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Dois passageiros testam positivo para hantavírus após deixarem cruzeiro

Mais de 90 passageiros estão sendo repatriados após três pessoas morrerem

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Publicado em: 11/05/2026 às 10h:14 Última atualização: 11/05/2026 às 10h:16
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Um cidadão dos Estados Unidos e uma cidadã da França foram diagnosticados com hantavírus após serem repatriados de um navio de cruzeiro nas Ilhas Canárias, na Espanha. As autoridades de saúde dos dois países confirmaram os casos nesta segunda-feira (11). A embarcação MV Hondius registrou um surto da doença que e três mortes.

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Embarcação MV Hondius registrou um surto da doença que causou três mortes | abc+



Embarcação MV Hondius registrou um surto da doença que causou três mortes

Foto: Redes Sociais/Reprodução

O Departamento de Saúde dos EUA informou que um americano teve resultado positivo para hantavírus após desembarcar do MV Hondius. Um segundo cidadão americano, também presente no voo de repatriação, apresentou sintomas leves da doença

Na França, a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, confirmou que uma mulher está em isolamento em Paris, conforme reportado pela BBC. O estado de saúde da paciente francesa está se deteriorando. Foram rastreados 22 casos de pessoas que tiveram contato com ela.

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Três mortes confirmadas no surto

Três passageiros morreram após viajarem na embarcação: um casal holandês e uma mulher alemã. Dois deles tiveram a infecção pelo vírus confirmada.

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Uma das vítimas é uma mulher holandesa que desembarcou do MV Hondius durante sua escala na ilha de Santa Helena, no dia 24 de abril. Ela compartilhava a cabine com seu marido, que também estava a bordo e morreu antes dela.

A principal hipótese das autoridades é que o surto tenha começado com dois passageiros que estiveram em um aterro sanitário no extremo sul da Argentina para observação de pássaros. O vírus é transportado por roedores e é raro que seja transmitido entre pessoas.

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Operação de repatriação mobiliza mais de 90 passageiros

Mais de 90 passageiros do navio estão sendo repatriados das Ilhas Canárias. O Hondius atracou no porto de Granadilla antes do amanhecer de domingo (10), um mês após a morte do primeiro passageiro a bordo.

O desembarque começou por volta das 5h30 da manhã (horário de Brasília), segundo o Ministério da Saúde local. Barcos da polícia militar patrulhavam ao redor da embarcação enquanto uma grande operação em terra auxiliava na retirada das pessoas.

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O navio não teve permissão para atracar na costa durante a aproximação da ilha. Um perímetro de segurança de uma milha náutica (1,8 km) foi imposto ao redor da embarcação.

Dezessete cidadãos americanos estavam no voo de repatriação. Outros sete passageiros americanos já retornaram e estão sendo monitorados em seus respectivos Estados.

Vinte cidadãos britânicos chegaram ao Reino Unido no domingo. Quatorze espanhóis foram levados de avião para Madri. Vinte e seis passageiros e tripulantes, incluindo oito cidadãos holandeses, chegaram à Holanda no domingo.

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Quatro cidadãos ucranianos permanecerão a bordo do MV Hondius como parte da tripulação para garantir a transferência do navio para a Holanda. Após a chegada, eles deverão cumprir quarentena em uma unidade médica. Até o momento, nenhum sinal de doença foi registrado entre os ucranianos.

Não há registro de brasileiros entre os passageiros. Outros dois voos de evacuação estão programados para a tarde de segunda-feira.

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Protocolos de segurança rigorosos durante transporte

O governo americano informou que os passageiros viajaram em “unidades de biocontenção por precaução”. Algumas horas antes do desembarque, equipes médicas entraram no navio para verificar se os passageiros apresentavam sintomas.

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Os passageiros foram divididos em grupos por nacionalidade e transportados para a costa em pequenas embarcações. De lá, aviões fretados partiram da pista do aeroporto local para repatriá-los a seus países de origem.

Antes de embarcarem nas aeronaves, os passageiros tiveram que vestir trajes de proteção especiais e passaram por outros procedimentos de segurança. Todos os 17 cidadãos americanos no voo de repatriação serão submetidos a avaliação clínica em uma unidade médica no Estado do Nebraska.

Os espanhóis estão de quarentena em um hospital militar em Madri. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 42 dias de isolamento para os passageiros que desembarcaram do MV Hondius.

Cerca de 30 tripulantes permanecerão a bordo para levar o navio de cruzeiro de volta à Holanda.

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As medidas de segurança no local aumentaram consideravelmente no sábado (9), com a polícia militar espanhola e equipes de resposta a desastres montando grandes tendas de recepção. O acesso à orla foi restrito.

Dezenas de especialistas em terapia intensiva estavam de prontidão no hospital Candelaria, em Tenerife, caso algum passageiro apresentasse sintomas graves durante a transferência. Uma unidade de isolamento tinha sido preparada com um leito totalmente equipado para lidar com doenças infecciosas, com kit de teste e ventilador.

Um grande número de trajes de proteção, máscaras e luvas já estava estocado para a equipe. “Estamos absolutamente prontos”, disse o médico-chefe da terapia intensiva, Mar Martin, na unidade. “Nunca vimos [hantavírus] antes — mas é um vírus, com algumas complicações, assim como lidamos todos os dias. Estamos totalmente treinados para isso.”

A ministra da Saúde da Espanha descreveu a complexa operação para impedir a propagação da rara cepa deste vírus como “sem precedentes”. No sábado (9), ela enfatizou que o risco de contágio para a população em geral era baixo.

“Acreditamos que o alarmismo, a desinformação e a confusão são contrários aos princípios básicos da preservação da saúde pública”, afirmou.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, foi a Tenerife para supervisionar o desembarque. Ele elogiou as autoridades pela sua “resposta sólida e eficaz” ao surto.

Em uma carta aberta, o diretor-geral da OMS tentou tranquilizar os moradores de Tenerife, que estavam apreensivos com a chegada da embarcação. “A sua preocupação é legítima, devido à experiência com a covid: esse trauma ainda está nas nossas mentes”, reconheceu, acrescentando que o risco de contágio mais amplo é agora baixo “devido à forma como o vírus funciona e à forma como o governo espanhol se preparou para evitar qualquer problema”.

As autoridades afirmam que o risco de um surto grave é muito baixo.

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Quando o desembarque nas Ilhas Canárias foi anunciado, parte da população local reagiu com revolta. Na sexta-feira (8), um grupo de trabalhadores portuários se reuniu em frente ao Parlamento local em um protesto ruidoso. Eles estavam preocupados com o fato de as medidas de segurança não serem suficientemente rigorosas.

Na noite de sábado (9), todos os planos cuidadosamente elaborados foram brevemente lançados ao caos quando o presidente das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, disse que se recusaria a permitir a entrada do navio no porto, pois o desembarque não poderia ser feito em um único dia. O governo central em Madri teve que intervir.

Clavijo então afirmou na TV que um rato portador do hantavírus poderia “escapar do navio no meio da noite e colocar em risco a população das Ilhas Canárias”. O secretário de saúde teve que vir a público e insistir que tal cenário “não representava um risco”.

De forma geral, as pessoas na ilha parecem tranquilas com o baixo risco. “O vírus é perigoso, claro. Mas dizem que é preciso ter contato muito próximo para contraí-lo”, disse uma mulher chamada Jennifer, enquanto caminhava com seu filho em Santa Cruz, capital de Tenerife. “Se formos cuidadosos, esperamos que não seja muito sério.”

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