Nova Santa Rita é o segundo Município que mais cresce ao nível populacional do Estado, com uma média de 8% ao ano. Até 2030, a população da cidade deve saltar de 33 para 43 mil pessoas, conforme recente estudo.
A cidade permanece com características interioranas. Diante do cenário, entretanto, é preciso garantir mudanças. Com o aumento da população, não dá para cavalos permanecerem circulando livremente pela via pública.

Foto: PAULO PIRES/GES
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Por isso, a Prefeitura de Nova Santa desenvolveu um projeto visando o recolhimento imediato de animais maltratados, encontrados soltos, além de um trabalho de conscientização com quem trabalha na reciclagem.
O trabalho vem dando resultado e, ao longo das últimas semanas, 17 animais acabaram removidos da via pública. Deste número, sobraram oito, já que o restante dos animais acabou sendo rapidamente adotado.
Secretária do Meio Ambiente, Aline Prado esclarece que não é possível, da noite para o dia, recolher todos os animais vistos puxando carroças em Nova Santa Rita. Isso porque a questão é cultural.
“A ideia é não haver mais cavalos puxando carroças em Nova Santa Rita, porém é um processo”, explica. “Estamos conversando e conscientizando trabalhadores sobre o assunto. Só que aqueles cavalos encontrados em situação de maus tratos são recolhidos na hora”, adverte.
A população, felizmente, está colaborando, com denúncias apontando animais soltos, em situação de risco ou simplesmente obrigados a puxar material considerado excedente lomba acima.
“Por se tratar de uma questão cultural, não é um processo simples”, comenta a secretária. “É claro que nem todos aceitam, porque já se acostumaram a deixar os animais de qualquer jeito. É nosso trabalho mudar essa postura”.

Foto: PAULO PIRES/GES
Aposentadoria
O casal Tiago Gonçalves Rieff, 39 anos, e Simone Rodrigo Rieff, 38 anos, garantiu a aposentadoria do cavalo que durante anos colaborou com o sustento em casa. Agora, o serviço de reciclagem é concluído com um carro.
“Ele passa agora os dias descansando em casa”, relata o reciclador com dez anos de experiência. “Trabalhou bastante. Agora é um animal doméstico e não tem mais que fazer nenhum tipo de esforço”.
Simone concorda, mas lamenta que nem todos os trabalhadores pensem o mesmo. Ele diz que há pessoas que não têm a mesma mentalidade ao pensar na vida dos animais.
“As cabeças pensam diferente”, observa. “Há pessoas que não ligam muito para a situação do animal. Enquanto estiver servindo para o trabalho, tudo bem. Nem imaginam fazer diferente”.

Foto: PAULO PIRES/GES
Cuidado
O trabalho de recolhimento dos animais não é fácil, já que, não raro, o dono do animal aparece e cobra satisfação por que estão levando o cavalo?
Funcionária do Centro do Bem-Estar Animal, Débora Fabiane Oliveira da Silva chegou a ser ameaçada com uma tijolada por um esquentado.
“Nem todo mundo aceita perder o animal”, diz. “É uma coisa complicada, porque a gente precisa contar com o apoio da Guarda para não apanhar”.
À frente do trabalho de fiscalização e remoção dos animais, Jorge Leandro Araújo explica que há pessoas inclusive que querem reaver o animal o mais depressa possível.
“Não é fácil, porque eles chegam aqui no Centro do Bem-Estar esperneando e xingando”, conta. “A gente precisa manter a calma, porque o trabalho visa o cuidado com os animais essencialmente. Não dá simplesmente para liberar”.