Outubro é o mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, reforçando a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico. No Rio Grande do Sul, a Secretaria da Saúde (SES) está preparando uma série de atividades alusivas ao longo do mês. Entre elas, a divulgação do Boletim Epidemiológico do Câncer de Mama RS 2025, uma ferramenta que busca contribuir para a organização da linha de cuidado e o consequente impacto na redução da incidência e da mortalidade por câncer de mama.

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A primeira edição do boletim, publicado em outubro de 2024 com dados do ano anterior, mostra que cinco cidades da região estão entre as 20 com maior número de casos no estado: Canoas (2º), São Leopoldo (6º), Novo Hamburgo (8º), Campo Bom (12º) e Sapucaia do Sul (17º).
Entre os municípios, os números absolutos e as taxas por 100 mil mulheres indicam cenários distintos: Porto Alegre registrou 627 casos (87,14/100 mil) e lidera no RS, mas está abaixo da média estadual, que é de 89,53/100 mil mulheres. Canoas teve 231 casos (127,38/100 mil), São Leopoldo 111 (98,20/100 mil), Novo Hamburgo 94 (79,11/100 mil) e Campo Bom 83 (255,60/100 mil). Sapucaia do Sul contabilizou 52 casos (75,76/100 mil).
Desta forma, a capital é o município com o maior número de casos, o que já era esperado pelo tamanho de sua população feminina. Contudo, Canoas, São Leopoldo e Campo Bom ultrapassam a média estadual.
E é Campo Bom quem lidera a taxa de incidência de câncer de mama em todo o Estado, com mais de 255 mulheres para cada 100 mil habitantes. Números bem acima da média estadual. O alto índice justifica-se, em parte, pela alta oferta de exames de mamografias em mulheres fora da faixa etária que, até então, era recomendada pelo Ministério da Saúde.
“Nós aumentamos a oferta de exames. A rede de profissionais da saúde está alinhada e sempre solicita as mamografias de acordo com a idade atendida das mulheres, que é de 40 anos conforme protocolo defendido pela Sociedade Brasileira de Mastologia”, comenta a secretária de Saúde de Campo Bom, Luana Schnorr.
Na última semana, o Ministério da Saúde também passou a recomendar exames via SUS à mulheres a partir dos 40 anos. “Em Campo Bom, essa prática já é realidade há vários anos, demonstrando o compromisso da gestão municipal com a saúde preventiva das mulheres. O município se antecipou à diretriz federal ao adotar, há tempo, o protocolo defendido pela Sociedade Brasileira de Mastologia, que recomenda o rastreamento a partir dos 40 anos como medida eficaz para reduzir a mortalidade por câncer de mama e ampliar as chances de tratamento precoce”, informa a secretária.
Sobra oferta
Conforme a secretaria de Saúde de Campo Bom, o município não possui demanda reprimida para mamografias, o que possibilita que todas as mulheres que procuram as unidades de saúde possam realizar o exame. “Ainda assim, muitas não percebem a mamografia como prioridade ou não a consideram importante, o que reforça a necessidade de orientação contínua e incentivo por parte dos serviços de saúde. O diagnóstico precoce salva vidas, e a adesão ao rastreamento é o caminho mais eficaz para reduzir os impactos do câncer de mama em nossa comunidade”, finaliza Luana.
Cenário estadual
O Rio Grande do Sul registrou 5.038 novos casos de câncer de mama em 2023, de acordo com o Boletim Epidemiológico do Câncer de Mama divulgado em 2024 pela SES. A taxa ajustada do Estado foi de 89,53 casos por 100 mil mulheres, 35% acima do previsto para o período. A faixa etária mais afetada concentra-se entre 50 e 69 anos, reforçando a importância das mamografias periódicas para detecção precoce da doença.
Quando vistos por Região de Saúde, a R08 – Vale do Caí e Metropolitana registrou 437 casos (111,59/100 mil) e aparece em 4º lugar. A R07 – Vale dos Sinos vem pouco depois, em 7º lugar, com 407 (101,77/100 mil). E a R06 – Vale do Paranhana e Costa Serra surge em 14º lugar, com 101 casos (91,81/100 mil).
Comparado a 2022, o número de casos de câncer de mama no Rio Grande do Sul registrou uma leve redução em 2023: foram 84 casos a menos, representando queda de 1,6%. Já em relação à mortalidade, houve aumento: o ano de 2023 contabilizou 1.500 óbitos pela doença, contra 1.435 em 2022.
Mamografia a partir dos 40 anos
O Ministério da Saúde passou a recomendar recentemente que mulheres de 40 a 49 anos tenham acesso à mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo sem sinais ou sintomas de câncer de mama. Segundo a pasta, essa faixa etária concentra cerca de 23% dos casos da doença, e a detecção precoce aumenta significativamente as chances de cura. Até então, a orientação era que o exame fosse feito apenas a partir dos 50 anos.

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A recomendação estabelece que o exame seja realizado sob demanda, em decisão conjunta entre a paciente e o profissional de saúde, com orientações claras sobre os benefícios e eventuais desvantagens do rastreamento. Mulheres nessa faixa etária tinham dificuldade de acesso ao exame na rede pública devido à necessidade de histórico familiar ou à apresentação de sintomas, informou o ministério.
Segundo dados da pasta, as mamografias realizadas pelo SUS em pacientes com menos de 50 anos representam 30% do total, equivalendo a mais de 1 milhão de exames em 2024. Além disso, a faixa etária para o rastreamento ativo a cada dois anos foi ampliada de 69 para 74 anos, considerando que quase 60% dos casos de câncer de mama estão concentrados entre 50 e 74 anos
No total, em 2024 foram realizados cerca de 4 milhões de mamografias para rastreamento e 376,7 mil exames diagnósticos pelo SUS. O câncer de mama continua sendo o tipo mais comum entre mulheres e também o que mais provoca mortes, com cerca de 37 mil óbitos anuais no país.