Com a aproximação do início da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, em 7 de abril, uma série de dúvidas surge na população, especialmente entre o público-alvo. Uma das principais é: quando tomar a nova dose? Quem deixou de se vacinar na última campanha e acabou se vacinando só recentemente, pode surgir a dúvida: preciso tomar o imunizante de novo na campanha de 2025?
A resposta é sim. Tanto quem tomou a vacina normalmente na campanha de 2024, como quem não tomou ou atrasou a dose, deve receber o novo imunizante em 2025. Embora alguns postos de saúde tenham doses sobrando do ano anterior, é necessário tomar também a vacina atualizada que estará disponível nos próximos meses – especialmente se você faz parte dos grupos de risco.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
“A vacinação anual é fundamental para manter a proteção de todos, em especial dos indivíduos mais vulneráveis”, destaca o médico infectologista e diretor de Matéria Médica do Butantan, José Moreira.
Quem é o público-alvo da campanha:
- Crianças de 6 meses a menores de 6 anos
- Crianças indígenas de 6 meses a menores de 9 anos
- Trabalhadores da Saúde;
- Gestantes
- Puérperas
- Professores dos ensinos básico e superior
- Povos indígenas
- Idosos com 60 anos ou mais
- Pessoas em situação de rua
- Profissionais das forças de segurança e de salvamento
- Pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais (independentemente da idade)
- Pessoas com deficiência permanente
- Funcionários do sistema de privação de liberdade
- Trabalhadores do transporte rodoviário coletivo (urbano e de longo curso)
- Trabalhadores portuários
- Profissionais das Forças Armadas
- Caminhoneiros
- População privada de liberdade, além de adolescentes e jovens sob medidas socioeducativas (entre 12 e 21 anos).
Vírus em constante modificação
A atualização é importante porque o vírus influenza se modifica frequentemente para conseguir “driblar” o sistema imune do hospedeiro e sobreviver por mais tempo. A vacina da campanha de 2025 será composta pelas cepas de influenza A/Victoria (H1N1), A/Croácia (H3N2) e B/Áustria (linhagem Victoria), de acordo com determinação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Baixa adesão
Em 2024, somente 54,6% do público-alvo das regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil compareceu ao posto para receber sua dose, segundo o Ministério da Saúde. Na região Norte, a cobertura ficou ainda mais baixa, atingindo 40%. A taxa recomendada é de pelo menos 90% para controlar a disseminação da influenza e prevenir internações e óbitos.
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No inverno do ano passado, entre julho e agosto, a incidência de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) se concentrou entre os idosos e os menores de 2 anos de idade, de acordo com o Boletim InfoGripe. O vírus influenza foi um dos principais responsáveis pelos óbitos. Ao todo, em 2024, foram notificados 5.325 óbitos com positividade para vírus respiratórios, sendo 30% de influenza.
Segurança comprovada
José Moreira reforça que a vacina contra influenza é segura e possui um perfil de benefício-risco altamente favorável em todos os grupos etários e populações especiais. Além disso, é validado internacionalmente, integrando a Lista de Imunizantes Pré-Qualificados da OMS desde 2021.
“Nós temos comprovação de que a vacina é segura na população mais vulnerável, por ser uma vacina de vírus inativado, com poucas reações adversas”, afirma. As principais reações são dor, vermelhidão e endurecimento no local da aplicação, que se resolvem em poucos dias.
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Os resultados de segurança das vacinas de influenza são sólidos e já foram demonstrados mundialmente. Uma revisão sistemática publicada este ano na European Respiratory Review analisou dados dos últimos 20 anos de quase 200 mil pacientes, e mostrou que a vacinação é eficaz na redução de infecções e complicações relacionadas à influenza em crianças menores de 5 anos, indivíduos entre 5 e 65 anos, e idosos com mais de 65. A análise incluiu um total de 119 artigos de 39 países.
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Vacine-se no tempo certo
A campanha de vacinação é planejada para que todas as 80 milhões de pessoas do público-alvo estejam imunizadas antes da chegada do inverno. Em média, cada indivíduo leva duas semanas após a aplicação da dose para atingir uma produção suficiente de anticorpos neutralizantes.
“O maior risco de contrair a doença acontece na época fria, quando há maior circulação de vírus respiratórios e maior aglomeração de pessoas. Quando o indivíduo deixa para tomar a vacina depois da janela de risco, o benefício é reduzido. Se não conseguiu tomar no início da campanha, tome assim que possível. E lembre-se de voltar ao posto todos os anos”, esclarece o infectologista.
A principal complicação da gripe é a pneumonia, responsável pela maioria das internações, de acordo com o Ministério da Saúde. Outros problemas comuns são sinusite, otite, desidratação e piora das doenças crônicas. Manter a vacinação em dia é a única forma de evitar que uma eventual infecção evolua para um quadro mais grave.
*com informações de butatan.gov.br
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