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POLÊMICA

Projeto de torre de alta tensão em área histórica e turística vira alvo de questionamentos no Vale do Sinos

Discussões ocorrem para evitar que estruturas impactem em estrutura histórica

Projeto de torre de alta tensão em área histórica e turística vira alvo de questionamentos no Vale do Sinos
Publicado em: 20/02/2026 às 06h:47 Última atualização: 20/02/2026 às 07h:42
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A possibilidade da construção de torres de alta tensão próximas à Ponte do Imperador pode mudar o cenário para os visitantes da região conhecida como Buraco do Diabo, em Ivoti.

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Trata-se do projeto LT 230 kV Ivoti 2, uma nova rede de transmissão de energia elétrica que abrange os municípios de Ivoti, Lindolfo Collor, Portão, São José do Hortêncio e São Sebastião do Caí.

O local ainda não está aprovado e os trâmites, que começaram em dezembro de 2025, não têm previsão para terminar. 

Ponte do Imperador é patrimônio tombado pelo Iphan | abc+



Ponte do Imperador é patrimônio tombado pelo Iphan

Foto: Arquivo/GES

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O processo aguarda a aprovação de licenças ambientais e a CPFL Transmissão Sociedade Antônima, que venceu o lote 3 do leilão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), precisa apresentar documentos e estudos de impacto.

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No entanto, a rede de alta tensão está projetada no entorno da Ponte do Imperador, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1988.

“Esse processo não está levando em consideração uma construção coletiva que ocorre há pelo menos 40 anos no município”, ressalta Cristiano Enrique de Brum, historiador e membro do Conselho Municipal de Patrimônio, se referindo à preservação dos imóveis e monumentos históricos.

O historiador explica que, desde a década de 1980, os moradores de Ivoti lutam para preservar o espaço, não apenas da ponte, mas o Núcleo de Casas Enxaimel como um todo. “Dezenas de pessoas atuaram para ter o Núcleo que temos atualmente. A luta está sendo ignorada, muitos lutaram para que isso se concretizasse.”

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O Buraco do Diabo é visitado por milhares de pessoas todas as semanas, tornando-se reconhecido no Vale do Sinos. “Sempre foi importante para a cidade. Mas, hoje é procurado e reconhecido”, salienta Brum.

Sem consulta

Segundo a prefeitura de Ivoti, o município não foi consultado quanto à definição da localização da construção da nova subestação, por se tratar de um processo conduzido pela Aneel.

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“O que ocorreu foi a abertura, no site da Aneel, de uma consulta pública relacionada à distribuição de energia elétrica, com foco em aspectos como eventuais faltas ou quedas frequentes no fornecimento, seguindo essa linha de análise”, comunicou o poder público.

A prefeitura explica que, diante das manifestações da comunidade, foram realizadas reuniões com representantes da CPFL, visando buscar alternativas quanto à localização da instalação da torre. A empresa então respondeu que encaminhou a solicitação para estudo junto às áreas responsáveis.

O pacote

Com base de 20 metros, as torres estão inclusas em um pacote de melhorias na rede elétrica, com investimento estimado em R$ 1,07 bilhão.

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Além de Ivoti, outras subestações devem ser construídas em Erechim, Boa Vista do Buricá e São Sebastião do Caí. O lote 3 contempla o atendimento às regiões Noroeste e Meetropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e Noroeste do Paraná.

Conselhos se posicionam

O Conselho Municipal de Patrimônio Histórico se manifestou, afirmando a necessidade de ser ouvido sobre a instalação em local histórico e fundamental para o turismo. Foram ainda propostas algumas reflexões sobre a localização da torre, como os impactos visuais e paisagísticos entre Belvedere e entorno da Ponte do Imperador, repensando a realização deste empreendimento.

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O Conselho também solicita que se complementem os relatórios, estudos e projetos já realizados e aqueles ainda pendentes, considerando a complexidade do patrimônio cultural nacional presente na área. O documento é assinado pelo presidente Daniel Wagner.

O Conselho Municipal de Turismo se reuniu nesta quinta-feira e teve o mesmo entendimento. Um parecer deve ser elaborado nos próximos dias.

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Vista do Buraco do Diabo a partir do Belvedere pode ser impactada com a rede de torres | abc+



Vista do Buraco do Diabo a partir do Belvedere pode ser impactada com a rede de torres

Foto: Reprodução

Paisagem descrita na história

O historiador Cristiano Enrique de Brum lembra que o viajante Michael George Mulhall, que viajou por diversas áreas do Rio Grande do Sul, na década de 1870, deixou o seguinte relato sobre o local. “Quando o vale novamente se abriu, vimos à distância, por cima das matas, a torre da capela da vila, que fica em cima da colina. […] Uma ladeira íngreme liga a ponte a vila na colina.” Ele inclusive usa o termo Buraco do Diabo em inglês.

“Do ponto de vista histórico, é importante destacar que essa paisagem é importante desde os primeiros imigrantes”, detalha Brum. O historiador ainda reforça que a região tem grande influência cultural na instalação de imigrantes.

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