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PERIGOSO

"Vai morrer mais gente": Mortes em trecho da BR-116 aumentam insegurança às margens da rodovia; veja o que diz o Dnit

Trabalhadores das margens da rodovia relatam insegurança com falta de sinalização; PRF deve intensificar fiscalização

Publicado em: 18/08/2025 às 16h:23 Última atualização: 18/08/2025 às 16h:26
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“Vai morrer mais gente”.  A declaração pode chocar, mas é o que prevê o empresário Jair Carlos Ferreira, 75 anos, se nada for feito. Ele tem uma empresa de reboques às margens da BR 116, em São Leopoldo, nas proximidades do viaduto da Avenida João Corrêa que, de outubro de 2024 a agosto deste ano, já registrou 10 mortes causadas em acidentes de trânsito.

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As fatalidades, entre os quilômetros 247 e 248, acendem um alerta para quem utiliza a rodovia federal, especialmente no trecho da cidade leopoldense, que necessita de ações de autoridades competentes para que esses números não cresçam ainda mais e de maior conscientização quanto à velocidade de motoristas que trafegam nela.

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BR 116-  fluxo intenso em pista sem demarcação em São Leopoldo | abc+



BR 116- fluxo intenso em pista sem demarcação em São Leopoldo

Foto: Susi Mello/GES-Especial

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) irá aumentar a fiscalização no trecho e reforçará o pedido ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para que verifique a infraestrutura da rodovia. A prefeitura de São Leopoldo quer uma reunião com autarquia ainda nesta semana.

O prefeito Heliomar Franco (PL) explica que quer encontrar soluções conjuntas para impedir que mais vidas sejam perdidas no local.  O prefeito diz que apesar da rodovia ser federal, o município tem o compromisso com segurança das pessoas. “Vou, enquanto gestor, buscar alternativas para proteger nossa população”, salienta.

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A insegurança

Quem utiliza a rodovia ou trabalha nas proximidades dos locais dos acidentes é unânime em afirmar que há necessidade de melhorias na sinalização na pista para deixar claramente a função das faixas. Além do mais, há sugestão de colocação de controladores de velocidade.

 “Temos cinco pistas, abriram, e não tem controle de velocidade. O ‘cara’ pode andar a 140, 70, 80 [km/h]. Já vi uma senhora com 70 [anos] que morreu no mesmo local onde morreram esses três [jovens militares]. Tem que dar um jeito de diminuir a velocidade”, acrescenta Ferreira.

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BR 116: "Vai morrer mais gente", diz empresário Jair Carlos Ferreira, 75 anos | abc+



BR 116: “Vai morrer mais gente”, diz empresário Jair Carlos Ferreira, 75 anos

Foto: Susi Mello/GES-Especial

A empresa dele fica em frente ao local onde um Chevrolet Classic bateu na mureta na na semana passada, acidente que causou a morte dos campo-bonenses Davi Adrian da Silva, 18, Eduardo Hoffmeister e Vitor Golfetto, ambos de 19 anos.

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Ferreira conta ainda que também já teve danos com veículos batendo no prédio. “Ou o Dnit toma iniciativa ou vai morrer mais gente”, lamenta.

Sem demarcação

Renato Camboim, 62, tem empresa de autopeças às margens da BR-116 no sentido interior-capital, reforçando o posicionamento do empresário vizinho. “Depois que foi retirado o meio-fio da pista, ela ficou toda aberta e a demarcação ficou muito ruim. O pessoal acha que tem várias pistas, troca de pista e, às vezes, é fechado por outro motorista”, declara.

Além de ter a circulação afetada durante acidentes, como foi o caso da última quarta-feira (13), o empresário acredita que é necessário repensar a sinalização do trecho. “Se tivesse uma demarcação, esse acidente talvez nem acontecesse. O pessoal quando faz a curva no sentido interior-capital, quando vê, está colado no muro. Esse trecho é o que dá mais acidente porque está muito ruim”, opina.

