Mulheres na faixa etária dos 26 aos 40 anos, com Ensino Fundamental incompleto ou Ensino Médio completo e em sua maior parte mães, tendo entre um e quatro filhos. Este é o perfil da maioria das vítimas de violência doméstica e familiar que buscam atendimento no Centro Jacobina, um serviço de referência prestado desde 2006 em São Leopoldo.

Foto: Renata Strapazzon/GES-Especial
O levantamento do local aponta ainda que normalmente os agressores são ex-companheiros das vítimas. Já entre as violências sofridas, as principais são psicológica e física. “Esses tipos de violência são frequentemente combinados, causando impactos profundos na autoestima e no bem-estar geral das vítimas”, pontua a coordenadora do Centro Jacobina, Patrícia Oliveira.
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De janeiro a julho deste ano, o Centro realizou 3.157 atendimentos. Patrícia destaca que uma única mulher pode gerar vários atendimentos no local. Para buscar a conscientização e o combate à violência contra a mulher e estimular que as vítimas denunciem agressores, rompendo, desta forma, com o ciclo de violência, é realizada em todo o País durante o mês de agosto a campanha Agosto Lilás. A iniciativa reforça, ainda, a importância da Lei Maria da Penha, que em 2025 completou 19 anos e que é reconhecida internacionalmente como uma das mais avançadas no enfrentamento à violência contra as mulheres.
“Tem-se percebido um aumento nas denúncias, na busca pelo serviço, pelo apoio. Muitas vezes o que precisa é um incentivo, uma palavra de coragem ou o próprio conhecimento da informação, que está chegando cada vez mais longe nos territórios hoje”, destaca Patrícia.
“Iniciativas como o Agosto Lilás são de extrema importância, pois trazem visibilidade à luta pelo fim da violência contra a mulher e reforçam a necessidade de um engajamento coletivo para enfrentar essa realidade”, completa. Para a coordenadora, o combate à violência contra a mulher passa pela educação, conscientização, apoio contínuo e políticas públicas eficientes, enfrentando como principal desafio, segundo ela, “a naturalização da violência e o desconhecimento dos canais de apoio disponíveis”.
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“Combater a violência contra a mulher exige uma atuação conjunta entre poder público, sociedade e instituições, com foco, tanto na repressão, quanto, principalmente, na prevenção. Um dos maiores desafios enfrentados atualmente é romper o silêncio e o ciclo da violência, que, muitas vezes, se perpetua por falta de informação, rede de apoio familiar ou até mesmo por medo por parte das vítimas”, destaca.
Ações
Patrícia frisa iniciativas realizadas na cidade e que auxiliam na luta contra a violência doméstica, como projetos desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (Sepom).
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“A secretaria tem atuado de forma estratégica em ações preventivas, como o projeto Mulheres em Ação, que realiza rodas de conversa nos territórios, promovendo a conscientização das mulheres sobre seus direitos e apresentando o ciclo da violência — uma ferramenta essencial para que muitas se reconheçam dentro de situações abusivas e saibam que é possível romper com esse ciclo. A secretaria também lançou recentemente a campanha “Fale antes que seja tarde! A sua voz protege você. Outra frente importante é o Sepom nas Escolas, trabalho preventivo no ambiente escolar, onde levamos essa discussão para adolescentes, pois a violência contra a mulher tem começado cada vez mais cedo. Falar sobre isso nas escolas é uma forma eficaz de prevenir e construir uma nova geração mais consciente e respeitosa”, analisa.
Titular da Sepom, Amanda Backes Homem também destaca a procura, cada vez maior, das vítimas por ajuda. “Muitas pessoas me perguntam se aumentou a violência, o que aumentou, na verdade, foi o número de denúncias. As mulheres têm se sentido seguras para denunciar. E nós temos em São Leopoldo uma rede de proteção muito potente, que conta com o Centro Jacobina, a Ronda Lilás, da Guarda Municipal, a Patrulha Maria da Penha, da Brigada Militar, a Delegacia da Mulher, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e como poucos municípios, uma Secretaria de Políticas para as Mulheres”, frisa.
