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Município da Encosta da Serra apresenta maior percentual de funcionários no setor privado do Brasil

De acordo com dados de 2022 do IBGE, o ramo representa 97,8% da mão de obra ativa no município

Publicado em: 07/02/2026 às 09h:59 Última atualização: 11/02/2026 às 10h:13
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“Aqui eu consegui um salário melhor, mais segurança e qualidade de vida.” É o que comenta Erivone Gomes, de 58 anos, que mora em Novo Hamburgo e trabalha há quatro anos em Presidente Lucena, no setor de limpeza. A cidade é a que possui o maior percentual de moradores empregados no setor privado do País conforme o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge).

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Presidente Lucena se destaca entre as cidades com maior percentual de empregados no setor privado | abc+



Presidente Lucena se destaca entre as cidades com maior percentual de empregados no setor privado

Foto: Amanda Krohn/GES-Especial

Por meio do Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA), o instituto aponta que, em 2022, Presidente Lucena possuía 3077 moradores, sendo 1560 ocupados. Desse total, 1526 trabalhadores estavam atuando no setor privado, representando 97,8% da mão de obra ativa, sendo esta a maior proporção do País.

Dos outros 34 trabalhadores, conforme o Sidra, 27 atuam no setor público e sete trabalham por conta própria.

No sistema Cidades (também do IBGE), é possível observar ainda, com dados de 2023, que o número de pessoal ocupado em postos de trabalho formais como um todo no município era de 2.692 naquele ano. O número é maior do que o tamanho da população com mais de 15 anos na cidade, era de 2.558, devido ao fato de também haver trabalhadores de outras localidades.

Cultura do trabalho e diversidade de segmentos

O prefeito do município, Luiz José Spaniol, atribui essa estatística à mentalidade da população. “Nosso povo, que tem descendência germânica, tem a cultura de trabalhar bastante, não gostam de ficar à toa. Acho até que temos mais vagas de trabalho ocupadas do que moradores”, comenta. Segundo ele, a cidade concentra empresas de diferentes segmentos, como a Granja Pinheiros, Luz da Lua, Petry Malharias e metalúrgicas, o que amplia a oferta de vagas.

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“Além disso, a cidade é privilegiada pela localização (ficamos perto de Porto Alegre), e é um processo que vem de longo tempo. Não foi um gestor que chegou e em um ano fez milagre”, continua.

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Spaniol afirma que, atualmente, o número de postos de trabalho supera o de moradores em idade ativa, o que faz com que trabalhadores de municípios vizinhos — como Novo Hamburgo, Ivoti, Estância Velha, Morro Reuter, Picada Café, São José do Hortêncio e Lindolfo Collor — se desloquem diariamente para Presidente Lucena. Esse fluxo é viabilizado por transporte oferecido pelas próprias empresas.

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Apesar do cenário de pleno emprego, o prefeito aponta a escassez de mão de obra local como o principal desafio enfrentado pelas empresas instaladas no município, diante da dificuldade de preencher todas as vagas disponíveis.

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Presidente Lucena se destaca entre as cidades com maior percentual de empregados no setor privado

Foto: Amanda Krohn/GES-Especial

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“Tem bastante emprego, é bom trabalhar aqui”

Morador de Presidente Lucena, Douglas Daniel Freimuth Azevedo, 30 anos, trabalha há dez anos na empresa Luz da Lua e destaca a combinação entre oferta de empregos e qualidade de vida. “É uma cidade tranquila e boa de morar, tem bastante emprego. É bom trabalhar aqui”, afirma. A esposa, Michele Weber Flores, 34, natural de Portão, também atua na mesma empresa e vive em Presidente Lucena, onde está empregada há 13 anos.

Moradora de Ivoti, Ligia Ávila, 41, está há quatro meses na Granja Pinheiros, no setor de armazenamento. Ela relata que chegou à empresa por indicação. “Vim para cá através de uma indicação de uma amiga e adoro o setor em que eu trabalho”, conta.

Já Carlos Eduardo dos Santos, 25 anos, morador de Lindolfo Collor, está há seis anos na Granja Pinheiros, onde atua como auxiliar de produção. Ele afirma que o emprego em Presidente Lucena foi sua primeira experiência profissional. “Um amigo me falou que estavam começando aqui e que o trabalho era muito bom. Resolvi largar currículo e me chamaram logo”, relata. A permanência no cargo, segundo ele, confirma a escolha. “Estou aqui há bastante tempo, então confirma bem. Foi uma boa opção mesmo”, diz.

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O município também atrai trabalhadores de outras regiões do país. Erivone Gomes, 58 anos, natural de Natal, no Rio Grande do Norte, mora em Novo Hamburgo e trabalha há quatro anos na Granja Pinheiros, no setor de limpeza. Ele afirma que a mudança ocorreu em busca de melhores condições de vida. “Lá em Natal eu recebia um salário mínimo que dava só para sobreviver, não para viver”, relata. “Aqui eu consegui um salário melhor, mais segurança e qualidade de vida. Desde que cheguei em Novo Hamburgo, trabalho em Presidente Lucena e pretendo ficar por bastante tempo”, completa.

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Setor agrícola lidera número de posições ocupadas em Presidente Lucena

Dentre os setores com maior número de vagas ocupadas na cidade, destacam-se os setores de Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aquicultura; Indústrias de Transformação (responsáveis por transformar matéria-prima em produto final); Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas e Educação.

Juntos, estes setores somam 1076 trabalhadores, o equivalente a cerca de 70,5% da mão de obra no setor privado de Presidente Lucena. São 478 profissionais na área de Agricultura (31,3% da mão de obra), 307 nas Indústrias de Transformação (20,1%), 172 no Comércio e Reparação de Veículos (11,2%) e 119 na área da Educação (7,8%).

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O prefeito ainda acrescenta que diversas empresas têm demonstrado crescimento no município. “Temos bastante diversificação de áreas e algumas empresas ampliaram, tem bastante funcionários. Além da agricultura temos também a Luz da Lua, de calçados, temos restaurantes, lanchonetes e várias outras opções”, ressalta Spaniol.

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