Quem passou pela Praça da Matriz, em Rolante, no início da tarde desta quarta-feira (30), pode ter visto a colocação de peças de cerâmica, feitas com argila, no Arroio Areia. Não é por acaso. A ação tem um significado para o grupo e busca deixar uma mensagem especial.
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Foto: Divulgação
“É para meditar sobre a impermanência da vida e a possibilidade de renascimento após a destruição”, conta a artista plástica Aline Fortes da Rocha, 36 anos, referindo-se à enchente que assolou o Estado em 2024.
Ela é uma das três artistas que participam da 2ª edição da Imersão na Mata: Residência Artística no Sítio Libélula, que iniciou no dia 25 e vai até esta quinta-feira (31) no município do Vale do Paranhana.
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As peças são da oficina de cerâmica realizada na segunda-feira (28) por Aline, moradora de Porto Alegre, que teve sua casa e atelier atingidos pela enchente do ano passado. Com o tema “Terra Meu Corpo, Água Meu Sangue”, Aline buscou transmitir seu pensar sobre o renascimento após a destruição.

Foto: Divulgação
Durante a oficina, 16 pessoas de Rolante e região criaram peças de cerâmica de forma livre e espontânea, a maioria delas levadas para o Rio Areia. “A entrega simboliza o ciclo da vida e a possibilidade de recomeço e é um ato simbólico que reflete a experiência dos participantes”, explica a artista.
O projeto
Além da oficina de Aline, o projeto Imersão na Mata ofereceu oficinas ministradas por Kacau Soares, na categoria de Arte Contemporânea, onde teve um momento com tambor, elemento de diálogo e conexão por meio de sons, toques e batidas, e Michele Martines, na de Fotografia, com imagens captadas durante a calamidade, articulando os rastros da água com o sentimento de ruína, luto e sobrevivência.
As três foram selecionadas entre 38 inscrições, realizadas por mulheres de municípios depredados pela calamidade do ano passado e que apresentaram propostas de lançar um olhar para o futuro. A coordenadora do projeto Imersão na Mata, Clarissa Silveira, explica que a intenção do encontro é trazer uma ressignificação dessa experiência através das artes.
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“Que possamos fazer uma reflexão poética sobre a emergência climática que estamos vivendo há mais tempo. Acreditamos que essas experiências sensíveis, artísticas, possam contribuir para essa reflexão com novas práticas de preservação do planeta”, complementa.
O projeto do Atelier Libélula, aprovado na Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), com financiamento Pró-Cultura e governo do Estado, realização do Ministério da Cultura e Governo, e apoio do Instituto Trocando Ideia.