Deam registrou 1.588 ocorrências em 2025
De janeiro a julho de 2025, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) registrou 1.588 ocorrências, 40 ocorrências a mais que no mesmo período do ano passado. Neste ano, em sete meses, foram 581 ocorrências de ameaça, 226 de lesão corporal e 20 de estupro. A cidade registrou, ainda, quatro feminicídios tentados e nenhum consumado. Houve, ainda, a solicitação de 774 medidas protetivas.
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Titular da Deam, a delegada Michele Arigony, destaca que o maior desafio de quem atua no combate à violência doméstica, é encontrar as mulheres que sofrem em silêncio e não procuram ajuda, nem os canais de denúncia, por medo ou por falta de informação.
“91% das mulheres que morreram neste ano no RS não tinham medida protetiva ativa e 77% não tinham ocorrência anterior, então esse é o nosso maior desafio, alcançar essas mulheres e incentivar o registro de ocorrência dos crimes e pedidos de medidas protetivas de urgência”, diz. Michele ressalta, ainda, a importância das campanhas de conscientização.
“O Agosto Lilás é um momento importante de intensificação de ações no enfrentamento à violência contra mulher, também dando maior visibilidade aos meios de proteção atuais e canais de denúncia, oportunidade de reforçar a importância do rompimento do ciclo da violência com registro de ocorrência e consequente responsabilização do agressor”, opia. “A educação é um dos principais aliados no enfrentamento à violência contra mulher, temos que educar as crianças e adolescentes para que esse comportamento violento não seja reproduzido na vida adulta”, completa a delegada.
Como buscar ajuda no Centro Jacobina
O Centro Jacobina é um serviço público vinculado à Sepom. Ele oferece atendimento psicossocial às mulheres em situação de violência doméstica ou de gênero, realizando acompanhamento individualizado e abordagens voltadas à compreensão e enfrentamento do ciclo da violência. O Centro Jacobina está localizado na Rua Lindolfo Collor, 918, Centro.
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O atendimento no local é realizado de segunda a sexta-feira, das 8h às 17 horas, sem fechar ao meio-dia. A mulher pode buscar atendimento no Centro de forma espontânea, mesmo sem boletim de ocorrência ou medida protetiva. O serviço está disponível para todas as mulheres que estejam em situação de violência e desejem apoio. Contatos podem ser feitos pelo WhatsApp: (51) 99788-3212 ou pelos telefones 2200-0446 e 2200-0447. O serviço é gratuito, sigiloso e prestado por uma equipe especializada, preparada para acolher e orientar as mulheres com respeito e segurança.
“O objetivo é promover o fortalecimento pessoal dessas mulheres e apoiá-las na construção de estratégias para romper com esse ciclo. Além disso, o Centro orienta quanto ao acesso a direitos e políticas públicas, e realiza encaminhamentos para a rede intersetorial, que inclui áreas como saúde, segurança pública, assistência social, aluguel social, justiça e educação”, explica Patrícia.
Além disso, a Prefeitura possui um convênio para abrigamento para as mulheres e seus filhos menores de 18 anos, com até seis vagas para mulheres e quanto filhos elas tiverem. A cidade onde fica o abrigo não é divulgada, visando proteger as mulheres atendidas.
BM e GCM têm serviços de apoio à mulher vítima de violência
A partir da lei Maria da Penha, uma série de programas e ações foram sendo criados. Uma dessas iniciativas é a Patrulha Maria da Penha, desenvolvida pela Brigada Militar. O serviço, que começou em 2012, em Porto Alegre, ano após ano foi ganhando novas cidades gaúchas e hoje é realizado, segundo a instituição, em 114 municípios, incluindo São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Esteio, Capela de Santana e Portão.
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Em São Leopoldo, a patrulha foi implementada no dia 1º de dezembro de 2014. O atendimento da patrulha ocorre por meio de visitas às mulheres com medida protetiva de urgência ativa. Nestes encontros, os PMs buscam saber se a medida está sendo cumprida pelo agressor/acusado e verificam a situação familiar da vítima.
Em São Leopoldo, outra iniciativa de proteção às mulheres é a Ronda Lilás, desenvolvida pela Guarda Civil Municipal. Instituído em março do ano passado, o serviço visa visitar, fiscalizar, proteger, prevenir, monitorar e acompanhar vítimas encaminhadas pela Rede de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres.