O Projeto Floração, iniciativa que convida os campo-bonenses a realizarem a compostagem em casa ou levarem os resíduos orgânicos produzidos até o local do programa, recebe cerca de 1 tonelada de matéria orgânica por mês e promove o destino sustentável de aproximadamente 10% do que é produzido no município.

Foto: Paola Altneter/GES-Especial
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Segundo a professora e bióloga Maiara Danieli Oberherr, o projeto foi lançado oficialmente em 2009 e os objetivos foram se alternando de acordo com a necessidade. No começo, a proposta era a troca de garrafas PET e caixas de leite por mudas de flores e folhagens.
Porém, ao longo da ação foi percebido que a maior problemática enfrentada era em relação aos resíduos orgânicos, pois os secos eram triados e destinados a reciclagem, mas o orgânico vai direto para o aterro, o que gera custos para o município e, consequentemente, para o contribuinte.
“Com o tempo, o projeto foi mudando para buscar o resíduo orgânico, com o qual a gente consegue fazer a compostagem, para tentar desviar uma fração desse resíduo para não ir para o aterro, que seria um desperdício, e virar adubo para as hortas”, conta Maiara. Então, quem leva a matéria orgânica pode retirar mudas de hortaliças, legumes, chás, temperos e folhagens.
Após essas mudanças, foi constatada a necessidade de informar às pessoas como fazer a compostagem em casa. “Não só trazer para o nosso espaço, mas ensinar elas a fazerem, já que elas também têm o espaço da hortinha, já acaba com o resíduo orgânico ali”, explica.
Como funciona
O projeto Floração aceita apenas resíduos orgânicos que não foram cozidos, que não estão com sal ou gordura e o sistema utilizado para compostagem é em leiras. Na primeira fase, são inseridos os resíduos recebidos e uma camada seca, que pode ser de gramas, folhas, etc. Como o resíduo orgânico tem umidade, sai o chorume, que também serve como adubo, e o programa faz a doação para a população, observa Maiara.
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A próxima etapa inclui a fermentação do resíduo orgânico, que pode chegar até 40°C, segundo Maiara. No fim, o resíduo é peneirado e fica com aspecto de terra. Ao todo, o processo leva cerca de 90 dias e quem entrega o resíduo orgânico pode levar o adubo para casa para utilizar na horta.
Cem moradores participam por dia
O projeto Floração ocorre nas quartas-feiras, das 9 às 11 horas e das 14 às 16 horas, e aos sábados, das 9 às 11 horas, e recebe por dia cerca de cem moradores de Campo Bom que fazem a retirada da muda e levam a matéria orgânica. A campo-bonense Maria Fátima Bortonotti, 68 anos, participa do projeto praticamente desde o início, e vai uma vez por mês retirar mudas. “É uma maravilha. Se tu não tem alguém que te dá esse incentivo. vai tudo para o lixo”, diz. Outra moradora da cidade que participa há anos é Maria dos Anjos, 67. “Além de cuidar do meio ambiente, a pessoa tem a verdura sem nada de veneno.”

Foto: Paola Altneter/GES-Especial