abc+

TRADIÇÃO

VÍDEO: Três histórias mostram como a Carreteada de Lomba Grande se mantém viva há 22 anos

A 22ª edição da carreteada reuniu mais de 3 mil pessoas e contou com a participação de cerca de 350 carretas

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 28/03/2026 às 18h:21 Última atualização: 28/03/2026 às 20h:18
Publicidade

Há 22 anos, a Carreteada de Lomba Grande se mantém viva não apenas pelo desfile de carretas, mas pelas histórias de quem constrói essa tradição em diferentes momentos da vida.

Publicidade

Entre quem ajudou a criar, quem nunca deixou de participar e quem hoje acompanha do lado de fora, o evento segue atravessando gerações dentro das próprias famílias.

Carreteada de Lomba Grande reúne cerca de 350 carretas e 3 mil pessoas na edição de 2026 | abc+



Carreteada de Lomba Grande reúne cerca de 350 carretas e 3 mil pessoas na edição de 2026

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

Para o presidente da Associação dos Amigos Carreteiros de Lomba Grande, Décio Machado, a ligação com o evento começou muito antes de o desfile existir, afinal ele foi um dos fundadores da carreteada.

Aos 70 anos, ele carrega o sentimento de quem viu a tradição nascer e crescer. “Isso aqui mostra como era antigamente, o trabalho das famílias com as carretas de boi. É uma forma de preservar a nossa história”, afirma.

LEIA AQUI: Dia D de vacinação marca início da campanha contra influenza; veja quem pode se imunizar

Publicidade

Desde a primeira edição, Machado acompanha de perto a evolução do evento, que hoje reúne milhares de pessoas e centenas de carretas. Como um dos mais antigos participantes e agora na coordenação do grupo, ele se sente na obrigação de manter viva uma cultura herdada dos antepassados.

“A gente se sente com o dever de fazer o melhor possível para esse pessoal. Isso aqui vem da roça, dos nossos antepassados. O pessoal precisa saber de onde vem”, completa.

 Caio Momberger com a esposa, a filha de cinco anos e o sobrinho de apenas um ano | abc+



Caio Momberger com a esposa, a filha de cinco anos e o sobrinho de apenas um ano

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

Publicidade

Se ele representa a origem, o agricultor Caio Momberger, 33, simboliza a continuidade dessa tradição. Presente em todas as edições da carreteada, ele cresceu dentro desse contexto e hoje já começa a repassar esse legado para a próxima geração.

“Isso é uma coisa que vem de berço. Começou com o meu avô, depois passou para o meu pai e agora a gente segue. E já está passando a importância dessa cultura também à filha e para o sobrinho”, conta.

Publicidade

BR-116: Rodovia tem mais um trecho com desvio para obras em Novo Hamburgo

Ao lado da esposa Franciele da Silva, da filha Maria Helena, de cinco anos, e do sobrinho Guilherme, de um ano, Momberger mantém viva uma prática que faz parte da identidade da família. Ao longo dos anos, acompanhou mudanças no percurso e na organização, mas nunca deixou de participar.

“Eu venho em todas, nunca faltei nenhuma. A gente se criou nisso e, enquanto puder, vai continuar vindo”, afirma. Hoje, além de desfilar, Caio Momberger também integra a organização da carreteada, um reflexo de quem cresceu dentro da tradição e passou a assumir um papel ativo na sua preservação.

Publicidade

METEOROLOGIA: Onda de calor se intensifica no fim de semana com máximas perto dos 40ºC no RS

Já para a dona de casa Carina da Silva Gomes, 45, a relação com a carreteada também atravessa décadas, mas ganhou novos contornos com o passar do tempo. Se antes ela participava diretamente do desfile, na companhia do pai, hoje acompanha o evento como espectadora para não deixar de fazer parte da tradição.

Publicidade

“Eu cresci nesse contexto rural e participando das carreteadas. Meu pai andava com carreta de boi e eu ia junto. Depois formei família e todos passaram a participar também. Nos últimos anos, a gente está mais assistindo, mas não deixa de prestigiar essa tradição”, relata.

Carina da Silva Gomes, que já participou dos desfiles, nos últimos anos apenas assiste o evento com a família | abc+



Carina da Silva Gomes, que já participou dos desfiles, nos últimos anos apenas assiste o evento com a família

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

Publicidade

Mesmo do “lado” de fora, o sentimento permanece o mesmo e segue sendo compartilhado com as novas gerações da família. “Essa tradição passa de geração para geração. Hoje meu neto adora. Para mim, a carreteada simboliza família, união e o tradicionalismo”, resume.

Mais de 3 mil participantes na edição deste ano

Reconhecida desde 2022 como patrimônio histórico-cultural imaterial de Novo Hamburgo, a Carreteada de Lomba Grande reforça práticas herdadas dos colonos, que utilizavam as carretas de boi como principal meio de transporte.

Promovido pela Associação dos Amigos Carreteiros de Lomba Grande, fundada em 2003, o evento também busca preservar tradições e fortalecer a agricultura familiar.



A 22ª edição da carreteada aconteceu neste sábado (28) e reuniu mais de 3 mil pessoas, com a participação de cerca de 350 carretas ao longo do trajeto.

A programação teve início no espaço Paulinho Koetz, com desfile pela Rua João Aloysio Algayer até a Sociedade Gaúcha de Lomba Grande, onde os carreteiros acamparam. À noite, os carreteiros participam de um baile.

ENTRE NO CANAL DO ABCMAIS NO WHATSAPP

Ao longo da tarde, desde as primeiras horas, famílias inteiras se reuniram ao longo do percurso para prestigiar a passagem das carretas. Em meio ao calor, muitos buscavam áreas de sombra para acompanhar o desfile.

Publicidade