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PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Símbolos de gerações: Pontes centenárias da região resistem e viram atrações turísticas

Estruturas ainda conservam potencial turístico e histórico como legado

Moacir Fritzen
Publicado em: 17/10/2025 às 10h:20 Última atualização: 17/10/2025 às 12h:08
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Mais de 100 anos se passaram, as populações e as cidades cresceram e novos meios de transporte foram criados, mas algumas pontes centenárias ainda resistem às ações humanas e do tempo.

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Mesmo enfrentando enchentes, várias destas estruturas centenárias permanecem de pé, como uma espécie de símbolos de resistência. Algumas estão sem uso, abandonadas, com vegetação crescendo ao redor, ou espremidas por asfalto, concreto e outros materiais – estão tão escondidas que muitas pessoas podem passar por eles e nem notar a sua presença. São quase como monumentos “anônimos” de um passado glorioso.

Mas existem também exemplos daquelas estruturas que servem de referência e ainda são utilizadas pelas comunidades, seja como rota de passagem ou pontos turísticos, atraindo visitantes de incontáveis recantos interessados nas suas histórias.

Alguns desses monumentos são visitáveis, como a Ponte 25 de Julho (São Leopoldo), a Ponte do Imperador (Ivoti), a Ponte de Pedra (Dois Irmãos) e a Ponte de Ferro (Feliz) – as duas últimas tiveram a construção de estruturas mais amplas ao lado recentemente, recebendo as merecidas “férias” do trânsito e passando a servir basicamente como atrativos turísticos e históricos.

Existe também o caso da antiga ponte de madeira sobre o Arroio Feitoria, que num dos pilares informa o ano de construção em 1916 e, mesmo após suportar a fúria de natureza, ainda é frequentada por participantes de trilhas ou para acessar a antiga usina hidrelétrica da Picada 48 e a Cascata São Miguel, no limite entre Dois Irmãos e Ivoti.

A cidade de Riozinho também fez um esforço para salvar uma ponte de ferro construída em 1907.

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Já em Canoas e São Leopoldo, ainda podem ser vistas partes de pontes ferroviárias que integravam a antiga linha de trem entre a capital gaúcha e o Vale do Sinos na década de 1870.

“Na pasta de Obras Públicas do Arquivo Público aparecem muitas outras sendo construídas a partir de 1850. Mas é possível que a maior parte delas tenha sido provisória ou precária”, menciona o historiador Cristiano Enrique de Brum, que já fez levantamentos de algumas destas passagens.

“As pontes históricas não são apenas obras públicas de engenharia, muitas delas além de serem antigamente referidas como ‘obras de arte’ também tinham importante função econômica. As pontes não somente ligam território ou tão pouco apenas permitem passagem, elas são, especialmente, viabilizadoras de necessidades humanas”, destaca.

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São obras para valorizar, admirar e preservar, verdadeiros marcos históricos e arquitetônicos da região.

Ponte de Pedra (Dois Irmãos)

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A Ponte de Pedra foi construída em 1855 sobre o Arroio Feitoria | abc+



A Ponte de Pedra foi construída em 1855 sobre o Arroio Feitoria

Foto: Prefeitura de Dois Irmãos/divulgação

A Ponte de Pedra foi construída em 1855 sobre o Arroio Feitoria. O capitão Jacob Blauth foi o responsável pela obra e Johannes Sauther era o mestre de obras. Loudwick Daniel Kurz era o fornecedor de pedras grês, que foram trazidas provavelmente das terras da família Stoffel. Essa ponte sempre foi uma importante conexão entre o Travessão Rübenich e o Centro de Dois Irmãos.

Ponte do Imperador (Ivoti)

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Ponte do Imperador foi construída entre 1857 e 1864 | abc+



Ponte do Imperador foi construída entre 1857 e 1864

Foto: Divulgação/Prefeitura de Ivoti

A Ponte do Imperador foi construída entre 1857 e 1864 em Ivoti (Bom Jardim na época) e recebeu esse nome em homenagem a Dom Pedro II. Tornou-se Patrimônio Histórico Nacional em 1986. A obra foi realizada sob o comando de Jacob Blauth, e teve como mestre de obras Johannes Sauther – os mesmos responsáveis pela construção da Ponte de Pedra em Dois Irmãos.

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Ponte ferroviária (Canoas)

Ponte ferroviária é um resquício da linha de trem que ligava Porto Alegre ao Vale do Sinos e foi construída na década de 1870 | abc+



Ponte ferroviária é um resquício da linha de trem que ligava Porto Alegre ao Vale do Sinos e foi construída na década de 1870

Foto: Paulo Pires/GES

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A ponte ferroviária está “espremida” por vias asfaltadas em Canoas. É um resquício da antiga linha férrea que ligava a capital ao Vale do Sinos – construída em 1874. Atualmente está desativada e cercada por mamonas, mas mantém seu valor histórico. 

Ponte ferroviária (São Leopoldo)

Pedaço da antiga ponte férrea sobre o Rio dos Sinos,nas proximidades dos trilhos da Trensurb, em São Leopoldo | abc+



Pedaço da antiga ponte férrea sobre o Rio dos Sinos,nas proximidades dos trilhos da Trensurb, em São Leopoldo

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial

Pedaço da antiga ponte férrea na Avenida Mauá, em São Leopoldo | abc+



Pedaço da antiga ponte férrea na Avenida Mauá, em São Leopoldo

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial

Em São Leopoldo também existem dois pedaços de ponte ferroviária da mesma linha construída na década de 1870. Uma dessas partes fica na margem do Rio dos Sinos e pode ser vista quando se está a bordo de algum vagão do trensurb ao passar nas imediações. O outro fragmento está exposto em um canteiro na Avenida Mauá e serve como uma espécie de monumento da viação férrea. 

