Você desembarca de uma balsa após dez minutos de travessia e percebe que não há nenhum carro à sua frente. As ruas são de areia. Uma charrete passa devagar. O cheiro é de mar, mangue e sal. Esse é o primeiro contato com Galinhos, vilarejo no litoral norte do Rio Grande do Norte.
O lugar fica numa península cercada de água por quase todos os lados. Para chegar até lá, os visitantes precisam deixar o carro num estacionamento gratuito em Pratagil, na RN-402, a cerca de 160 quilômetros de Natal, e embarcar numa balsa operada pela comunidade local.
Um lugar que o tempo não alcançou
Galinhos se emancipou de São Bento do Norte em 1963 e, desde então, mudou muito pouco. O turismo chegou, mas não transformou a essência do lugar. Nos últimos anos, a principal alteração visível foi o calçamento de algumas ruas com paralelepípedo. Mas, segundo os moradores, o restante segue como sempre foi: areia, silêncio e vida simples.
A economia do vilarejo gira entre a pesca e a produção de sal. O nome veio dos próprios pescadores que chegaram à península atraídos pelos “peixes-galo”. Os exemplares encontrados na ponta eram menores que o habitual e ganharam o apelido de “galinhos”.
O que faz a paisagem ser tão diferente
Além das belas praias, a península é conhecida por reunir dunas de areia, manguezal, braço de mar de águas calmas e montanhas brancas de sal que surgem logo atrás do mangue.
O Rio Grande do Norte responde por cerca de 95% de todo o sal marinho produzido no Brasil, e a região entre Galinhos e Guamaré concentra boa parte dessa produção.
Perto das salinas, a concentração de sal na água é alta o suficiente para o corpo flutuar sem esforço, o que rendeu à região o apelido de “Mar Morto brasileiro”. O manguezal, por sua vez, abriga cavalos-marinhos, aratus, garças-azuis e outros animais que dificilmente são vistos em praias convencionais.
Na ponta da península está o farol erguido em 1931. Um erro nos cálculos de construção obrigou os engenheiros a elevar a lanterna sobre a varanda, dando ao farol uma silhueta peculiar. Na maré alta, a base some debaixo d’água.
Melhor época e quanto tempo ficar
O sol aparece em mais de 300 dias por ano em Galinhos. As chuvas se concentram entre março e julho, mas mesmo nesse período são fracas. A melhor janela para visitar vai de agosto a janeiro, quando os dias são mais secos e o vento constante refresca o calor, que costuma ficar entre 25 e 30 graus.
De acordo com guias turísticos, dois dias inteiros são suficientes para conhecer a península com calma. Dá para fazer o passeio de barco pelo manguezal, chegar às dunas, visitar o farol e ainda comer frutos do mar nos restaurantes da vila, onde o cardápio muda conforme o que o mar entregou no dia.




