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Segue indefinido o corte e poda de árvores na Estrada do Horto

Mais de 2 meses após acidente fatal, municípios e Estado discutem quem é responsável pela ação

Publicado em: 03/09/2025 às 16h:02 Última atualização: 03/09/2025 às 16h:25
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O corte e poda de árvores com risco de queda na Estrada do Horto continua travado pela burocracia. A discussão sobre a responsabilidade da execução dos trabalhos persiste quase três meses após a morte do advogado Mauro Perfeito da Silva, de 72 anos, devido a queda de uma árvore em seu veículo enquanto passava pelo local no dia 19 de junho.

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Árvore causou acidente e morte no dia 19 de junho

A estrada é circundada pelo Horto Florestal Balduíno Rambo, de propriedade do governo do Estado. Ela perpassa os municípios de São Leopoldo (Avenida Theodomiro Porto da Fonseca) e Sapucaia do Sul (Avenida Rubem Berta).

A prefeitura sapucaiense vinha alegando não ter recebido autorização para as obras até o dia 11 de julho, e que a responsabilidade deveria ser do Estado.

Nas últimas semanas, a secretária sapucaiense do Meio Ambiente, Carla da Silveira, justificou que o município não tem verba para tal.

Risco de queda

“Em levantamento dos técnicos da Secretaria, ao longo do trecho da Rubem Berta numa faixa de aproximadamente 40 a 50 metros de cada lado, constatou-se a existência de 119 eucaliptos em risco de queda. As árvores têm altura estimada entre 20 e 50 metros e diâmetro na altura variando de 0,4 a 1,90 metros”, afirma, por meio da assessoria.

“Em ofício enviado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) em 30 de junho, a prefeitura explicou que, embora tenha interesse no manejo das árvores, não possui recursos. A responsabilidade pela execução do serviço deve ser do órgão estadual, visto que a área pertence a ele”, completa.

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No trecho de São Leopoldo, também citado na autorização da Sema, a resposta é semelhante. “Não há como o município justificar os gastos da poda em vegetação de uma área estadual”, justifica a Prefeitura leopoldense, por meio da assessoria de comunicação.

Sema já autorizou execução dos trabalhos 

A Sema mostrou, por meio da assessoria, um parecer técnico que autorizou, no dia 23 de junho, o corte de vegetações em um trecho de até 20 metros na Estrada do Horto (até então, a reportagem não tinha acesso ao documento e o município alegava ter recebido a autorização no dia 11 de julho).

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A pasta repetiu que a responsabilidade pela execução do trabalho na Estrada do Horto é dos municípios. “As vegetações que circundam a avenida são a faixa de domínio, ou seja, há a avenida e mais um perímetro em volta que é responsabilidade municipal”, alega.

“A responsabilidade é dos municípios e eles já têm autorização”, prossegue. O documento cita também o município de São Leopoldo. Ainda não há data divulgada para o início dos trabalhos de corte e poda em nenhuma das cidades.

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Uma morte em junho

A queda de uma árvore em cima de um veículo causou a morte do advogado Mauro Perfeito da Silva, de 72 anos, no dia 19 de junho, feriado de Corpus Christi, há mais de dois meses.

No dia seguinte, os prefeitos de São Leopoldo e Sapucaia do Sul estiveram no local anunciando medidas imediatas para a supressão de vegetações no local.

No entanto, a supressão esbarrou na necessidade de autorização da Sema. esta autorização teria vindo, segundo a prefeitura de Sapucaia, no dia 11 de julho para um trecho de até 20 metros— e, posteriormente, na necessidade de analisar quais seriam as vegetações a serem suprimidas.

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Na data, a alegação do município era de que o corte também seria responsabilidade da Sema. No dia 17 de agosto, a Sema afirmou que a pasta não realizava esse tipo de trabalho e que o acordado era apenas um apoio em cortes mais complexos.

Estrada foi a primeira a ser pavimentada no Estado

A Estrada do Horto foi a primeira estrada pavimentada do Rio Grande do Sul. Conforme o Museu Histórico Visconde de São Leopoldo (MHVSL), a rodovia, construída em concreto armado, ligava São Leopoldo a Porto Alegre, com 27,3 quilômetros, e foi inaugurada em 1º de maio de 1934.

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De acordo com o MHVSL, a estrada começava junto à Ponte 25 de Julho e seguia pela atual Rua Saldanha da Gama. “A Theodomiro segue sobre o traçado da rodovia, que continuava em direção a Sapucaia e Esteio pelo que hoje conhecemos como Mato de Sapucaia ou Estrada do Horto”, descreve o Museu nas redes sociais.

“Por ser uma inovação cara para a época, a rodovia só possuía pavimentação em uma faixa bem estreita de 3 metros de largura mais 1,2 metro de cada lado de pedra irregular. O suficiente para passagem de um único veículo sobre a parte concretada. Essa ‘faixa de cimento’ cortou São Leopoldo por muitas décadas. Os mais antigos, inclusive, até hoje se referem à Rua Saldanha da Gama como faixinha”, lembra o Museu.

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