Em março de 2022, a cidade de Parobé anunciou o começo de uma nova era no transporte coletivo municipal. Há quatro anos, a população local começou a se locomover pela cidade de ônibus sem precisar pagar pela passagem. A Tarifa Zero foi uma novidade ousada para o município que, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem cerca de 53 mil habitantes.

Foto: Ruan Nascimento/Especial
Parobé foi a primeira cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre a implementar o sistema, que, no Brasil, abrange mais de 180 cidades, segundo dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). No Estado, cidades como Portão e Canoas também contam com gratuidade.
Deu certo
“A Tarifa Zero foi uma política pública que deu muito certo em Parobé, e nosso papel tem sido aprimorar o sistema”, afirma o prefeito Gilberto Gomes, que assumiu a administração municipal em 2025 com a missão de manter a iniciativa implementada pelo ex-prefeito Diego Picucha. Ele lembra que, desde sua posse, toma o cuidado muito grande em manter a qualidade do serviço mesmo com o eventual aumento da demanda.
“Fizemos ajustes principalmente nas rotas, nos horários e nos pontos de parada, ampliando o atendimento onde havia maior necessidade e reorganizando trechos com menor fluxo. Também estamos constantemente avaliando os dados de utilização para manter um transporte eficiente, confortável e que continue atendendo bem a população”, completa.
Investimentos
Atualmente, o transporte público de Parobé opera com três ônibus. Ao todo, são 29 linhas, sendo duas delas principais, uma urbana e outra rural. Todos os veículos contam com acessibilidade e ar-condicionado.
Além disso, o acesso aos horários dos ônibus pode ser conferido pela população em tempo real, através do aplicativo Teu Ônibus, que permite ver os horários e fazer o acompanhamento das linhas e do trajeto dos veículos em tempo real.
O serviço é feito por uma empresa terceirizada, com o subsídio sendo pago integralmente pela prefeitura. Segundo o prefeito, parte dos recursos veio da arrecadação do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) em 2025. Hoje, Parobé investe cerca de R$ 120 mil por mês com a Tarifa Zero, com o custo de R$ 10,18 por quilômetro rodado.
Planos
“Esse investimento atende, em alguns dias, aproximadamente 1 mil passageiros, o que representa cerca de 20 mil passageiros por mês. É um número muito significativo, pois antes da implementação, apenas 200 pessoas usavam o transporte público por dia”, destaca Gomes.
Como próximos passos, o prefeito afirma que o município está estudando a possibilidade da implantação de ônibus elétricos, entre outras alternativas para viabilizar modernizações no serviço.
“A ideia é avançar cada vez mais em um transporte público mais sustentável, moderno e eficiente, reduzindo ainda mais as emissões e trazendo benefícios ambientais para a cidade”, frisa.
Impacto positivo no comércio com a maior facilidade de deslocamento
O prefeito Gilberto Gomes comenta que, desde a implementação da Tarifa Zero, o movimento no comércio de Parobé aumentou, especialmente pela facilidade de deslocamento entre diferentes bairros para os moradores. “Também ficou viável o deslocamento de trabalhadores, o que fortalece a economia da cidade”, aponta.
Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Parobé, Reginaldo Hessler, entre os impactos positivos no comércio está a facilidade para os moradores terem mais tempo para decidir sobre suas compras. “Hoje é possível ir até uma loja, verificar se o produto realmente é o que procura, voltar para casa e retornar em outro momento, sem precisar gastar com passagem”, exemplifica.
Além disso, Hessler complementa que, com a economia de gastos com transporte público, a população de Parobé tem mais facilidade ao comprar produtos que não sejam de primeira necessidade. “Com a Tarifa Zero, é possível utilizar o valor que antes era gasto com passagem para realizar essas compras.”
Opinião dos usuários
Na visão de usuários, a Tarifa Zero em Parobé traz muitos benefícios para o dia a dia. Para o aposentado Luiz Lima, o serviço é bastante eficiente. “É um serviço muito bom, com ônibus confortáveis. Ajuda muito para se deslocar entre os bairros com segurança.” Já o vendedor Francisco dos Santos usa o transporte público para trabalhar e acha excelente a praticidade de saber o horário exato do ônibus. “Eu consigo ver pelo celular onde o veículo está, o que ajuda a me programar para estar na parada no momento certo. É um serviço eficiente”, conta.
Também há demandas. A passageira Rosane de Azeredo comenta que, muitas vezes, há a dificuldade de pegar o ônibus em horários que não sejam os de pico. “A maior parte das linhas saem de manhã cedo ou no final da tarde. E isso é complicado para quem vai ao médico e precisa trabalhar depois, por exemplo.” A dona de casa Sandra Silva também aponta que o serviço deveria ter mais horários a disposição. “Seria mais viável ter mais ônibus disponíveis, para que as pessoas não fiquem muitas horas esperando o transporte. Os veículos são muito bons, mas não adianta que sejam poucos para toda a população”, opina.