Um local de fé, de espiritualidade e de devoção e que atrai milhares de visitantes todos os anos, o Santuário do Sagrado Coração de Jesus, onde está localizado o túmulo do Padre Reus, completou 55 anos de fundação em 2025. Para celebrar as mais de cinco décadas de história, uma sessão solene, proposta pelo vereador Fabiano Haubert, ocorre nesta segunda-feira (21), na Câmara de Vereadores, a partir das 19 horas. O evento é aberto ao público.

Foto: Renata Strapazzon/GES-Especial
Localizado na Rua Luetgen, 78, no bairro Padre Reus, o Santuário foi construído entre os anos de 1958 e 1968 e inaugurado oficialmente no dia 5 de abril de 1970. O espaço, erguido integralmente com doações de fiéis, é considerado um dos principais pontos de turismo religioso do Rio Grande do Sul, por onde passam, segundo a administração do Santuário, anualmente, mais de 1,5 milhão de devotos.
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Colaborador da Causa de Reus pela beatificação, o padre Inácio Spohr recorda que no local, onde inicialmente só existia o cemitério particular dos padres jesuítas, pensou-se em construir uma estrutura maior e adequada para acolher os fiéis, que começaram a ir em grande número ao cemitério para visitar o túmulo do Padre Reus.
“Por causa da afluência de devotos que era tão grande, pensaram em oferecer uma estrutura para acolher os fiéis, A primeira coisa que foi feita foi o abrigo na frente do túmulo, em 1953. Esta foi a primeira construção, antes do Santuário. Nesta época, o padre Santini, que morava onde hoje é a antiga Unisinos, foi destacado para atender os peregrinos de Padre Reus. Ele vinha todos os domingos rezar com eles, dar a catequese”, comenta Spohr, destacando que a segunda medida tomada para melhor receber os peregrinos foi a abertura do poço de água.
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Depois disso os outros espaços foram sendo erguidos, como a cripta, o campanário, a residência dos padres e os restaurantes. “Todas as obras pagas com ofertas dos fiéis. Não foi feita festa popular, rifa, nada disso. Teve gente que doava terrenos, caminhão de tijolo, de cimento, empresas que faziam suas doações e o povo simples que doava também”, frisa Spohr.
A igreja tem 14 metros de altura e 32 metros de largura. Ela conta com um painel frontal com 14 metros de altura e 185 metros de largura, montado com pastilhas de vidro representando a cena do Juízo Final feito pelo artista plástico Danúbio Gonçalves.
Na frente, também há um campanário com 45 metros de altura. Dentre outras características, no interior da igreja há uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, em alumínio, cobre e bronze e que mede cerca de seis metros de altura.
Homenagens
Reitor do Santuário, o padre Raimundo Nonato Resende, explica que eventos como a sessão solene desta segunda-feira acabam ajudando no processo de beatificação do Padre Reus, que teve início em 1953 e que segue tramitando no Vaticano.
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“A sessão solene é extremamente importante por ser um reconhecimento, é mais um dado que entra neste processo. Quanto mais expressões, e manifestação de devoção, carinho e respeito ao Padre Reus, melhor para o processo”, comenta.
Nordestino, padre Resende conta que antes de vir para o Sul, mesmo sendo Jesuíta, não sabia quem era o Padre Reus. “A única coisa que eu sabia é que haviam muitas graças atribuídas a ele, que eu lia no relato dos devotos em revistas e no Livro da Família, que tínhamos em casa”, diz.
Ao se aprofundar sobre a história de Reus, padre Resende passou a compará-lo ao Padre Cícero Romão Batista, declarado Servo de Deus em 2022. “Ao ver aqui a quantidade de gente e o estilo da oração das pessoas, cheguei à conclusão de que o Padre Reus é o Padre Cícero do Sul. Cícero é o grande santo popular do Nordeste E aqui é o Padre Reus. Salvando o estilo de cada um e de cada povo, mas a fé e a forma de expressão da fé é a mesma”, diz.
“Um santo de todos”
Outra característica do Santuário, é a diversidade de pessoas que ele atrai, sendo local de consolo e de profissão de fé não apenas para os católicos. “O pessoal do candomblé todo sábado de manhã, às vezes um grupo maior, às vezes menor, faz seus rituais no túmulo, entram na igreja. Eles têm seus rituais próprios e, obviamente, a gente faz questão de acolher muito bem”, destaca o reitor.

Foto: Renata Strapazzon/GES-Especial
Praticante do espiritismo, Ana Lúcia Marques, 53 anos, diz encontrar no Santuário um local de paz e de muitas bênçãos. “Eu credito muitas graças ao Padre Reus. Gosto muito de visitar o Santuário sempre que posso. Sou espírita, mas deposito muita fé no Padre Reus. Para mim, ele é um santo de todos, independente da religião do devoto”, analisa.
Reconhecimento
Proponente da sessão solene em homenagem ao Santuário do Sagrado Coração de Jesus, o vereador Fabiano Haubert, diz que como católico e devoto do Padre Reus, visitar o Santuário e o túmulo de Reus faz parte de seu cotidiano. “Orando, agradecendo e pedindo proteção”, comenta.
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“Eu e minha esposa trabalhamos nas Sextas-Feiras Santas ajudando e auxiliando os romeiros e há muitos anos participo das romarias e caminhadas. O Santuário é um local de fé, de oração, reunião de devotos, pedidos e de transformação, de que a fé move montanhas e faz milagres. A homenagem ao Santuário pelos seus 55 anos é também pelas histórias, pela fé, devoção e como reconhecimento pelo seu valor cultural, histórico e religioso para a comunidade”, frisa.