Em um mundo em que o diálogo entre nações parece cada vez mais difícil — com tensões políticas e econômicas colocando países em rota de colisão —, o tênis de mesa oferece uma imagem rara de convivência. Na arena, não há espaço para discursos, ameaças ou disputas ideológicas: o conflito se resolve na mesa, ponto a ponto, com raquete e reflexo. E quando a última bola cai, o que fica do lado de fora é, quase sempre, apenas respeito e amizade.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
A cena se repete em Três Coroas, durante o STAG Global 2026 – Classic Table Tennis World Cup, onde atletas de diferentes bandeiras, culturas e histórias se encontram em um mesmo ambiente, dividindo o mesmo espaço sem que os embates do mundo lá fora interfiram no que acontece dentro do ginásio. “Todo mundo vê que temos muitas nações. Eu já joguei contra um atleta russo, temos jogadores dos Estados Unidos, sul-americanos, chineses, inclusive de países que politicamente vivem problemas”, contou Alexander Flemming, jogador alemão de tênis de mesa. Para ele, o esporte cria um terreno onde o contato é mais simples e, sobretudo, positivo. “Aqui nós somos todos amigos, temos uma grande relação. É o jeito mais fácil de se encontrar em contato positivo com o outro”, destacou.
Ping sem fronteiras
Essa sensação de união também aparece na fala da atleta francesa Camille Morival, de 33 anos, que defende a prática esportiva como instrumento de aproximação e construção de paz. “Sim, é algo que eu construí completamente com o projeto Ping Sans Frontieres (Ping Sem Fronteiras)”, afirmou.
Ao comentar sobre a experiência de competir no Brasil, a atleta revelou carinho pelo país e pelo ambiente de disputa. “Eu gosto muito daqui. É muito quente, então é um pouco mais difícil de jogar, mas é uma ótima competição”, disse. Camille ainda ressaltou que o nível e a organização dos torneios a impressionaram em diferentes lugares. “Gosto de jogar no México e no Brasil, é muito bom”, completou.
União de povos
O atleta brasileiro Marcelinho celebra a união entre os povos durante o confronto. Segundo ele, essa mistura de nações é saudável ao esporte e potencializa o desenvolvimento do tênis de mesa. “Não sei o que dizer. Participo de campeonatos gaúchos e brasileiros. Mas o mundial é a primeira vez. Mas agora isso tudo, está sendo uma experiência surreal. Estou sem palavras para dizer o que isso representa para mim.
Além de Marcelinho, a competição conta com atletas locais e da Associação Esportiva Dimenores, que organiza o evento.
Competição sem fronteiras coloca destaques frente a frente
O STAG Global iniciou no domingo passado (18) e vai até o próximo domingo (25), no Ginásio Municipal Armando Brusius, reunindo atletas de 20 nacionalidade, entre eles, Alemanha, China, Estados Unidos, França, Polônia e Rússia. Ao todo, são cerca de 200 atletas que disputam um lugar no ranking mundial.
Organizado pela International Classic Table Tennis Federation (ICTTF), o evento conta com o apoio da Associação Esportiva Dimenores e Federação Gaúcha de Pingue-Pongue (FGPP) como facilitadora. O Mundial tem jogos diários das 8 às 21 horas, com entrada gratuita e atrações abertas ao público de todas as idades.
Entre os representantes locais, o destaque é o três-coroense Lutieri Lima, atual líder do ranking brasileiro, além de nomes conhecidos da região como Rafael Smaniotto, campeão mundial sub-18 em Macau, Jeferson Konradt e Guilherme Wommer, que integram a lista oficial de inscritos.