Após quase dois anos paralisada, a construção do Anexo II do Hospital Municipal de Novo Hamburgo (HMNH) foi retomada nesta semana. O projeto é estratégico para ampliar o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade e região, servindo de referência para mais de 25 municípios.
Com conclusão prevista em 18 meses, o complexo saltará de 8 mil para cerca de 13 mil metros quadrados, com investimento superior a R$ 23 milhões.
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O prefeito Gustavo Finck (PP) destacou, durante visita técnica à obra nesta quarta-feira (28), que além dos R$ 23 milhões, serão investidos mais de R$ 40 milhões em equipamentos. “Só vamos atender melhor a comunidade com a conclusão do Anexo II. Temos apoio do governo federal, estadual e do deputado federal Lucas Redecker, o que permitiu a retomada.”
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O prefeito admitiu que poderá ser necessário um aditivo financeiro ao longo da execução, mas garantiu que a obra será concluída. “Se for necessário, vamos buscar recursos e aportar o que for preciso para terminar essa obra até 2027”, disse.
Ampliação da estrutura e rede de atendimento
O impacto mais imediato da obra será sentido na ampliação do número de leitos clínicos e de terapia intensiva, hoje um dos principais gargalos do SUS regional. O Anexo II contará com 32 novos leitos clínicos.
Além disso, a reorganização dos espaços atuais permitirá a retomada de outros 32 leitos onde hoje funciona o bloco cirúrgico provisório, totalizando um acréscimo de 64 leitos clínicos. O número representa um aumento de 47% em relação aos atuais 136 leitos clínicos do hospital, desconsiderando a área materno-infantil.

Na área de terapia intensiva, a expansão será ainda mais significativa. Dos atuais 15 leitos de UTI, o HMNH passará a contar com mais 20 no novo anexo, totalizando 35 leitos — um crescimento de 133%.
A ampliação deve reduzir a necessidade de transferências de pacientes para outros municípios e desafogar a rede regional de alta complexidade.
Exames e diagnóstico no próprio hospital
A nova estrutura também oferecerá serviços inéditos na unidade, como ressonância magnética, além de ampliar a oferta de tomografia, endoscopia, colonoscopia e hemodinâmica. A expectativa é aumentar a resolutividade dentro do próprio HMNH, evitando deslocamentos de pacientes para outros centros e reduzindo o tempo de espera no SUS.
Paralelamente, a administração municipal trabalha na captação de recursos para equipar a nova estrutura. Para operar os cerca de 5 mil metros quadrados do Anexo II, o planejamento da Secretaria de Saúde já inclui a contratação de pessoal. Estão sendo avaliadas alternativas como concurso público, processos seletivos e parcerias.
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“Nós temos a previsão de 18 meses de obra. Após esse período, será necessário contar com equipes completas para garantir o funcionamento da nova estrutura. Esse planejamento já está sendo feito em conjunto com a Fundação de Saúde”, afirmou a secretária Betina Espíndula.
Passos da retomada
Segundo o engenheiro Henrique Silva, da Sial Construções Civis Ltda. — empresa vencedora da licitação para a retomada do Anexo II — os primeiros dias de trabalho estão sendo dedicados à análise técnica da estrutura existente e à regularização das condições de segurança do canteiro de obras.
De acordo com ele, apesar da ação do tempo, a construção estava em boas condições, sendo necessárias apenas correções pontuais. Parte da infraestrutura bruta, como terraplenagem, fundações, estrutura de concreto armado e alvenarias, já havia sido concluída antes da interrupção dos trabalhos.
“Quando assumimos uma obra que ficou parada, é necessário fazer uma análise completa da estrutura e das instalações. A avaliação inicial mostra que o prédio foi bem executado. Serão necessárias correções mais pontuais que nós temos que fazer e já estamos alinhando junto à prefeitura. E são coisas padrão, típica de obra que estava parada”, explica.
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Silva detalha que a retomada ocorre em três frentes principais: revisão dos projetos, diagnóstico técnico da edificação e planejamento da execução.
“Estamos revisando os projetos que estavam em andamento e, paralelamente, realizando um mapeamento técnico de toda a obra para avaliar as condições da estrutura e da alvenaria. A partir disso, avançamos para o planejamento, em conjunto com a Fundação de Saúde e a Prefeitura, para garantir a entrega dentro do prazo, com qualidade e controle de custos”, afirma.
Oncologia segue como prioridade, diz Finck
Embora o Anexo II tenha sido apontado, ao longo dos anos, como alternativa para retomar a referência em oncologia em Novo Hamburgo, o projeto atual não prevê esse serviço no novo prédio. Mesmo assim, segundo o prefeito, a ampliação é a peça-chave para que o HMNH recupere essa referência no serviço via SUS até 2027.
“A oncologia é um compromisso da nossa gestão. O Anexo II vai dar suporte para liberar outros espaços dentro do hospital, onde a oncologia será implantada. Precisamos projetar os próximos 15 ou 20 anos para atender uma demanda que só tende a crescer”, pontuo Finck.