O aneurisma da aorta é uma doença que tem potencial fatal e requer atenção, especialmente por ser silenciosa. Novos parâmetros apontados em estudos indicam que algumas mudanças ocorreram para identificar a necessidade de intervenção cirúrgica.
De acordo com o cardiologista e professor do Departamento de Clínica Cirúrgica da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Renato Kalil, com o avançar da idade, é normal que a aorta se dilate até certo nível, mas há limites. O acompanhamento médico e o diagnóstico precoce são fundamentais para evitar maiores complicações.
Novos parâmetros para tratar o aneurisma
Durante a pesquisa médica histórica, o limite se situou em 55mm de diâmetro na raiz e porção ascendente da aorta, sua parte inicial. Com o avanço do conhecimento, novas pesquisas e observações, as recomendações para intervenções estão também relacionadas à altura ou tamanho do paciente.
As diretrizes contemporâneas recomendam avaliar a necessidade de intervenção cirúrgica em diâmetros a partir de 45mm de diâmetro, levando em consideração o tamanho da pessoa e diâmetros ainda menores na presença de fatores genéticos de enfraquecimento da aorta, como a Síndrome de Marfan e outras mutações causadoras de degeneração precoce da parede da aorta.
Estas mutações são responsáveis por ruptura da aorta e morte súbita em adolescentes e adultos jovens. Por exemplo, estudo recente mostrou que até 4% das mortes súbitas ocorridas em atletas foram por dissecção (ruptura) da aorta.
“É fundamental levar em consideração também a experiência da equipe médica responsável pelo procedimento. No geral, o risco de vida em cirurgias deste tipo, quando realizadas por profissionais capacitados, é inferior a 2%”, destaca Kalil.
O risco deve ser comparado com os problemas por conviver com a possibilidade de ruptura e morte na avaliação de cada caso individual, considerando a situação clínica, idade, histórico familiar de morte súbita, mutações genéticas, possibilidade de gravidez e dilatação progressiva aos exames de imagem.
Kalil ainda destaca que a indicação de intervenção no momento certo muda a evolução e permite uma vida absolutamente normal.