Reaberto nesta quinta-feira (31), após mais de dois meses e meio, o Parque Zoológico de Sapucaia do Sul, administrado pelo governo do Estado por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), terá um novo morador: um filhote de Puma concolor, resgatado em Jaquirana, na Serra.
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Foto: Luis André/Secom
O animal foi transferido para o parque na quarta-feira (30) e passará por um período de adaptação até ser direcionado para o seu novo recinto, no domingo (3), quando os visitantes do Zoo poderão apreciá-lo. O Zoo é o destino final do puma, depois de uma longa jornada de tratamentos de saúde com uma equipe multidisciplinar de profissionais da Sema e de voluntários.
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Único sobrevivente de ninhada
Segundo a Sema, o animal foi resgatado em fevereiro de 2025, com apenas 700 gramas e idade estimada de dez dias, sendo o único sobrevivente de uma ninhada de três filhotes. Ele foi encontrado e acolhido por um morador, que informou a equipe da Unidade de Conservação Parque Estadual do Tainhas (PE Tainhas). A suspeita é de que a mãe dos filhotes tenha sido vítima de caça.
“Quando me deparei com a situação, foi emocionante. O animal estava debilitado e meu pensamento desde o primeiro momento foi agilizar para que ele recebesse atendimento. Os felinos estão cada vez mais raros na nossa região e ver agora que essa história, por mais que seja triste, ter um final feliz com o puma sobrevivente e saudável, é motivo de orgulho”, afirmou Guilherme Oliveira, servidor da Sema que prestou os primeiros atendimentos.
Acolhimento
Após o recolhimento do animal, ele foi imediatamente encaminhado para a sede da Sema em Porto Alegre, onde iniciaram os tratamentos intensivos sob a coordenação da Divisão de Fauna.
“Esse filhote de puma, junto com a família, possivelmente foi vítima de um crime ambiental, e infelizmente não pode mais retornar ao seu habitat. Casos como esse nos lembram da importância de não interferirmos na vida silvestre”, comentou a chefe da Divisão de Fauna da Sema, Aline Zacouteguy.
A Sema detalha que os primeiros exames laboratoriais foram realizados pelo Instituto Preservas, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). A partir de então, uma rede de profissionais que compõem o quadro de instituições públicas e privadas se formou para salvar a vida do puma de forma voluntária, entre elas a Associação Mata Ciliar, o Hospital Veterinário da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a Clínica Chatterie e a Clínica Visão Vet, onde o filhote passou por uma cirurgia de cataratas.
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Reintrodução na natureza foi considerada inviável
Em junho, já com 10 kg, o puma foi transferido temporariamente para o Zoológico de Canoas, onde passou a contar com mais espaço e estímulos naturais. Agora, já com 13 kg, o felino foi transferido de forma definitiva para o Parque Zoológico de Sapucaia do Sul.
“Por ter sido resgatado muito jovem, necessitado de múltiplas intervenções médicas e possivelmente apresentar déficit visual, sua reintrodução na natureza foi considerada inviável. A permanência em zoológicos garante bem-estar, segurança e possibilidade de educação ambiental para o público”, afirmou a médica veterinária da Sema, Moira Ansolch.

Foto: Luis André/Secom
Escolha do nome
O governo do Estado informou que deve iniciar uma campanha para que a população escolha o nome do pequeno puma. A enquete estará disponível nos perfis oficiais do governo do Estado.
Espécie rara
Conforme a Sema, o Puma concolor, também conhecido como onça-parda ou suçuarana, é o segundo maior felino das Américas. Com pelagem de coloração parda, que pode variar do acinzentado ao avermelhado, habita uma diversidade de ecossistemas, de florestas densas a campos e serras.
No Rio Grande do Sul, é uma espécie rara e enfrenta sérias ameaças, figurando como em perigo de extinção na lista estadual. Embora possa ser encontrado tanto no bioma da Mata Atlântica quanto no Pampa, suas populações estão cada vez mais fragmentadas, pressionadas pelo avanço da ocupação humana, perda de habitat, atropelamentos e conflitos com atividades rurais.
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Proteção
O animal se alimenta de presas variadas como lebres, tatus, porcos-do-mato, veados e até capivaras, ajudando a controlar populações de herbívoros e manter o funcionamento saudável dos ecossistemas. A espécie tem hábitos principalmente noturnos, o que dificulta ainda mais a sua observação.
“A proteção do Puma concolor é urgente e depende de ações integradas de conservação da biodiversidade, fiscalização, educação ambiental e conscientização sobre a importância da convivência com a fauna silvestre. Mais do que um símbolo da vida selvagem, é um indicador da saúde ambiental do território gaúcho, e sua sobrevivência é um reflexo direto do nosso compromisso com a natureza”, finalizou Cátia Viviane Gonçalves, diretora de Biodiversidade da Sema.