O voluntariado costuma dar certo, seja em associações ou eventos. A Oktoberfest de Igrejinha, que tem quase 3 mil voluntários, é um exemplo disso. Na área da segurança, a região tem predominância da atuação dos bombeiros voluntários. É o caso das cidades de Três Coroas, Nova Hartz, Igrejinha, Araricá e Rolante.

Foto: Divulgação
Um trabalho árduo, amplo, de muitas naturezas e imprevisibilidades. Não importa se faça chuva ou faça sol, sempre haverá um combate a incêndio, um resgate ou salvamento aquático, uma vítima presa às ferragens em um acidente de trânsito ou um simples corte de árvore. Esses verdadeiros guerreiros precisam estar à disposição no momento de um chamado. Mas, afinal de contas, como é a preparação de um bombeiro voluntário?
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Conforme explica o comandante dos Bombeiros Voluntários de Nova Hartz Glaucio Dietrich, a formação de um bombeiro voluntário leva em torno de nove meses, considerando cursos preparatórios e estágio. Nesse meio tempo, a ideia é que esses aspirantes acompanhem as ocorrências com os bombeiros que já são formados.
“Eles fazem geralmente no contraturno da sua profissão ou até aos sábados e domingos. São pessoas de outras cidades e, geralmente, não têm auxílio para combustível”, explica Dietrich. Ele também é diretor administrativo do Voluntersul (que é a associação que responde pelo trabalho dos bombeiros voluntários no Rio Grande do Sul).
Custos, escalas e auxílio financeiro
Ainda que majoritariamente sejam voluntários, a organização das equipes tem funcionários que são de um quadro efetivo – contratados – e que seguem uma escala como de uma empresa. Os voluntários, que na maioria das vezes têm outra profissão, seguem escalas flexíveis e que variam de 6 a 12 horas por semana, a depender dos critérios adotados por cada quartel.
Para que essas estruturas sejam mantidas, já que além do material humano há veículos, manutenção, combustíveis etc, as prefeituras prestam ajuda financeira. No caso da ABVTC, a Prefeitura faz o repasse de R$ 90 mil mensais. Além disso, outro auxílio é o da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), que repassa R$ 15 mil por mês para que os Bombeiros Voluntários de Três Coroas façam atendimento em demandas nas rodovias da região, como RS-020 e 115, em ocorrência veicular ou lavagem de pista.
Em Nova Hartz, há o apoio da Prefeitura no valor de R$ 15 mil mensais, além de promoções e eventos para custear a estrutura.

Foto: Bombeiros Voluntários de Três Coroas/Divulgação
Preparação intensa
Victor Thomazi, que além de bombeiro voluntário é assessor administrativo da Associação de Bombeiros Voluntários de Três Coroas (ABVTC), conta que, por ter uma abrangência para atuação bastante ampla, a preparação do bombeiro voluntário exige amplitude técnica. “Temos a causa preventiva, que são operações como corte de árvores, combate a incêndios, atendimento pré-hospitalar, resgate em altura. Consequentemente, precisamos treinar para tudo isso. Então, o treinamento é desenhado de forma ampla, porém enxuta. Treinamos por módulos para cada uma das áreas que vamos atuar”, explica.
Voluntários e suas profissões
Muitos que se dedicam ao voluntariado para atuar como bombeiro fazem outros esforços. “Temos muitas pessoas que nem moram em Nova Hartz, mas trabalham em nossa corporação”, fala Dietrich. Além disso, outro fato que chama a atenção é a variedade de profissões dos voluntários. “Aqui em Três Coroas temos mecânicos, calçadistas e até guias de raft”, conta Thomazi. Em Nova Hartz, há professores, comerciantes, técnicos de Enfermagem e até coveiro.
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Elas conquistam espaço
Seja para resgate em altura, operação de auxílio a outros órgãos de autoridade como Brigada Militar, Polícia Civil ou corporações de cidades vizinhas, o trabalho de um bombeiro é bastante amplo. Embora historicamente a profissão de bombeiro tenha sido dominada por homens, as mulheres estão ganhando cada vez mais espaço e assumindo papéis importantes nos quartéis. Em Nova Hartz, de acordo com Glaucio Dietrich, dos quase 70 bombeiros à disposição, 35% são mulheres.