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BR 116:  Renato Camboim, 62, preocupado com falta de demarcação | abc+



BR 116: Renato Camboim, 62, preocupado com falta de demarcação

Foto: Susi Mello/GES-Especial

Controladores de velocidade

No sentido capital-interior, a situação não é diferente. O coordenador comercial de uma empresa de locação de materiais de construção civil, Flavio Henrique Batista de Sá, 43, conta que o fluxo é intenso.

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Morador de Canoas, ele utiliza a rodovia federal diariamente para se deslocar ao trabalho em São Leopoldo e observa muitos veículos em alta velocidade, o que, combinado com a presença de muitos caminhões, causa colisões. Para ele, os motoristas não estão respeitando o limite na faixa. “Faltam pardais, controladores de velocidade”, acredita.

BR 116: O coordenador comercial de uma empresa de locação de materiais de construção civil,  Flavio Henrique Batista de Sá, 43, conta que o fluxo é intenso | abc+



BR 116: O coordenador comercial de uma empresa de locação de materiais de construção civil, Flavio Henrique Batista de Sá, 43, conta que o fluxo é intenso

Foto: Susi Mello/GES-Especial

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O que diz o Dnit

Questionada pela reportagem, a autarquia afirmou que nesta semana será dada a continuidade da implantação de sinalização horizontal na rodovia federal. “O Dnit informa que em função do avanço das obras de melhorias operacionais da BR-116, alguns segmentos que ainda estão recebendo serviços, estão com sinalização de obra. Mas, ainda nesta semana, será reforçada a sinalização, com a continuidade da implantação de sinalização horizontal na BR-116.”

A reportagem também questionou sobre a possibilidade de instalação de redutores de velocidade, mas a autarquia não se pronunciou sobre o assunto.

BR 116-  motoristas em alta velocidade também preocupa | abc+



BR 116- motoristas em alta velocidade também preocupa

Foto: Susi Mello/GES-Especial

 

Fiscalização reforçada

 O chefe da comunicação social da PRF do Rio Grande do Sul, Douglas Paveck Bomfim, confirma que houve um aumento número de acidentes com vítimas fatais, em curto período de tempo, no trecho de São Leopoldo. “É um trecho que está em obras, que no momento não está sinalizado, e é importante o motorista ter uma consciência e uma preocupação em ter cuidado maior ao dirigir nessa região”, detalha.

Ele destaca dois pontos: imprudência dos motoristas e falta de infraestrutura da pista.

BR 116-  alta velocidade de veículos preocupa em São Leopoldo | abc+



BR 116- alta velocidade de veículos preocupa em São Leopoldo

Foto: Susi Mello/GES-Especial

Os casos dos últimos dias teriam relação com imprudência. “Temos vários acidentes envolvidos com o excesso de velocidade, como dos jovens do Exército [que estavam acima de 100 km/h], também temos atropelamentos nos últimos dias, e eles ocorreram muito próximos a passarelas de pedestres. [Há ainda] a questão do sono, no trecho de Sapucaia quase com São Leopoldo, onde o motorista disse que dormiu no volante e acabou batendo na traseira de uma carreta de combustível. É uma questão de comportamento dos motoristas”, explica.

Esse último acidente também aconteceu na quarta-feira e matou o funcionário de uma lavanderia Erik dos Santos Dias, 30.

Sobre a falta de infraestrutura da pista, Paveck diz que a questão da sinalização é fundamental. “A PRF já encaminhou essas solicitações para o Dnit, órgão responsável pela parte infraestrutura da rodovia. Da nossa parte, oficiamos e esperamos que o mais breve possível seja feito um trabalho de sinalização da rodovia. A sinalização é importante para informar os motoristas a respeito das faixas e dos limites de velocidade”, comentou.

Paveck citou que no ano passado, a PRF realizou uma operação temática de diagnóstico dos pontos críticos de sinistros na BR-116. “Nessa operação apontamos diversos pontos que necessitam de uma atenção maior, como pintura das faixas na rodovia, placas de informação e guard rails para impedir uma saída de pista”, comenta

O chefe da comunicação reforçou que está na mesa da PRF fazer uma reunião com a autarquia responsável pela rodovia para buscar de alguma forma melhorar a situação deste trecho. O encontro ainda não tem data definida.

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