Ponte 25 de Julho (São Leopoldo)

Ponte 25 de Julho foi construída entre os anos de 1871 e 1876 em São Leopoldo | abc+



Ponte 25 de Julho foi construída entre os anos de 1871 e 1876 em São Leopoldo

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial

A Ponte 25 de Julho foi construída por Pierre François Alphonse Mabilde – também conhecido como Alfonso Mabilde –, em São Leopoldo, entre os anos de 1871 e 1876. A travessia fica em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição. A estrutura metálica provavelmente foi importada da Europa. A ponte foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) em 1980.

Ponte de Ferro (Feliz)

A Ponte de Ferro de Feliz  foi inaugurada em março de 1900 | abc+



A Ponte de Ferro de Feliz foi inaugurada em março de 1900

Foto: Prefeitura de Feliz/Divulgação

A Ponte de Ferro de Feliz foi inaugurada em março de 1900. A estrutura foi trazida desmontada da Bélgica (lá era usada para transporte ferroviário). Recentemente, a prefeitura construiu uma nova ponte ao lado. A construção foi viabilizada por meio do decreto 185, de novembro de 1898, que concedeu aos irmãos João e Aquelo Corrêa Ferreira da Silva a permissão para construí-la e explorar pedágio por 25 anos.

Em junho de 2008, a ponte foi tombada como Patrimônio Histórico do Estado pela lei 12.989, de 13 de junho.

Após servir ao tráfego de veículos por mais de um século, desde meados de 2025 é destinada exclusivamente à passagem de pedestres e à apreciação de sua beleza e valor histórico.

Ponte de Ferro (Riozinho)

Ponte de ferro histórica foi "salva" em 2011 numa operação com guindastes | abc+



Ponte de ferro histórica foi “salva” em 2011 numa operação com guindastes

Foto: Arquivo/Prefeitura de Riozinho

Construída em 1907, uma ponte de ferro foi “salva” pela prefeitura de Riozinho. Em 2011, guindastes e carretas foram usadas para deslocá-la cerca de 10 metros. Uma nova estrutura foi construída no local onde ela ficava.

Ponte Coberta (São José do Hortêncio)

Ponte coberta na localidade de Arroio Bonito, em São José do Hortêncio, datada de 1911 | abc+



Ponte coberta na localidade de Arroio Bonito, em São José do Hortêncio, datada de 1911

Foto: Ademir Spindler e Claudio Alves/Divulgação

A ponte coberta fica na localidade de Arroio Bonito, em São José do Hortêncio, datada de 1911. É usada por praticantes de trekking e permite atravessar um arroio. Nas imediações fica uma gruta.

Ponte da Cascata São Miguel (Ivoti/Dois Irmãos)

Ponte junto da antiga usina hidrelétrica e da Cascata São Miguel tem uma inscrição do ano de 1916 num dos pilares | abc+



Ponte junto da antiga usina hidrelétrica e da Cascata São Miguel tem uma inscrição do ano de 1916 num dos pilares

Foto: Divulgação

Nas proximidades da antiga usina hidrelétrica junto da Cascata São Miguel, no limite entre Dois Irmãos e Ivoti, uma ponte de madeira construída em 1916 ainda resiste, embora com danos devido a enchentes e a ação do tempo. A estrutura é tombada pelo Iphae.

Outras pontes quase centenárias na região

Existem outras pontes que também podem ser consideradas antigas na região e que também atraem a atenção de visitantes, além de ainda exercerem as suas funções na mobilidade, por permitirem acessos e serem rota para o transporte de cargas e pessoas.

Ponte Coberta Arlindo Lauffer (Três Coroas)

Ponte Coberta Arlindo Lauffer conta com iluminação | abc+



Ponte Coberta Arlindo Lauffer conta com iluminação

Foto: Fragafotos.wordpress.com/Divulgação

A Ponte Coberta Armindo Lauffer cruza o Rio Paranhana, junto da Rua Mundo Novo, na área central de Três Coroas. Construida em 1956, já suportou dois acontecimentos que marcaram a sua história. Durante a enchente de 1982 teve praticamente toda sua estrutura abalada e em 1999 o telhado foi destruído por um vendaval.

Ponte do Passo do Inferno (São Francisco de Paula/Canela)

Ponte do Passo do Inferno fica no limite entre São Francisco de Paula e Canela | abc+



Ponte do Passo do Inferno fica no limite entre São Francisco de Paula e Canela

Foto: Divulgação/Prefeitura de São Francisco de Paula

A Ponte do Passo do Inferno é uma estrutura metálica construída entre 1932 e 1935. O material utilizado veio da Alemanha. Localizada em uma estrada de terra entre São Francisco de Paula e Canela, no interior, ela cruza um vale com cachoeiras e paisagens naturais. O nome Passo do Inferno é anterior à ponte, devido à dificuldade de travessia do curso d’água.

Ponte ferroviária (Canoas)

Ponte ferroviária sobre o Rio dos Sinos em Canoas é datada de 1938 | abc+



Ponte ferroviária sobre o Rio dos Sinos em Canoas é datada de 1938

Foto: Divulgação

A Ponte ferroviária sobre o Rio dos Sinos, construída na década de 1930, foi a primeira obra permanente de ligação entre Canoas e Morretes, no Passo do Rio dos Sinos. Antes disso, como aponta, em entrevista, o historiador Edison Barcellos, o município convivia com as antigas práticas canoeiras e alguns portos que permitiam atracagem de barcos e, especialmente, balsas, que se popularizaram a partir da década de 1940. Ainda recebe a passagem de trens que fazem o transporte de mercadorias. É visitada por pedestres e ciclistas que aproveitam para fotografar e gravar vídeos.

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