Enquanto a maior parte da região acompanhou o desempenho negativo da geração de empregos formais no Rio Grande do Sul em outubro, municípios turísticos da Serra e do litoral norte, além de Canoas, concentraram os saldos positivos.
Os dados fazem parte do Novo Caged, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, e mostram que, mesmo com a retração em grande parte das cidades, setores ligados ao turismo e aos serviços ajudaram a conter uma queda maior no mercado de trabalho regional.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Das seis cidades com melhor desempenho no mês, apenas Canoas não tem perfil turístico e liderou o ranking regional, com saldo positivo de 232 empregos formais. Na sequência aparecem municípios diretamente ligados à temporada de verão e aos eventos de fim de ano: Imbé (+162), Canela (+116), Gramado (+50), Tramandaí (+49) e Nova Petrópolis (+47).
O movimento se reflete principalmente no litoral, que já vive a preparação para a alta temporada. Em Imbé, segunda cidade com maior saldo positivo da região, o crescimento foi de 162 vagas formais em outubro. Em Tramandaí, foram 49 novos postos de trabalho, num período marcado pelo reforço de equipes em hotéis, bares, restaurantes e serviços ligados ao turismo. Os números deverão crescer ainda mais a partir deste mês de dezembro.
Reforço para atender aos turistas
Para a empresária Claudia Matias Moreira, proprietária do Mares do Sul Hotel, em Tramandaí, e integrante do sindicato dos hotéis e restaurantes do município, as contratações são parte de uma rotina anual do setor. “Nessa época começam as contratações de aumento de quadro para hotéis e restaurantes. A grande maioria coloca em torno de 50% do quadro a mais na época da alta temporada. E ainda existem hotéis que só funcionam no verão e contratam praticamente todo o quadro agora, entre novembro e dezembro”, relata.
Na Serra Gaúcha, o reflexo também aparece nas cidades que investem na programação natalina e no turismo de inverno e fim de ano. Canela, Gramado e Nova Petrópolis figuram entre os municípios com saldo positivo, impulsionando a criação de empregos temporários em hospedagem, gastronomia, comércio e serviços.
Depois de um setembro em que a região gerou mais de mil empregos formais, o mercado de trabalho fechou o mês de outubro no vermelho nos principais municípios de cobertura do Grupo Sinos. Juntas, as cidades monitoradas registraram saldo negativo de -788 empregos com carteira assinada, segundo dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado regional acompanha o desempenho do Rio Grande do Sul, que encerrou outubro com saldo de -256 vagas, após forte retração da indústria.
Novo Hamburgo lidera as perdas e repete desempenho negativo
Pelo segundo mês consecutivo, Novo Hamburgo apresentou o pior saldo da região, com -370 empregos formais em outubro. O município teve 3.560 admissões e 3.930 desligamentos no período. O resultado mantém a cidade com o desempenho mais negativo entre os grandes centros da região no mês.
Logo depois aparecem: Parobé (-238), Montenegro (-225), São Leopoldo (-178), Campo Bom (-159) e Igrejinha (-106). O conjunto desses municípios responde pela maior parte do saldo negativo regional.

Foto: Paulo Pires/GES
Canoas volta a liderar resultado positivo
Na outra ponta, Canoas novamente teve o melhor desempenho entre os municípios da região, com saldo positivo de 232 empregos formais. O município registrou 4.651 admissões e 4.419 desligamentos, mantendo-se como o principal polo de geração líquida de vagas no período.
Também apresentaram saldo positivo relevante: Imbé (+162), Canela (116), Gramado (50), Tramandaí (49), Nova Petrópolis (47) e São Sebastião do Caí (+43).
Moradora de Gravataí, Anelise da Silva Bandeira, 45 anos, comemora a recente recolocação no mercado de trabalho. A auxiliar administrativa conta que, após procurar emprego na região metropolitana, Canoas foi novamente a cidade com mais opções de vagas.
“Fiquei cerca de quatro meses procurando um novo trabalho. Foi o período mais longo sem carteira assinada desde que comecei a trabalhar. Estava buscando uma vaga de auxiliar administrativo na área da saúde. Há 22 anos atuo no setor. Em Canoas, o mercado é mais aberto para a minha profissão. O número de clínicas é maior e segue em constante expansão. Meu trabalho anterior também foi no município”, destaca Anelise.
Para a auxiliar administrativa, a qualificação é um dos pontos primordiais para conseguir uma colocação.
“Se atualizar e fazer novos cursos é um diferencial na hora da seleção”, pontua. (Taís Forgearini)
Vale do Paranhana inteiro no vermelho
O Vale do Paranhana teve um dos desempenhos mais preocupantes do mês de outubro no mercado formal de trabalho. Todas as cidades da região registraram saldo negativo. O resultado mais expressivo foi o de Parobé, que perdeu 238 vagas formais no mês, seguido por Igrejinha (-106), dois dos principais polos industriais da região. Também fecharam no negativo Rolante (-36), Três Coroas (-13), Taquara (-11) e Riozinho (-11).
Vale do Caí também no negativo
O Vale do Caí também encerrou outubro com desempenho negativo no conjunto dos municípios analisados. O principal impacto veio de Montenegro, que registrou saldo de -225 empregos formais, puxando o resultado regional para baixo e concentrando a maior parte das perdas do vale no mês. Bom Princípio (-8), Capela de Santana (-25) da mesma forma sofreram perdas. Na contramão, São Sebastião do Caí apresentou saldo positivo ao gerar 43 empregos formais em outubro.
Rio Grande do Sul recua e indústria puxa resultado para baixo
No cenário estadual, assim como na região, o Rio Grande do Sul fechou outubro com saldo negativo de -256 postos de trabalho. O principal fator foi o desempenho da indústria, que registrou perda de -5.697 vagas no mês. Apesar disso, três setores de Serviços (+2.505 vagas), Comércio (+1.618) e Agropecuária (+1.582) tiveram resultado positivo.
A construção civil também fechou no negativo, com -264 postos. No acumulado de 2025, o Estado soma 77,9 mil empregos formais.
Brasil mantém saldo positivo no ano, mas desacelera em outubro
No cenário nacional, o Brasil chegou a 1,8 milhão de empregos com carteira assinada em 2025. Em outubro, no entanto, o saldo foi mais modesto: 85.147 vagas. Ao todo, foram 2,27 milhões de admissões e 2,18 milhões de desligamentos. O salário médio de admissão no país foi de R$ 2.304,31, com alta real de 0,8% em relação a setembro.
Saldo de empregos em outubro
Maiores saldos positivos:
- Canoas: +232
- Imbé: +162
- Canela: +116
- Gramado: +50
- Tramandaí: +49
- Nova Petrópolis: +47
Maiores saldos negativos:
- Novo Hamburgo: -370
- Parobé: -238
- Montenegro: -225
- São Leopoldo: -178
- Campo Bom: -159
- Igrejinha: -106
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