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SAÚDE

Microplásticos: Como as partículas invisíveis ameaçam a saúde antes mesmo do nascimento

Entenda como exposição aos microplásticos pode impactar saúde humana e se há como acabar com problema

Publicado em: 04/09/2025 às 14h:47 Última atualização: 04/09/2025 às 14h:52
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Os microplásticos estão por todo lugar, inclusive no sangue, fígado, placenta e até no cérebro humano. Por ano, um estudo de 2019 estima que adultos consumam até 52 mil partículas, conforme a Fiocruz. E isso pode impactar a saúde antes mesmo do nascimento.

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Por ano, um estudo de 2019 estima que adultos consumam até 52 mil partículas de microplásticos | abc+



Por ano, um estudo de 2019 estima que adultos consumam até 52 mil partículas de microplásticos

Foto: Freepik

“Na Antártida, no deserto, nas montanhas, onde você procurar, você vai achar microplástico, seja no ar, seja no solo, seja na água”, disse a médica e pesquisadora brasileira Thais Mauad à Fiocruz, durante um encontro da Organização das Nações Unidas (ONU), que aconteceu recentemente.

A estimativa é que 400 milhões de toneladas de plástico sejam produzidas todos os anos. No entanto, apenas 10% são recicladas. Com o tempo, o material se degrada e se transforma em partículas minúsculas, como o próprio nome sugere, medindo menos de 5 milímetros. O que torna as chances de exposição ainda maior.

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O material já foi encontrado na carne, leite e no tecido adiposo em bovinos, suínos e aves de produção, segundo o relatório Microplásticos: um problema complexo e urgente, da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Inclusive, as partículas já foram encontradas no mel das abelhas.

Nos lagos, rios e oceanos, os microplásticos já impactam os peixes, crustáceos e outros animais. No solo, contamina fungos, plantas, animais. E já foi detectado em folhas de alface e no arroz, por exemplo.

Mas a exposição em humanos não ocorre somente pelo consumo de alimentos, mas também através da água contaminada. Inclusive, ao respirar, “considerando que as partículas que são inspiradas até os pulmões e aquelas que decantam no alimento enquanto cozinhamos e comemos”.

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Como os microplásticos impactam a saúde humana

Os possíveis impactos dos microplásticos na saúde humana ainda são estudados. Até o momento, diferentes estudos apontam que a presença deles no organismo está relacionada com problemas cardiovasculares, desregulação endócrina e imunológica, comprometendo até a memória e o aprendizado, explica a Fiocruz.

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Encontradas no fígado, sêmen, baço, cólon, pulmões, saliva, fezes, urinas e testículos, as partículas não são eliminadas do corpo. “É uma partícula inerte, que não consegue ser degradada pelas nossas células”, reitera Mauad.

Estas partículas carregam dentro de si os polímeros, “que são um capítulo à parte de extrema gravidade”. Ainda, elas levam bactérias e metais pesados. “Todos os estudos em animais e mais experimentais mostram que isso suscita um processo inflamatório.”

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Danos e morte de células, que podem ir de saudáveis a cancerígenas, também podem ser causados pelos microplásticos, assim como reações alérgicas podem ser desencadeadas, segundo apontaram testes laboratoriais.

“Substâncias químicas presentes nos plásticos, como os ftalatos e o bisfenol, são apontadas como fatores de risco para diversas condições, incluindo distúrbios do comportamento e da memória, e puberdade precoce”, diz Mauad à Fiocruz.

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Problema grave para quem ainda nem nasceu

No cérebro, os microplásticos foram encontrados no bulbo olfativo, conforme uma pesquisa em que a médica participou. Essa estrutura cerebral é responsável por processar as informações iniciais, associadas ao olfato.

Por essas partículas estarem sendo encontradas também no leite materno e até mesmo na placenta, há uma preocupação com o impacto que a exposição a elas pode causar nas próximas gerações.

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“É um problema grave”, diz Mauad. “Há muita gente preocupada com essa exposição precoce, desde intraútero até nos primeiros anos de desenvolvimento. Porque os órgãos em desenvolvimento são mais suscetíveis a impactos externos.”

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O relatório da ABC alerta: os microplásticos podem alcançar o feto em formação. “E, possivelmente, o recém-nascido, impactando potencialmente a saúde humana mesmo antes do nascimento”, escreve.

Testes laboratoriais indicam que os microplásticos podem causar danos e morte de células, induzir a transformação de células saudáveis em cancerígenas e desencadear reações alérgicas. Substâncias químicas presentes nos plásticos, como os ftalatos e o bisfenol, são apontadas como fatores de risco para diversas condições, incluindo distúrbios do comportamento e da memória, e puberdade precoce.

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Longe de encontrar uma solução

A pesquisadora reitera: a humanidade não está nem um pouco perto de encontrar uma solução para os microplásticos. “Não vamos conseguir acabar com o plástico”, enfatiza ela à Fiocruz. “Mas temos que acabar com o plástico não essencial.”

Já o relatório da ABC afirma que. “como um problema complexo”, o combate aos microplásticos deve envolver diversos conjuntos de estratégias, incluindo:

  • a redução do consumo de plástico;
  • aumento na taxa de reuso, coleta e reciclagem;
  • ampliação de sistemas onde os plásticos possam ser depositados de forma segura.

Segundo Mauad, não faz sentido usar um copo de plástico para tomar água e jogá-lo fora menos de 30 segundos depois, por exemplo. “Alguém teve que ir lá no meio do oceano tirar petróleo, extrair, refinar, moldar, transportar, não tem a menor lógica. É uma irracionalidade absurda que foi nos imposta pela indústria.”

As informações veiculadas nesta matéria são apenas para fins de educação. Em caso de sintomas, ou de dúvidas, um profissional de saúde deve ser consultado.

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