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Uma safra doce, rentável e com gostinho de vitória em Parobé

Tradição de produzir melancia se mantém forte; festa comercializou 80 toneladas do produto

Publicado em: 22/01/2026 às 12h:22 Última atualização: 22/01/2026 às 12h:23
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O verão é sinônimo de safra de melancia no Sul do Brasil. Seu sabor doce e rico em água tornam o fruto um dos mais consumidos do País, principalmente para complementar a hidratação na época mais quente do ano. De acordo com dados de 2024 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Rio Grande do Sul é o terceiro Estado que mais gerou receita com a produção de melancia, atrás apenas de Goiás e São Paulo, rendendo mais de R$ 234 milhões.

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Andréia dos Santos (segunda da esquerda para direita) contou com ajuda e incentivo de Rosana Enderle, Antônia Hartz e Bruna Panick | abc+



Andréia dos Santos (segunda da esquerda para direita) contou com ajuda e incentivo de Rosana Enderle, Antônia Hartz e Bruna Panick

Foto: Ruan Nascimento/Especial

Na região, Parobé virou referência no plantio e comercialização de melancias. Desde 1998 a cidade celebra o período da colheita com a Festa da Melancia, evento que reúne agricultores na Rua Coberta da Praça 1º de Maio. De 8 a 18 de janeiro, foram vendidas melancias inteiras, em fatias, e suco feito na hora, em um espaço também com atrações culturais. “A Festa da Melancia cumpre seu papel de valorizar os produtores rurais, fortalecer a agricultura familiar e integrar a comunidade, consolidando-se como um dos principais eventos do calendário de Parobé”, destacou o prefeito Gilberto Gomes.

O município conta com cerca de 30 famílias que trabalham com a produção de melancia. A Secretaria de Desenvolvimento Rural de Parobé disponibiliza maquinários para auxiliar os produtores com suas plantações, contribuindo com o manejo mais adequado das lavouras. Sobre a atual safra, o prefeito aponta que a avaliação foi extremamente positiva. “Isso é resultado da maior organização no planejamento e execução da produção”, afirma.

Além da Festa da Melancia, Gomes destaca que um dos motivos que contribuem para que Parobé seja uma referência regional no cultivo da fruta é a localização estratégica. “Estamos próximos da capital, serra e litoral, o que facilita a logística e amplia os canais de comercialização.

Bons resultados

Durante os dez dias da Festa da Melancia, os produtores conseguiram obter bons resultados. Um deles é
Claudio Martins, 74 anos, de Fazenda Martins. “Nossa safra foi ótima, pois não tivemos nenhum problema. Não só aqui na festa, mas em todos os lugares, estamos vendendo bastante, o que nos motiva para seguir com o cultivo”, celebra. O produtor Vilmar Sarturi, 67, também comemora
o resultado e reforça que o clima contribuiu para que a safra superasse a anterior. “Deu tudo certo com nossa produção, desde o plantio. Conseguimos uma qualidade boa de mudas e não tivemos imprevistos
causados por secas ou grandes enchentes. Não tivemos perdas e estamos muito felizes”, ressalta.

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Superando desafios

Para a produtora Maria Teresinha Dickmann, 67 anos, as vendas da safra de melancia também estão saindo acima do esperado. Ela diz que, nos dias de feira, o público que visitou sua banca veio inclusive
de outras regiões. Maria lembra que um dos seus principais desafios no último ano foi o de lidar com a lavoura sem o marido, que ficou doente. “Eu precisei ir para a roça para capinar e cuidar da plantação. Felizmente deu tudo certo e agora estamos vendendo juntos”, conta.

Mesmo com o desafio para a atual safra de melancias, hoje Maria Teresinha está feliz com o sucesso na comercialização. “Plantamos sempre com prazer para estarmos aqui no dia da festa. Fico muito satisfeita com todo o apoio que recebemos. Foi um ano de muita alegria para a nossa família na lavoura.”

As “gurias do agro” plantam, colhem e vendem

Entre as 10 bancas existentes na Festa da Melancia, a da produtora Andréia dos Santos, 47 anos, chamou a atenção: praticamente todo o trabalho da plantação foi feito por mulheres. A agricultura familiar está em suas raízes desde antes da emancipação de Parobé, em 1982, primeiro com o seu avô e, depois, com o seu pai, produzindo melancias e outras culturas. Sua ligação com a festa é especial, pois foi soberana da primeira edição.

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Porém, a safra de 2025/26 contou com um enorme desafio para ela. Seria a primeira vez que não estaria com o seu pai para a execução de todas as etapas. Ela conta que foi um desafio muito grande, mas que as técnicas passadas de geração em geração contribuíram para que pudesse continuar. Foi na etapa do
plantio que ela contou com o apoio das suas amigas, também filhas de produtores rurais, para os passos
seguintes.

“Comentei com minhas amigas. Elas me apoiaram, dizendo que fariam o trabalho junto comigo. Iniciamos a plantação, a preparação para colocar as mudas, depois com a colheita e, agora, com a comercialização”,
salienta. Ela lembra que foi muito especial poder contar com a participação de mulheres em mais
de 80% da produção. “Só o fato de ter alguém apoiando junto, e ter essa rede ao meu lado, foi de grande valor”, destaca.

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Como forma de homenagear as amigas que estiveram junto, na Festa da Melancia Andréia nomeou sua
banca como “As Gurias do Agro”. A produtora ressaltou que o nome foi dado para reforçar a importância
da representatividade feminina na produção. “Geralmente a mulher fica atrás do homem nesses quesitos de agricultura e as bancas costumam ter os nomes deles. E no meu caso não. Aqui é ‘As Gurias do Agro’, de mulheres que me ajudaram em tudo. Tenho uma lista enorme de amigas que saíram da agricultura e essa é uma forma de elas resgatarem isso. Sou muito grata”, frisa.

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