Mais de 280 usuários de unidades de saúde pública de Campo Bom são beneficiados com sessões gratuitas no Cinema do Centro de Educação Integrada (CEI) — Avenida dos Estados, 1.080. Uma delas ocorreu na tarde de segunda-feira (13).
A iniciativa, que também ocorreu nesta terça-feira (14), exibe o filme A Grande Viagem da Sua Vida (lançamento de 2025) para grupos de unidades como o Centro de Atenção Psicossocial (Caps), Centro Materno Infantil, Ambulatório de Infectologia e os idosos atendidos pelos grupos dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) Centro e Grande Operária.
As sessões fazem parte da programação do Festival da Primavera, promovido pela administração municipal ao longo de toda a estação.
“Isso faz bem, é qualidade de vida”
Para a secretária de Saúde, Luana Schnorr, a ação promove o bem-estar como um todo para os pacientes. “A arte tem um papel transformador na saúde emocional e mental. Momentos como este fortalecem vínculos, promovem bem-estar e mostram que o cuidado vai além das consultas — é também sobre viver experiências que tocam e inspiram.”
O secretário de Desenvolvimento Social, Gabriel Colissi, reforça a importância da atividade para a qualidade de vida dos usuários. “A ação busca proporcionar momentos de lazer, integração e valorização da cultura, fortalecendo o convívio comunitário e o bem-estar dos nossos grupos.”
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A terapeuta comunitária do Caps, Gislaine Maria Ermel Herreira, comenta que ações como essa geram resultados positivos nos pacientes. “Para eles socializarem faz muito bem. Tem que ver quando entraram no ônibus, como estavam interagindo, a felicidade de poder ter um tempo só para eles. Isso faz bem, é qualidade de vida”, afirma.
“Eles começam a se amar e se valorizar, se vendo como parte de uma sociedade em que eles muitas vezes passam batido durante as rotinas corridas, em que as pessoas não param para olhar o cotidiano de quem não tem oportunidade”, continua.
A psicóloga do Cras Centro, Ana Terra, defende a necessidade de ações como essa. “Às vezes eles vêm muito enfraquecidos, e os grupos são uma forma de eles conseguirem se inserir socialmente, interagir e ter essa possibilidade cultural, essas interações sociais fortalecem demais eles.”
“Não lembro qual foi o último filme que vi no cinema”
A vendedora autônoma Marli Freitas da Silva, de 59 anos, moradora do bairro Bela Vista, afirma que é paciente do Caps há cerca de três anos e não ia ao cinema desde os seus 14 anos de idade.
“O tratamento no Caps está sendo muito bom, quando eu cheguei há três anos eu estava muito ruim e agora estou me sentindo muito melhor. Estou empolgada para ver o filme. Não lembro qual foi o último que assisti no cinema, pois faz muitos anos”, conta.
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A dona de casa Claudete Clarinha Kieser, 53, mora no bairro Imigrante Norte e é paciente de Ana pelo Cras há pouco mais de dois anos. “Para mim esse atendimento é bom porque eu saio um pouco de dentro de casa, espaireço a cabeça, vejo pessoas novas, converso, e também faço artesanato” diz.
“A última vez que vim no cinema foi há três anos, foi para assistir à live-action do Rei Leão. Para mim, a melhor parte da experiência de vir ao cinema é o meio do filme, quando a gente ainda está esperando para saber como vai ser o final. Gosto de filmes de ação também”, continua.