“O coração do pai está despedaçado”, disse Adelar Ruppenthal sobre o filho Tailon Ruppenthal, de 41 anos, durante o velório, que ocorre nesta sexta-feira (17) em Três Coroas. Ele faleceu durante o conflito na Ucrânia, no início de outubro, e o corpo do ex-soldado chegou na cidade na noite de quinta-feira (16).

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
O corpo de Tailon é velado no Ginásio Municipal de Esportes de Três Coroas, em uma cerimônia marcada por emoção e homenagens. Familiares, amigos e ex-companheiros de farda participaram do adeus ao ex-soldado do Exército Brasileiro, que desde julho integrava as forças armadas da Ucrânia, na guerra contra a Rússia.
Ruppenthal estava na Ucrânia desde a metade do ano, onde atuava como operador de drones na cidade de Dnipro. Ele morreu no dia 6 de outubro, após ser atingido por uma explosão durante um conflito na região leste europeia. O corpo foi trazido de avião até São Paulo, onde chegou na noite de quarta-feira (15), e seguiu por via terrestre até Três Coroas, chegando à cidade na noite de quinta-feira (16).
Descrito como uma pessoa alegre e brincalhona, o pai conta que ninguém conseguiu tirar a ideia de ir para a Ucrânia da cabeça do filho. “Todos tentaram convencer ele a não ir, mas acho que era a missão dele. Sempre teve essa vontade de ajudar os outros.”
“Ninguém quer isso com o filho. No natural da vida, é o pai que vai antes”, afirma ainda o pai. “Aconteceu o que não era para acontecer”, disse. “Agora, conseguimos trazê-lo para dar um descanso digno e a homenagem que ele merece.”
Entre os presentes, também está o amigo e ex-soldado Júnior Ribeiro, que serviu com Tailon na Missão de Paz da ONU no Haiti, em 2004.
“O Tailon era uma pessoa muito amiga, espontânea e inquieta. Servimos juntos no Haiti, na mesma companhia, e ele sempre foi um cara de espírito aventureiro. Mesmo depois do quartel, mantivemos contato pelas redes sociais. Quando ele decidiu ir para a Ucrânia, conversamos sobre isso. Era o jeito dele, sempre buscando ajudar e viver intensamente”, lembra.
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Tailon Ruppenthal foi soldado do Exército Brasileiro e autor do livro Um Soldado Brasileiro no Haiti, inspirado na experiência na missão internacional. Antes de embarcar para a Ucrânia, atuava como produtor audiovisual. Ele deixa uma filha adolescente, que vive na cidade.
O sepultamento ocorre às 15 horas no Cemitério Evangélico de Três Coroas.
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*Colaborou: Milena Braga