Caminhando pela popular Rua da Praia, a estudante Lara Gonçalves para na altura do número Rua dos Andradas, 736. Ela saca o celular do bolso e faz uma selfie com o histórico prédio rosa como pano de fundo.
Volta a andar até ser abordada pela reportagem. Ao comentar sobre o carinho que tem pela Casa de Cultura Mário Quintana (CCMQ), faz alguns elogios e comenta: “Eu nem acredito que acabou cheia d’água no ano passado”.

Foto: Paulo Pires/GES
Há exatos 35 anos, Porto Alegre se tornava mais cultural. A inauguração da Casa de Cultura Mário Quintana, no antigo prédio do Hotel Majestic, marcou uma nova etapa do setor na capital.
É difícil, desde então, imaginar um dos principais pontos de referência da cultura gaúcha fechado, mas foi o que aconteceu quando a tragédia climática atingiu o Rio Grande do Sul no ano passado.
Quando as águas baixaram e a capital e o Estado voltaram a respirar, o prédio precisou passar por um processo de restauração que resultou no encerramento das atividades durante meses. A ausência foi sentida.
Empossada recentemente como diretora da Casa de Cultura, Adriana Sperandir lembra o episódio que exigiu toda a força dos gaúchos, e ressalta que a Casa é patrimônio do Rio Grande do Sul.
“É um momento de superação”, destaca. “Lamentamos muito a tragédia, mas felizmente tivemos muitas mãos para que a Casa se reerguesse e voltasse a ser conhecida pela efervescência cultural que é famosa”.
A celebração nesta quinta-feira (25) é marcada pela campanha “Viva a Casa de Todas as Culturas”, que partiu do entendimento de que a Casa é espaço democrático que acolhe todas as linguagens artísticas.
“Durante estes 35 anos, o público que passou e ainda passa é muito diverso e plural”, salienta. “Aqui, de fato, nós recebemos todas as artes e culturas, com inclusão social e acessibilidade”.
Renovação
Fazem parte das comemorações uma série de melhorias estruturais que a Casa vem realizando desde que reabriu após a enchente, como a revitalização e ampliação da Biblioteca Erico Verissimo e de seu acervo; a restauração do Teatro Bruno Kiefer, previsto para ser finalizado ainda este ano; e a recente inauguração da Sala Paulo Moreira, vinculada ao Instituto Estadual de Música (IEM).

Foto: Paulo Pires/GES
História
Sabe-se que o prédio histórico no coração da Rua da Praia tem quase 100 anos, então muitos não entendem como a Casa de Cultura Mário Quintana está comemorando somente 35 anos.
Acontece que a história da Casa de Cultura começou nos anos 80. Foi quando o governo do Estado adquiriu o Majestic por meio do Banrisul. O prédio foi arrolado como patrimônio histórico do RS um ano depois.
Entre a elaboração do projeto e a construção de espaços, houve um período de três anos entre 1987 a 1990. A inauguração da casa onde viveu o poeta Mário Quintana ocorreu no dia 25 de setembro de 1990.
“O espaço arquitetônico é muito mais antigo, é claro”, acrescenta Adriana. “O Hotel Majestic funcionou anos. Foi inclusive a casa do nosso Mário Quintana, mas o que a gente comemora é quando decidiram tornar o espaço na Casa de Cultura que todos conhecem e amam”.

Foto: Paulo Pires/GES
Há quem viu piano tocar sozinho
É assunto entre servidores e terceirizados que atuam na limpeza e serviços gerais: há fantasmas circulando pela Casa de Cultura Mário Quintana. O assunto só não pode ser comentado com o pessoal da segurança. Isso porque eles morrem de medo.
Brincadeira à parte, basta uma visita para ouvir causos e casos de aparições, noite adentro, vultos nos corredores, objetos caindo e portas se fechando sem empurrões com correntes de ar.
“A casa é cheia de memórias, então existem relatos verdadeiros de trabalhadores e servidores que ficam até tarde”, esclarece Adriana. “Há quem já viu o piano tocar sozinho. Convido a todos a virem e conhecerem mais essas histórias”.
Programação
A celebração de 35 anos da CCMQ inclui uma intensa programação gratuita até o dia 28 de setembro. Confira e programe-se.