Moradores da Vila Perimetral em Estância Velha convivem diariamente com o medo devido à precariedade da energia elétrica na região. São aproximadamente 52 famílias na área, localizada no limite com Ivoti. Alguns, como Célia Maria Soares, 43 anos, estão há mais de 10 anos vivendo no bairro. Outros, como Maria Inês de Borba, 39, se mudaram para o local há menos de 3 anos.
Atualmente, seis medidos de luz instalados na Avenida Perimetral, 525, distribuem a energia elétrica para as casas localizadas em uma área mais baixa da cidade. Neste ponto é possível observar emaranhados de fios, assustando os moradores.

Foto: Juliano Piasentin/ GES-Especial
“No meu caso, o relógio é dividido com outras cinco casas”, explica Célia. Morando há 14 anos na Vila Perimetral, ela salienta que o cuidado precisa ser redobrado com os eletrodomésticos e chuveiro. “A chave vive caindo, precisamos subir na avenida para reativar.”
Além dos cuidados, também há o risco de incêndios. “Um rapaz perdeu a casa de madeira. Pegou fogo devido ao curto circuíto”, afirma. Os custos da luz são divididos entre os moradores. “Recebemos a conta, tem até uma caixinha de correio ao lado dos relógios. Queremos ter tudo regularizado, não podemos mais viver assim”, completa.
Obstáculo para luz
Questionada, a RGE comunicou que o processo de solicitação de Ligações Novas é regulado através da Resolução Normativa n° 1.000/21 da ANEEL, que estabelece as regras de prestação do serviço público de distribuição de energia elétrica.
Dentre os documentos dados pelo Artigo 67 da Resolução, consta a necessidade de comprovação de Posse ou Propriedade do imóvel, o qual somente é cedido pelos entes municipais quando plenamente atendida a legislação municipal.

Foto: Juliano Piasentin/ GES-Especial
“Quando apresentados os documentos pelo solicitante, a distribuidora providência a obra necessária para viabilizar o atendimento requerido.”
Invasão deve ser regularizada
Segundo a prefeitura, a situação foi explicada para a RGE. Entretanto, a concessionária alegou que necessita da conclusão total da regularização fundiária para executar a instalação dos postes.
Maria Inês admite que o bairro começou como invasão de uma área verde, mas explica que os moradores estão buscando regularizar suas áreas, evitando permanecer na ilegalidade. “Queremos pagar impostos, tudo certinho, mas precisamos que nossas casas sejam regularizadas”, avalia.
Conforme o poder público, a regularização fundiária já está em andamento, tanto que as ligações de água foram realizadas em 2024, quando uma parceria entre Corsan e Águas de Ivoti foi firmada. “Todos têm os seus relógios, pagamos as contas individualmente”, reitera Maria.
Antes da instalação, todos os moradores precisavam recorrer a poços artesianos. “Esperei por 12 anos pela água, espero não precisar aguardar mais 10 anos para ter luz”, diz Célia.
Sem prazo estipulado
Apesar do andamento, a prefeitura explica que não há um prazo estipulado para finalizar a demanda. “Uma empresa foi contratada para realizar o processo todo. Em maio deste ano a prefeitura fez uma vistoria no local e solicitou uma série de readequações”, afirma o Executivo.

Foto: Juliano Piasentin/ GES-Especial
Após as readequações de questões técnicas, como plantas, memoriais descritivos, matrículas e levantamentos topográficos, a empresa terá um novo prazo para a conclusão. “Esperamos que não esperem alguém morrer para resolver o problema”, reitera Célia, cobrando agilidade.
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