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LEGADO

Uma das maiores edificações enxaimel do Estado passa por restauração

Localizada no Centro de Ivoti, estrutura é uma das referências arquitetônicas da imigração alemã na região

Publicado em: 16/12/2025 às 11h:19 Última atualização: 16/12/2025 às 11h:19
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Um dos exemplos mais significativos da arquitetura da imigração alemã, as casas enxaimel possuem uma importância significativa na preservação da identidade e memória da região. Porém, por vezes, essas ricas heranças culturais demandam um trabalho de preservação permanente em suas estruturas, a fim de que não se tornem ruínas ou escombros esquecidos, como resultado dos avanços contemporâneos.

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Salão Holler, em Ivoti, é uma das maiores estruturas em estilo enxaimel do Rio Grande do Sul | abc+



Salão Holler, em Ivoti, é uma das maiores estruturas em estilo enxaimel do Rio Grande do Sul

Foto: Divulgação/PMIV

O Salão Holler, localizado na Avenida Presidente Lucena, no Centro de Ivoti, faz parte desse acervo e legado da imigração alemã, que passa por um processo de restauração.

Hoje, o espaço pertencente ao celeto grupo de bens tombados como patrimônio estadual pelo IPHAE-RS e recebe investimentos para que a arquitetura permaneça viva no coração de Ivoti, como um lembrete de que o passado foi peça essencial para construção do presente e do futuro.

O Salão Holler chegou a figurar como fabriqueta, curtume, oficinas de selaria e sapataria, botequim, mercadorias em depósito. Além disso, serviu para fabricação de chinelos, tamancos e botas de couro cru, manufatura de selas de cavalo e utensílios de montaria, salão de baile, hospedaria e até moradia.

O historiador Cristiano de Brum, destaca a importância que a estrutura teve para o desenvolvimento da cidade.

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“Não existe oposição em pensar no Salão Holler como algo oposto à modernidade e ao crescimento econômico da cidade. Ele foi fundamental para o crescimento econômico. A sua criação moldou o surgimento da primeira quadra da cidade. Além disso, as fábricas que ali estiveram instaladas usaram várias práticas modernas e competitivas, que permitiram inclusive conexões internacionais da região. Olhar para o Salão Holler não é olhar para o passado inalcançável, mas parte do crescimento econômico da cidade”, explica de Brum.

Tanta contribuição do Salão Holler a Ivoti causou seu desgaste, como quem dedica mais de um século pela cidade. A estrutura sofreu diversas intervenções e chegou a estar sob ameaça de destruição, o que fez com que a própria comunidade denunciasse esse risco a membros da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – Defender – Defesa Civil do Patrimônio Histórico.

Em 2014, diante da iminência da perda patrimonial, ela foi tombada como patrimônio estadual. Posteriormente, o município adquiriu a edificação, iniciando o processo de restauro.

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Na última semana, a prefeitura de Ivoti iniciou a segunda etapa de restauro do Salão Holler. Nesta fase, serão recuperadas as esquadrias originais do térreo e instalação de novas peças de madeira nos vãos.

Segundo a administração municipal, “a restauração do prédio ocorre por etapas justamente pela complexidade que envolve uma edificação histórica com tombamento estadual. Cada fase demanda análises específicas, aprovações junto ao Estado e intervenção de profissionais especializados em técnicas tradicionais de construção”, destaca nota.

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O projeto de restauração funciona em três etapas, sendo a primeira já cumprida, com obras emergenciais em partes críticas. A terceira fase prevê execução do piso do térreo e reforços internos necessários.

A complexa obra de restauro tem fundamento no valor patrimonial da estrutura, que se consolida como uma lembrança física da imigração em Ivoti. “É uma das mais importantes edificações enxaimel de que se tem conhecimento, conforme estudos. É impossível imaginar Ivoti ou a arquitetura popular de imigração sem o Salão Holler. Ao preservá-lo, deixaremos um legado para as gerações futuras”, afirma de Brum.

História do Salão Holler

Construído às margens da Estrada Presidente Lucena, hoje, Avenida, estima-se que o Salão Holler tenha mais de um século. Pesquisas indicam que tenha sido construída na segunda metade do século 19, entre 1851 e 1900, segundo pesquisa do inventário do IPHAE-RS.

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Sobre a família Holler, registros históricos revelam que um casal evangélico (Carl Holler e Maria Elisabeth) batizou a filha Maria Catharina em 21 de julho de 1828, sendo esses os primeiros relatos da família nas terras de Bom Jardim. Logo após, também há menção a Guilherme Holler, que teria sido antigo proprietário do Salão. Pesquisas acreditam na hipótese de que Guilherme era descendente desse casal. Mas não há detalhes que indicam quem construiu a casa.

A família aumentou seu capital financeiro ao longo dos anos, com a construção de uma fabriqueta, que iniciou nos porões do Salão. O prédio também se tornou salão de baile, hospedagem e, posteriormente, em fábrica de tamancos e de selas de cavalos.

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Tamanho prestígio na comunidade rendeu a Guilherme Holler o cargo de subprefeito, após aposentadoria do capitão Pedro Müller, em 1932. Na década de 1950, seu filho, Pedro Carlos Holler, assumiu o mesmo cargo.

Salão Holler, em Ivoti, é uma das maiores estruturas em estilo enxaimel do Rio Grande do Sul | abc+



Salão Holler, em Ivoti, é uma das maiores estruturas em estilo enxaimel do Rio Grande do Sul

Foto: Divulgação/PMIV

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