O jornalista, escritor e professor Walter Galvani, considerado uma referência da literatura e do jornalismo gaúcho, passa a dar nome ao Pavimento Térreo – Quadrante III do Mercado Público Central de Porto Alegre, em reconhecimento à sua trajetória e à ligação histórica que manteve com o espaço.

Foto: Divulgação
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A homenagem foi oficializada pela Lei nº 14.320, de 12 de setembro de 2025, de autoria do vereador Rafael Fleck (MDB). Além de diretor de redação do extinto jornal Folha da Tarde – onde foi responsável por um programa de treinamento de jovens jornalistas, ajudando a forjar toda uma geração de profissionais competentes –, Galvani era escritor e autor de mais de 12 obras.
Dentre suas criações, está a premiada “Nau Capitânea”, uma biografia do navegador Pedro Álvares Cabral. Galvani também foi colunista dos jornais do Grupo Editorial Sinos por muitos anos. Ele era natural de Canoas, onde nasceu em 6 de maio de 1934.
Campanha contra a demolição do Mercado
O historiador William Keffer, amigo do escritor, que morreu aos 87 anos em 2021, diz o próprio Galvani falava que, o feito que mais lhe trouxe orgulho foi ter iniciado a mobilização para impedir a demolição do Mercado Público de Porto Alegre, na década de 1970.
Em 1972, o então prefeito da cidade Telmo Thompson Flores chegou a afirmar que iria “destruir aquela velharia para fazer uma avenida”. Segundo Keffer, Walter Galvani descreveu assim o início do movimento: “Comecei com modestas matérias e decidi ir incorporando os amigos e colegas, um atrás do outro. A campanha foi crescendo e recebendo adesões. E assim foi que conquistei, primeiro o P. F. Gastal, depois o Mario Quintana, em seguida o Jayme Copstein, o Liberato Vieira da Cunha, o Antônio Carlos
Ribeiro, o Alberto André e outros que se foram somando.”
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Patrimônio histórico
Ele completava a lembrança do momento decisivo na Feira do Livro de 1972: “O prefeito tem algo a te dizer! – falou-me Alberto André, sorridente, junto à mesa de autógrafos. Sim, prefeito! Não vamos mais derrubar o Mercado!”. O movimento ganhou proporções crescentes, envolvendo intelectuais, jornalistas, lideranças comunitárias e chegou a conquistar também a adesão da Câmara Municipal de Porto Alegre, tornando-se um marco na defesa do patrimônio histórico e cultural da cidade.
Keffer lembra que após sua morte, houve tentativa de denominar todo o Mercado Público com seu nome, iniciativa que não avançou. “Agora, com a aprovação da nova lei, Porto Alegre presta uma justa homenagem àquele que lutou pela preservação de um de seus maiores patrimônios”, comemora o amigo.