Um ano após o ataque de abelhas a cavalarianos em Ivoti — episódio que teve repercussão nacional —, a Cavalgada da Amizade voltou aos campos e trilhas da Encosta da Serra. No sábado (25), o grupo, formado por mais de 150 participantes, entre crianças, adultos e idosos, iniciou um percurso de 55 quilômetros mantendo a essência que motivou a criação do evento: a amizade.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Ainda na madrugada de sábado, cavalarianos e amazonas encilharam os cavalos no CTG Cotiporã, em Ivoti. Por volta das 7h30, iniciaram o trajeto por trilhas e campos do município em direção a São José do Hortêncio, no Vale do Caí.
Entre os participantes, estava a pequena Maria Eduarda Griebler, de apenas 1 ano. Influenciada pelo pai, Eduardo Gabriel Griebler, ela ensaia as primeiras montarias, sempre acompanhada pela família. O pai observa a filha com orgulho e espera que, no futuro, ela possa ser uma nova companheira de cavalgada.
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“Desde pequeno me criei no lombo do cavalo. Agora, tenho minha família e espero um dia poder compartilhar esses momentos com ela”, diz Eduardo.
A cavalgada também reuniu histórias de convivência entre gerações. Aos 80 anos, Ernesto Bortoli, conhecido como Nono, levou para o trajeto o neto Guilherme, de 18 anos, a quem chama de melhor amigo.
“O meu neto me acompanha desde os 3 anos. Ele já cavalgava na infância”, conta Bortoli.
Para Guilherme, o avô é uma fonte de inspiração e um elo importante na família.
“Cresci vendo meu vô. Ele foi importante para mim, porque sempre me ajudou. Hoje, eu tenho a oportunidade de ajudar ele. Para mim, isso é uma honra”, afirma.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Trauma das abelhas
No ano passado, o grupo já havia encerrado o trajeto da 12ª Cavalgada da Amizade quando foi surpreendido por um enxame no Núcleo de Casas Enxaimel, em Ivoti. Mais de 20 pessoas ficaram feridas e um cavalo morreu em razão do ataque. O episódio foi considerado atípico pela organização, já que não havia registro de situação semelhante nas edições anteriores
Neste ano, os organizadores afirmam que o trajeto foi estudado com mais atenção para reduzir o risco de aproximação de áreas com possibilidade de enxames. Além disso, nas paradas para hidratação e uso de banheiros, os cavalos passaram a ser mantidos afastados de matas e áreas fechadas.
O coordenador da Cavalgada da Amizade, Wanderlei Molter, lembra que o ataque de abelhas registrado no ano passado foi um episódio difícil para o grupo, mas também serviu de aprendizado para reforçar os cuidados nas novas edições.
“Foi uma situação muito difícil, mas, com a natureza, a gente não pode. A natureza e Deus são maiores. Foi um aprendizado. Depois daquele acidente, vimos que precisamos tomar ainda mais cuidado e melhorar a cada ano”, afirma.
No episódio, um potro morreu e cerca de 20 pessoas precisaram de atendimento hospitalar. Para Wanderlei, o ocorrido marcou os integrantes da organização e os cavalarianos.
Segundo ele, a atenção foi redobrada principalmente na escolha dos locais de parada dos animais. Embora essa avaliação já fosse feita anteriormente, o cuidado agora é maior.
Sobrevivente do ataque retorna à cavalgada
Um dos sobreviventes do ataque de abelhas, Fernando Plácido, conhecido como Beiço, voltou a participar da Cavalgada da Amizade neste ano. Para ele, o evento segue seguro e marcado pelo companheirismo entre os participantes.
“A Cavalgada da Amizade já diz no nome: é amizade. É uma cavalgada segura, o pessoal é amigo, todo mundo é parceiro, todo mundo se ajuda e todo mundo cuida dos cavalos”, afirma.
Plácido avalia que o acidente ocorrido na edição anterior foi uma fatalidade, sem relação com a organização do evento. Segundo ele, o grupo soube enfrentar o episódio e seguir adiante.
“Ninguém contava com aquela casualidade, com aquele acidente. Foi uma coisa da natureza. O gaúcho tem que estar preparado para tudo e, graças a Deus, seguimos em frente”, diz.
Ele também destaca que a confiança dos participantes não diminuiu. Pelo contrário, a cavalgada voltou maior nesta edição.
“No ano passado, eram 100 participantes. Neste ano, são 150. No ano que vem, quem sabe, serão 200. E assim vai”, projeta.
A 13ª Cavalgada da Amizade terminou no domingo, com o sorteio de um potro doado por uma cabanha em razão da perda do cavalo no ataque de abelhas do ano passado.
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