O roteiro de férias deste ano ganhou uma nova parada obrigatória na região para quem gosta de história e cultura. Reinaugurada no fim de setembro do ano passado, a Casa Vidal – prédio de alvenaria mais antigo ainda existente em Taquara – vem recebendo um público cada vez maior. Depois de acompanhar a fase final do restauro e a solenidade de inauguração, o projeto Nossa Comunidade voltou ao espaço cultural nesta semana. A visitação pode ser feita de segunda a sexta-feira, sempre das 9 às 17 horas.

Foto: Ruan Nascimento/Especial
A Casa Vidal abriga o Museu Histórico Municipal Adelmo Trott, o Arquivo Histórico Municipal Maria Eunice Müller Kautzmann, a Biblioteca Pública Municipal Professor Rodolfo Dietschi, além da reserva técnica do museu, salas multiuso, cafeteria e também a sede do Departamento de Cultura.
O espaço é dividido em três andares: no subsolo fica o acervo da Biblioteca Pública, com áreas de estudos e empréstimo de livros; no térreo estão os itens do Museu Histórico Municipal, que ajudam a
contar a história de Taquara, e uma cafeteria; o segundo piso receberá o espaço para exposições itinerantes e apresentações.
De acordo com a diretora de Cultura, Gerusa Pereira, para este ano há planos para que a Casa Vidal tenha uma ampla programação cultural. “Estão em planejamento exposições temporárias, rodas de
conversa, lançamentos de livros, oficinas culturais, atividades educativas em escolas, além de eventos que valorizem a história local e os artistas taquarenses”, adianta.
A próxima exposição da Casa Vidal, deve ser lançada nos próximos dias, vai contar a também centenária história do carnaval de Taquara, desde os bailes das sociedades de canto até as festas das sociedades recreativas.
O prédio histórico foi construído em 1882, antes mesmo da emancipação de Taquara, e desde 2012 é tombado como patrimônio histórico. A restauração começou em 2018 e terminou no ano passado. Foram investidos R$ 6,5 milhões. “Nós, assim como a comunidade, esperávamos ansiosos por ter a Casa Vidal novamente aberta”, disse a prefeita Sirlei Silveira. A Casa Vidal fica na Rua Edmundo Saft, 2907, perto da Prefeitura.
Número de visitantes aumentou quase 10 vezes
O público de Taquara e região correu para visitar a restaurada Casa Vidal. Em outubro do ano passado foram registrados 1.067 visitantes somente na biblioteca, dez vezes mais que no mesmo mês de 2024.
Com mais de 11 mil livros no acervo, o espaço tem sido um dos atrativos. “A nova sede da biblioteca ter ficado em um prédio tão bonito, somado ao sentimentalismo da população com esta edificação, bem
no Centro, contribuiu demais para o aumento de circulação do público”, aponta a bibliotecária Marianna Cunha.
Natural de Gravataí, Marianna trabalha na Biblioteca Pública Municipal de Taquara desde 2018. Ela ressalta a importância de o município ter um espaço tomado pela cultura. “A cidade é muito boa e merecia um espaço como esse. O público também tem feito muitos comentários positivos, o que
ajuda muito”, completa.
A médica Carmen Souza e o professor Rodrigo Guimarães são alguns dos que já visitaram a Casa Vidal desde outubro. Além de conhecer o acervo do Museu Histórico, o casal aproveitou para renovar a leitura
dos filhos Miguel e Mathias. “Achei lindo esse espaço, enriqueceu o município culturalmente, e é aberto ao
público. O prédio é muito encantador”, conta Carmen. Para Guimarães, um dos diferenciais do prédio é justamente o rico acervo da biblioteca. “Também contribuímos com o espaço, doando alguns livros, para fazer circular as obras. Venho aqui com os meus filhos toda semana para que eles tenham o hábito da leitura.”
Visitar a Casa Vidal também permite que a comunidade tenha um local de lazer, como na cafeteria gerenciada pelas sócias Emilia Ev e Graziela Flocke. Para elas, estar em um prédio histórico é especial. “Esse lugar faz parte de todos nós taquarenses. Hoje, fazer parte desta história, em uma casa cultural, é de uma alegria enorme”, frisa Graziela. Emília destaca que a Casa Vidal consolida Taquara na rota cultural da região.
Um pouco da história
A Casa Vidal foi construída pelo coronel Jorge Fleck, que governou Taquara como intendente. Os tijolos usados na construção foram unidos com pó de conchas marinhas vindas de Nossa Senhora da Conceição do Arroio – atual cidade de Osório. Alguns anos mais tarde, a casa comercial foi adquirida por
José Júlio Muller, figura política taquarense. No estabelecimento eram comercializados tecidos
e ferragens, o que fez o local ser referência para os viajantes que chegavam na cidade.
Henrique Vidal Kohlrausch foi balconista do comércio e depois adquiriu o negócio de seu antigo
proprietário, mantendo em funcionamento até os anos 1990, quando fechou as portas.