De 2026 até 2040, o câncer de intestino, que vitimou a cantora Preta Gil e o ator Maurício Silveira recentemente, irá causar 36,3% mais mortes. A gravidade dele, no entanto, está diretamente ligada ao estágio em que a doença é diagnosticada.
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Foto: Redes sociais
O alerta é do levantamento info.oncollect de Mortalidade por Câncer Colorretal – Projeção para os próximos 15 anos, da Fundação do Câncer. Ele foi publicado na quarta-feira (5), no Dia Nacional do Câncer.
Também chamado de câncer colorretal, ou de cólon e reto, a doença tem a terceira maior taxa de incidência, mortalidade e prevalência no Brasil, segundo o Global Cancer Observatory (GCO).
Em 2022, as estimativas do Globocan, do GCO, é que esse tipo de câncer seja o que mais acomete e mata globalmente, “com perspectivas de crescimento nas próximas décadas”, segundo a Fundação do Câncer.
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Entre 2036 e 2040, a instituição alerta que o número de mortes por câncer de intestino sobe para 199.613, comparado a 146.441 óbitos no período de 2026 a 2030, no Brasil.
“Diversos fatores de risco estão associados ao seu desenvolvimento, como idade avançada, histórico familiar, dieta rica em carnes processadas, sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool”, afirmam. Porém, a fundação explica que o principal fator para a grande mortalidade é o estágio avançado em que a doença é diagnosticada.

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Estágio avançado
A letalidade do câncer colorretal no País varia entre 40% e 60%, entre homens e mulheres. Ainda, 78% dos pacientes que faleceram receberam o diagnóstico já entre os estágios III e IV.
O Sul do País tem uma das maiores proporções de óbitos em estágio IV registradas, com 56,3% de homens e 57,5% de mulheres.
Rastreamento: importante para salvar vidas
As estimativas futuras do info.oncollect. que mostram o aumento expressivo de mortes por câncer de cólon e reto no Brasil, evidenciam que é preciso de políticas públicas voltadas para o maior rastreamento e, consequentemente, diagnóstico precoce, alerta a fundação.
“A tendência preocupa, mas pode ser revertida”, afirma Luiz Augusto Maltoni, Diretor-executivo da Fundação do Câncer. Para isso, ele alerta que hábitos saudáveis reduzem o risco da doença, como manter o peso adequado, alimentar-se bem e praticar atividade física. “Além disso, o sistema de saúde precisa ampliar o rastreamento e o diagnóstico precoce”, reitera.
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A fundação afirma que dados internacionais comprovam que programas organizados de rastreamento são fundamentais para reduzir a mortalidade da doença, algo que não é feito no Brasil.
No País, o rastreamento do câncer de intestino é feito de “maneira oportunística”. Ou seja, a possibilidade só é investigada quando há sintomas ou quando a pessoa começa a incorporar a colonoscopia nos exames de rotina, recomendado a partir de 45 a 50 anos. Isso porque o Brasil não tem um programa nacional organizado.
“Essa ausência representa uma importante lacuna, especialmente diante do envelhecimento da população e da tendência crescente da doença”, afirma a Fundação do Câncer.
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Mudança no rastreamento
Eles pedem pela implementação de um programa nacional de rastreamento, baseado em testes de sangue oculto nas fezes e colonoscopia para os casos em que o exame for positivo.
Implementar essa política pública “tem potencial para reduzir não apenas a mortalidade, mas também a incidência de casos avançados, com impactos positivos na qualidade de vida dos pacientes e na economia da saúde pública”.
As informações veiculadas nesta matéria são apenas para fins de educação. Em caso de sintomas, ou de dúvidas, um profissional de saúde deve ser consultado.