Apesar do cenário de incerteza no abastecimento de combustível no País, o transporte coletivo segue operando normalmente na maior parte das cidades do Vale do Sinos e região.
Empresas do setor, no entanto, admitem preocupação com a redução na oferta de diesel e já trabalham com planos emergenciais para evitar impactos maiores à população.
A principal alteração até o momento ocorre em Dois Irmãos. A empresa Wendling anunciou a suspensão temporária de alguns horários da linha Circular entre os dias 18 e 20 de março, como medida preventiva diante da possível falta de combustível. As interrupções atingem os horários das 9h, 10h, 14h e 15h.

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Por enquanto essas sanções são por precaução. Nós não sabemos ainda, com essa loucura do preço aumentando a cada dia, e restrição de produto, como será o cenário futuro. Então está bem complicado”, afirmou o gerente administrativo da Wendling, André Hentz.
Uma nova avaliação será feita nesta sexta-feira (20), podendo haver mudanças na operação conforme a disponibilidade de diesel. Ou seja, o cenário pode se estender para os próximos dias.
Plano emergencial e monitoramento
Nas demais cidades, o cenário é de cautela, mas sem alterações na grade até o momento.
A Citral informou que segue operando normalmente, embora já sinta reflexos no abastecimento. Segundo a empresa, o combustível continua sendo entregue, porém em menor quantidade e com aumento no preço.
Diante disso, a companhia afirma ter um plano emergencial pronto para ser colocado em prática, caso necessário. A estratégia prevê a redução de horários sobrepostos e priorização de linhas essenciais, como as que atendem hospitais, escolas e empresas.
Em Novo Hamburgo, a Visac também mantém a operação normal. A empresa participou de uma reunião com a Prefeitura na segunda-feira (16) para discutir o cenário, mas não houve divulgação do conteúdo. Até o momento, nenhuma mudança foi anunciada e a grade segue inalterada.
Já em São Leopoldo, o transporte chegou a ser afetado no último fim de semana. De acordo com o Consórcio Operacional Leopoldense (Coleo), houve dificuldade na compra de diesel, o que levou à suspensão total das linhas no domingo (15) e operação apenas em horários de pico no sábado (14).

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Desde segunda-feira (16), no entanto, o serviço foi normalizado. O consórcio afirma que segue monitorando diariamente o estoque de combustível. “Estamos em tratativas com a Prefeitura sobre como agir nos próximos dias. Ainda não temos uma definição. Então, no momento não há alterações, mas também não se pode descartar que elas venham a acontecer”, informou a Coleo por meio da assessoria.
No Rio Grande do Sul, os reflexos chegaram ao município de Formigueiro, na região Central. A prefeitura decretou, na terça-feira (17), situação de emergência diante dos impactos no abastecimento e da alta nos preços dos combustíveis, que já afetam serviços essenciais e o escoamento da produção agrícola.
Pressão no diesel e risco de desabastecimento
O cenário enfrentado pelas empresas ocorre em meio a uma pressão global sobre o diesel, influenciada por instabilidades no mercado internacional de petróleo, como o conflito no Oriente Médio, que impacta a oferta e eleva os preços.
No Brasil, a alta recente do combustível também reacendeu discussões sobre tributos. O governo federal estuda medidas para conter os preços, incluindo o ato de zerar tributos federais e sugerir aos estados a redução do ICMS sobre o diesel.
A situação também mobilizou o setor de transporte de cargas. Apesar da preocupação com os custos, entidades nacionais já indicaram que não há, neste momento, confirmação de paralisação de caminhoneiros.
Mudanças no transporte dependem de cada município
A Federação das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio Grande do Sul (Fetergs) afirma que não há um levantamento consolidado sobre pedidos de alteração nas operações, já que as decisões sobre o transporte urbano são tomadas individualmente por cada município.
Segundo a entidade, eventuais mudanças nas grades horárias ou ajustes no sistema dependem de negociações locais entre empresas e prefeituras, o que também se aplica a possíveis reajustes de tarifa.
A federação destaca ainda que “não há uma solução única para o cenário enfrentado no País”, já que cada região lida de forma diferente com os impactos do aumento no custo do combustível. Em geral, conforme a Fetergs, o caminho tem sido buscar alternativas que garantam a continuidade do serviço e o atendimento à população, em alguns casos com participação do poder público e até do Ministério Público.
O presidente da Fetergs, Sérgio Tadeu Pereira, informou que cerca de 20% do custo operacional das empresas está relacionado à compra de óleo diesel.
A cautela é reforçada pelo Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Rio Grande do Sul (Sulpetro), que afirma que o cenário de abastecimento no Estado permanece inalterado, com fornecimento de diesel ocorrendo de forma racionada.
Segundo a entidade, a limitação na oferta está ligada tanto à redução na liberação do combustível pelas refinarias quanto à dependência de importação — cerca de 30% do diesel consumido no País vem do exterior. Esse volume tem chegado ao mercado com custo mais elevado, pressionado pelo cenário internacional e pelo aumento da demanda durante o período de safra.