Veículos, e o terceiro denunciado responsável pelo estabelecimento, mataram as vítimas mediante disparos de arma de fogo após elas invadirem o local. Em seguida, envolveram as cabeças dos jovens com saco pretos e transportaram os corpos para um local ermo, onde foram posteriormente encontrados.
Ainda de acordo com a acusação, a primeira vítima foi morta com emprego de meio cruel, ao ser cercada na iminência da execução, e ambas foram atingidas com disparos efetuados pelas costas.
Na época, a Polícia Civil confirmou que os jovens entraram para furtar baterias, que seriam vendidas para que um deles pudesse comprar um botijão de gás de cozinha para a mãe. Uma das vítimas era Wesley do Amaral dos Santos. O nome do adolescente, contudo, não foi divulgado por ser menor de idade.